Vacina salva vidas, exemplo na família

VACINA SALVA VIDAS, UM EXEMPLO NA FAMÍLIA

A vacina contra a Covid 19 salva vidas. É um fato comprovado e tenho um exemplo muito próximo, na família. Minha sogra foi uma das primeiras a tomar a vacina e agradecemos ao SUS e à ciência por ela. O fato de estar vacinada não relaxou os controles e ela não só manteve o isolamento social, o que lhe foi difícil, devido ao encontro com os filhos, netos e bisnetos.

O que a ciência diz sobre as vacinas contra a Covid 19, que elas previnem o agravamento da situação de quem é infectado, vimos acontecer com a minha sogra. Apesar dos cuidados tomados, ela acabou sendo infectada. A família entrou em pânico, não só devido à sua idade, mas principalmente por ter asma, o que complicaria a situação no caso de contrair a Covid, uma doença respiratória.

AÇÃO PREVENTIVA DA VACINA

Confirmada a infecção, a primeira providência foi consultar a sua médica, geriatra que a acompanha há anos. O que ela constatou é que os sintomas eram leves e que minha sogra ficaria em casa fazendo o tratamento, começando com a adoção de antibióticos. Devido à asma, a respiração dela ficou ruim e esse foi o sintoma mais claro.

Com controles diários e constantes aconselhamento com a médica, ela passou, até de forma tranquila, a enfermidade. O que poderia ter sido devastador, graças à vacina, não o foi. Sim, foi preocupante, mas a ação da vacina se mostrou muito eficaz, evitando o agravamento da doença e preservando a vida da minha sogra.

Este, é evidente, não foi o único caso de ação preventiva da vacina contra a Covid 19. Mas foi o que vivenciamos mais de perto, acompanhando o dia a dia da minha sogra e sua evolução. Hoje, ela está bem, voltou à vida normal, é uma pessoa ativa e resolvida, apesar dos seus 90 anos.

DESPREZO À CIÊNCIA E NEGACIONISMO

Se um caso pessoal serve de exemplo – e acho que serve, baseado em pesquisas científicas já feitas – se o Brasil tivesse adotado a vacina mais cedo e houvesse, de parte do Governo Federal uma ação efetiva em prol dela, teríamos salvado milhares de vidas. O que fica evidente é que o desprezo à ciência e o negacionismo, matam.

A adoção das recomendações da ciência teriam evitado o genocídio. É certo que não evitaria todas as mortes, mas as diminuiria grandemente, tirando-nos da desonrosa posição de segundo país do mundo com mais mortes, numericamente, e caminhando a passos largos para posição ainda mais desonrosa de primeiro lugar.

Ação rápida, isolamento social, conscientização da população, medidas sanitárias rígidas, controles da infecção e, por fim, a vacina, mostraram-se eficazes em várias partes do mundo, não importando a ideologia dos governos. Infelizmente, não tivemos nada disso.

O que tivemos foi um profundo desprezo pela morte.

O novo é igual ao velho normal em Vila Velha e na pandemia

O NOVO É IGUAL AO VELHO NORMAL

Com o abrandamento das regras de isolamento social e, sobretudo, com a abertura do comércio, bares e restaurantes, a Grande Vitória, no Espírito Santo, está mostrando que o “novo normal”, tão anunciado devido ao coronavírus, está exatamente como o “velho normal”. Para constatar basta uma saída às ruas.

Aparentemente, o capixaba – e o brasileiro, tomando-se como base notícias de outros Estados – “normalizou” a pandemia e a incluiu na sua rotina, deixando de lado os cuidados recomendados pela ciência. Sim, a infecção está diminuindo em Vila Velha, onde vivo. Mas ela não acabou e, nos dizem os especialista, a única perspectiva de controlá-la é a vacina.

Ao que parece a ciência e suas recomendações não afetam a maioria das pessoas. No final de semana, o que vi no calçadão da Praia da Costa, em Vila Velha, foi o movimento normal de um domingo, fora dos dias de verão. A praia estava cheia e o calçadão, também. O número de pessoas usando máscaras era insignificante em relação ao total e os ajuntamentos eram uma constante.

SEM PANDEMIA

Pessoas idosas, sem máscaras, estavam cercada por outras, jovens, que também não as usavam. Adultos e crianças se misturavam nas areias da praia, sem máscaras. Entre os que, como eu, caminhavam, poucos usavam máscaras. Senti-me como se a pandemia e a infecção pelo coronavírus não existisse.

Pelo que tenho visto, ouvido e lido as pessoas só usam máscaras quando são obrigadas. É o caso da entrada em um comércio. Vi isso acontecer outro dia, em uma padaria, enquanto esperava minha esposa. Um casal vinha pela rua e o homem estava sem máscara. Ao chegar à padaria, enfiou a mão no bolso, retirou e colocou a máscara. E o fez por haver um controle na entrada, que não permite que se entre sem o uso das máscaras.

Ainda no domingo, caminhando por um circuito alternativo, no Morro do Moreno, encontrei um bom número de automóveis estacionados e próximos deles, em uma pousada, uma boa concentração de pessoas. Cuidados com a infecção e a Covid 19? Nenhuma. Estavam “curtindo” o final do dia, despreocupados com a infecção ou, mesmo, se assintomáticos, pudessem infectar outras pessoas.

IGNORANDO MORTES

Como eu e minha família nos prevenimos e continuamos nos isolando e quando saímos adotamos todos os protocolos de proteção, fico surpreso com o comportamento das pessoas. Elas estão ignorando os 4 milhões de infectados no Brasil e as mais de 120 mil mortes. Nem a infecção, nem as mortes pararam. Mas foram “normalizadas”. Entraram na rotina e deixaram de incomodar ou mesmo amedrontar as pessoas.

E não é o caso do comportamento desafiador dos primeiros dias, daqueles que chamavam a pandemia de “gripezinha” e achavam que a cloroquina iria salvá-los e impedir que se infectassem. Agora, é um comportamento mais geral, que envolve todas as idades e que nos traz a sensação de não preocupação com a infecção pela maioria.

É um comportamento que não sei explicar. Torço para os que não tem cuidado não se infectem. Mas eu e minha família vamos continuar nos prevenindo e tomando os cuidados necessários para evitar a infecção, à espera da vacina, essa sim, que irá preveni-la.

O horizonte e sua importância nos dias de quarentena

A VISTA DO HORIZONTE NOS DIAS DE QUARENTENA

Perto de quatro meses de quarentena, saímos de casa pela primeira vez e passamos um final de semana – eu e minha esposa – em Guarapari, onde temos um pequeno, mas funcional apartamento. A mudança me trouxe uma reflexão sobre a importância de se ter o horizonte à vista nestes dias de isolamento social.

Especificamente no meu caso, além do horizonte aberto, também o mar representa um fator importante. Sou dos privilegiados que tem os dois. O mar e o horizonte estão à frente, visíveis das minhas janelas, no apartamento onde vivo. É diferente em Guarapari. Lá não tenho as mesmas vistas, mesmo estando muito próximo do mar. O horizonte, no entanto, está coberto por outros edifícios e a visão que tenho dele é da rua, com a vida resumindo-se ao que nela acontece.

MUNDO ENCOLHE

Se o nosso mundo já encolheu e por estarmos em recolhimento passamos a vê-lo do lado de fora, ao perder o horizonte ele fica ainda menor, reduzido ao espaço que ocupamos e só acessível mediante a tecnologia. E foi assim que descobri como ter o horizonte à frente é importante para superar os dias de confinamento voluntário.

Se olharmos bem, de certa forma, vivemos todos encaixotados, seja em apartamentos, seja em casas. Abrimos mão dos espaços abertos em busca de proteção individual e para nossas famílias e grupos. Os edifícios praticamente tornaram-se os locais preferidos de habitação e se proliferaram, como vemos em praticamente todas as cidades do mundo.

E foi essa proliferação que nos tirou o horizonte. Na maioria dos casos, quem olha pela janela vê, do outro lado, mais janelas, mais edifícios, limitando sua visão e concentrando-a na rua à frente, pelo menos para os que moram de frente para ela. Uns poucos, como eu, tem uma visão mais ampla, que não se restringe ao edifício em frente e, no meu caso, o mar está do outro lado da rua e o horizonte, à sua frente.

ENCOLHE E EXPANDE

Confesso que nunca tinha pensado nessa questão. Também nunca imaginei que ficaria por quase cinco meses seguido em casa. Antes da pandemia, era algo inimaginável. Podia sair às ruas, caminhar, andar à toa e não ter de me preocupar com um vírus que tomou o mundo de assalto e transformou o Brasil em um imenso cemitério.

Fugindo, não, evitando-o, me recolhi. E ao fazê-lo, o mundo, de certa forma, ficou do lado de fora. A vida, como a tinha antes, ficou à espera. De início, achei que seria um recolhimento rápido. Estava enganado, assim como me enganei sobre a volta ao “normal”. E foi com o passar dos dias que fui me dando conta de uma profunda mudança no mundo, não só em relação à visão que tinha dele, mas do comportamento humano.

Não sou psicólogo, mas acho que o afã de parte dos brasileiros em irem para a rua tem a ver com o fato de vivermos encaixotados, sem horizonte visível, o que estreita nosso mundo. É uma visão sem base científica, mas foi ao não ter uma visão mais ampla do “lado de fora” que descobri como ter o mar ao lado e o horizonte à frente é importante.

Hoje, tenho uma certeza: os dois tornaram meus dias mais fáceis, deixando o isolamento mais aceitável, e vão me ajudar a esperar o que virá no amanhã.

Negação? Praia e pessoas sem usar máscaras, como se não se importassem com a Covid 19

 SERÁ NEGAÇÃO? OS BRASILEIROS E A COVID 19

O isolamento social e a prevenção são, segundo especialistas, as duas medidas mais eficazes para evitar a Covid 19. Parece que uma boa parcela dos brasileiros não crê nelas, como constatei nos dois dias que estou em Guarapari, Espírito Santo. A cidade não está cheia, mas ao caminhar no calçadão o que vejo são pessoas se portando como se não houvesse uma pandemia.

Será negação? Não sei. O que sei é que, de certa forma, fico revoltado ao voltar timidamente às ruas tomando todos os cuidados e vejo dezenas, centenas de pessoas que não estão nem aí. São crianças, jovens, adultos e idosos. Não há distinção de idade, de cor de pele e nem de origem. Existem os que chegam nos “carrões” e os que, dá para ver, são mais humildes.

MÁSCARAS, NÃO

O que todos tem em comum é o fato de não usarem máscaras. Distanciamento? Pra que. Formam-se pequenos grupos, às vezes com 10 pessoas, que conversam animadamente, riem alto e tocam e ainda olham quem usa máscara como se fôssemos, nós, os idiotas.

Não sei – e na verdade não estou interessado – em saber o que essas pessoas pensam. O que sei é que ao se portarem de forma irresponsável, se colocam em risco e também elevam o risco de quem se cuida. Aliada a esse grupo existe outro, que mostra alguma preocupação, mas levam as máscaras na mão, como se o objetivo fosse protegê-las.

É um grupo bem menor, mas faz concorrência aqueles que tem máscaras no queixo ou no pescoço. O fato é que, no meu cálculo, das pessoas que estavam no calçadão, pelo menos 70 por cento não estavam usando máscaras ou pretendendo usá-las sem o fazer. Fico imaginando como seria esse cenário se estivéssemos em pleno verão, com a praia lotada.

NÃO SE IMPORTAM

No Espírito Santo, os indicadores dizem que a pandemia está estabilizada, mas o Estado tem tido cerca de mil infectados comprovados diariamente. O contágio está baixo, mas com o descuido de quem é daqui ou quem vem de fora, pode acontecer o mesmo cenário dos Estados Unidos, com uma forte segunda onda de infecção. Lá, como no Brasil, a pandemia está fora de controle.

Será que as pessoas não se importam com quase 90 mil mortes? Se formos julgar pela atitude delas, a resposta é não. Se individualmente não tem medo da Covid 19 ou não se importam de contraí-la, deveriam pensar nos outros – família, amigos, etc. Mas, na minha opinião, o egoísmo de pensar que é o centro do mundo faz com que sejam, não descuidados, mas de propósito desafiadores, achando que são imunes.

O certo é que, não importa como eles ajam, se são a maioria da população, como mostram os índices de isolamento social, e se se julgam imunes: Eu vou continuar me prevenindo. Por mim, por quem está ao meu lado, por meus familiares, por amigos e, também, por quem não conheço.

CONFIAR NA CIÊNCIA

Assim como não quero ser infectado, não desejo que ninguém o seja. E, no meu caso, prefiro confiar na ciência, deixando de lado as hidroxicloroquinas, as invermectinas e outros remédios que, comprovadamente não tem efeito. É como afirma um infectologista em evidência: essas drogas não curam a Covid 19 e são tão efetivas quanto jujubas.

Já passando dos 132 dias, vou, se necessário, chegar aos cinco meses ou mais de isolamento social. E vou seguir em frente, até que seja necessário. É uma resolução que, aqui em casa, tomamos em conjunto.

Queremos distância do coronavírus. E vamos mantê-la, nos resguardando.

Volta à rua e caminhada pelo calçadão após 127 dias de quarentena

NA RUA APÓS 131 DIAS DE QUARENTENA

Qual é a sensação de estar na rua após 131 dias de quarentena? Não diria medo, mas apreensão, sim. Depois de todo esse tempo, foi a primeira vez que, efetivamente, voltei às ruas e, para dizer a verdade, não literalmente a elas, mas para uma caminhada pelo calçadão da Praia do Morro, em Guarapari.

Até então, as poucas saídas de casa sempre envolveram carro. Em algumas delas, nem cheguei a sair dele. Noutras, sai rapidamente para fazer exames e em duas outras oportunidades. O tempo fora foi mínimo e, do veículo até o local, dei poucos passos. A caminhada foi diferente.

COM E SEM MÁSCARAS

Ao sair de casa tive que caminhar dois quarteirões até chegar à praia e o calçadão. É o que chamaria de reinauguração das caminhadas, feitas na Praia da Costa e, quando estamos em Guarapari, no calçadão da Praia do Morro, onde fica nosso apartamento.

É inverno  e as ruas e o calçadão estão vazios. Mesmo assim, a insegurança toma conta, principalmente pelo número de pessoas que não usam máscaras e se portam como se não houvesse uma pandemia que, no Brasil, já infectou cerca de 2,5 milhões de pessoas pelos dados oficiais e já matou mais de 85 mil.

Mas há, de outro lado, muita gente de máscaras, que vão desde pessoas de mais idade às crianças. Não sei como seria em um dia de verão, mas tenho certeza que o número de pessoas seria muito maior. E que este aumento iria me desestimular de fazer o que fiz.

DO LADO DE FORA

Foi uma caminhada rápida com uma parada para comprar pastéis. Saímos e voltamos para casa, caminhando cerca de 5 quilômetros, o que é um bom trecho, mas é menos do que caminhávamos antes do início da pandemia. Mesmo assim, é diferente, já que não estão restritos ao espaço da casa, mas “do lado de fora”.

É este lado de fora que vinha passando pela nossa janela no dia a dia. De certa forma, já foi um desafio deixar Vila Velha e vir para Guarapari. E nada foi planejado. Surgiu a ideia e decidimos que, sim, poderíamos fazer isso, buscando manter a nossa segurança no nível mais alto.

Talvez seja o primeiro passo para o que será, amanhã, normal. O certo é que nos deu satisfação estar ao ar livre, ouvindo as ondas quebrarem e sentindo o vento marinho. E ainda fomos brindados com um belo por do sol, recompensa pela “ação intrépida” que tomamos – o plural refere-se à companhia de minha esposa.

E DEPOIS, COMO SERÁ?

Não sei – e ninguém sabe – como será o amanhã. Mas o que fizemos pode ter nos dado uma referência de como teremos de nos portar no futuro. Pelo menos até que haja uma vacina contra a Covid 19, permitindo que nos movimentemos sem os cuidados que estamos tomando hoje.

O que penso é que, mesmo com a vacina, os hábitos terão mudados e estaremos muito mais preocupados com a preservação da saúde. Até porque, como sabemos, existem aqui no Brasil e lá fora milhões de pessoas que não se importam, nem com a própria vida, nem com a dos outros.

Ao cuidarmos de nós, estamos também ajudando a cuidar dos outros.

100 dias de isolamento social, uma coisa inimaginável há pouco tempo

100 DIAS EM CASA, UMA COISA INIMAGINÁVEL

Gosto de ficar em casa, mas em sã consciência é inimaginável ficar 100 dias seguidos no isolamento social. Se alguém, algum dia, me dissesse que isso aconteceria, responderia: Nem em sonho. A realidade é que acaba de acontecer e hoje completam-se 100 dias que eu e minha esposa estamos em casa, fugindo da Covid 19 e da pandemia que assola e envergonha o Brasil.

O problema não é só ficar em casa, isolado. Ele é acrescido do descontrole da infecção, do pequeno número de testes e de ações governamentais em todos os níveis para frear o espalhamento do vírus. No meu Estado, o Governo começou bem, mas afrouxou os controles e os números continuam subindo.

NA HISTÓRIA

À frente, a história vai contar como nos portamos e relatar o que ocorreu. Talvez um espelho seja a gripe espanhol, que não foi levada a sério de início e matou milhares de pessoas. A pandemia do coronavírus está repetindo o que a história mostra, com a possibilidade, segundo estudiosos, de passarmos dos 100 mil mortos.

A exemplo do ficar em casa por 100 dias, são números inimagináveis e eles são ampliados pela ampla cobertura da mídia. Amanhã, no registro histórico, o que ficará é a inação, o desprezo pela vida humana, medidas de boicote às ações de prevenção e o espalhamento de notícias falsas, inclusive sobre medicamentos que “curam” a doença, que não existem neste momento.

LADO PESSOAL

Se do lado do Governo, principalmente do Federal, há uma clara disposição de permitir o maior número de infecção e, consequentemente, o de mortes, no pessoal o que podemos fazer é acreditar na ciência e tomar as medidas de prevenção que recomenda. A primeira delas, como sabemos pela ampla divulgação, é o isolamento e o distanciamento social. Se ficamos em casa corremos menos risco, pois não temos contato com outras pessoas e não estaremos expostos ao vírus.

Mas para uma boa parcela, este isolamento não é possível. Os que, como eu, estão e permanecerão em casa até que haja uma luz no fim do túnel, são privilegiados. Tenho meios de trabalhar, de me entreter, de me alimentar e não preciso ir para a rua – e não quero ir. Milhões de pessoas no Brasil e no mundo não tem essas condições e acabam se expondo, se infectando e ajudando no espalhamento do vírus.

VIDA LÁ FORA

Se manter o isolamento e o distanciamento social nos traz alguma tranquilidade, o contratempo é que estamos, mais e mais, a vida do lado de fora. Ela chega pelo que observamos da janela de casa ou pelos meios tecnológicos. Eles tem me ajudado a preencher o tempo e encontrar entretenimento, deixando um pouco de lado o turbilhão de notícias ruins.

Vendo de longe e de segunda mão o que ocorre, cabe perguntar: como será o amanhã? Quanto tempo mais irá durar o distanciamento social? Tenho lido muitas coisas sobre a pós-pandemia, mas não há ninguém que consiga antever como será o mundo depois dela. Há a certeza que irá mudar, como já estamos mudando e vamos continuar com a mudança. Mas nada que indique que será seguro para todos e que não teremos a reincidência da doença.

TODOS AFETADOS

Eu, você e todos nós estamos sendo afetados pela pandemia. Uns mais, outros menos. Considero-me no rol destes últimos, mas, mesmo assim, há um preço a pagar pela necessidade de ficar em casa. Vejo muitas reclamações e gente dizendo que não aguenta mais. Isso não ocorre comigo e com minha esposa. Internalizamos a necessidade de recolhimento o que tem nos ajudado.

Não é que não queira sair, andar na rua, ver gente, cumprimentar pessoas, conversar, ir a um restaurante ou mesmo encontrar a família. É claro que quero, assim como minha esposa quer. O que não quero – e conto com o firme propósito de minha esposa – e não me infectar, não infectar outras pessoas.

O ficar em casa, no meu caso, é uma forma de dizer que penso nos outros, quero evitar que se infectem, que os hospitais fiquem lotados, que gente morra. É um sacrifício, sim. Mas se conseguir superar a pandemia será uma vitória.

Mascaras e desconforto na quarentena

INCÔMODO DA MÁSCARA NOS DIAS DE QUARENTENA

Um dos princípios mandatórios nos dias de quarentena é o uso de máscara. A ciência já provou que ela é efetiva e ajuda no controle da pandemia do coronavírus e na prevenção da Covid 19. Mas usá-la é um incômodo, pelo menos se o fazemos durante todo o dia, como ocorreu comigo nesta semana, devido a uma presença extra em casa.

Desde que começamos o isolamento, eu e minha esposa temos ficados sozinhos em casa. A empregada que nos acompanha há anos, está cuidando de sua família, fazendo o isolamento social e recebendo integralmente seu salário. Mas nessa semana, ela veio por dois dias à nossa casa e nos impusemos o uso de máscara, mesmo sabendo que ela é muito cuidadosa.

EXCEÇÃO

Nos mais de 90 dias de isolamento social, foi uma exceção termos recebido pessoas em nossa casa. O nosso prédio limitou o tráfego de gente, no que fez certo, e os moradores tem ficado em casa. Ter alguém de fora em casa, mesmo que seja conhecida e de toda confiança, acaba gerando tensão. Confiamos totalmente na Lena, nossa empregada, mas para a segurança dela e a nossa, usamos máscaras durante todo o tempo.

Vivemos em um apartamento amplo, o que nos dá o conforto de distanciamento, mesmo com uma terceira pessoa em casa. Nós três estávamos usando máscaras. E foi um uso de quase um dia. Para mim, o maior desconforto foi o fato de ficar com a boca seca, talvez pela respiração contida pela proteção da máscara.

UM ALÍVIO

Foi nossa primeira experiência de uso contínuo da máscara. Antes, vínhamos usando sempre que saíamos do apartamento, mas dentro do próprio prédio. E eu, em ocasiões raras, quando necessitei fazer exames clínicos, ir ao cartório e ao Correios. Fora disso, como estamos nós dois – eu e minha esposa – no apartamento, ficamos sem máscara. Com a presença da Lena, mudamos e as usamos.

É claro que, em  um intervalo de oito ou nove hora, ninguém fica direto com a máscara. É preciso tomar água e se alimentar, mas são pequenos intervalos em uma duração maior. O fato é que, ao final da jornada da Lena, foi com alívio que retiramos a máscara e a colocamos de lado. Foi uma experiência, necessária, que nos indicou como é que talvez seja o novo normal da vida.

NOVO NORMAL

Enquanto não tivermos uma vacina ou o risco de transmissão da Covid 19 seja muito baixo, pessoas como eu e minha esposa, por segurança, teremos de usar máscaras em quaisquer atividades externas. Talvez não seja mandatório o uso dela, mas é uma questão de segurança para nós, que não queremos ser infectados e vamos tomar todos os cuidados para não ser, aliás, como já estamos fazendo.

Ninguém pode antecipar como será o novo normal. O fato é que a ciência prediz a possibilidade de uma vacina ainda neste ano, mas não é certo. E a ciência também prediz que viveremos um bom tempo com a presença da Covid 19, pelo menos até que a maior parte da população esteja imune, por já ter contraído a doença ou por ter sido vacinada.

Enquanto isso, a nossa maior proteção continua sendo o uso da máscara, o isolamento e o distanciamento social. Eu, na certa, vou continuar praticando-os.

Higiene e limpeza de tudo é uma mudança que os dias de quarentena nos trazem

HIGIENE E LIMPEZA NOS DIAS DE QUARENTENA

Em maior ou menor grau, todos nós temos cuidados com a higiene e limpeza, principalmente a pessoal. O que a pandemia do coronavírus e a Covid 19 nos trouxeram nestes dias de quarentena é uma preocupação muito ampliada com a higiene e limpeza do que entram em nossas casas.

Tomemos como primeiro exemplo as frutas. Antes, elas eram lavadas e isso bastava. Hoje, com a pandemia, não. É preciso higienizá-la submetendo-as a uma solução de água sanitária com água e, depois, lavá-las, secá-las e, em alguns casos, ainda usar o álcool para completar a limpeza.

CALÇADOS

Outro bom exemplo são os calçados. Antes do coronavírus, chegávamos da rua e entrávamos direto em casa, sem nos preocupar se nosso sapato, tênis ou chinelo estavam sujos. Agora, é diferente. Ninguém, em sã consciência, entra direto da rua em casa. Chega, tira o calçado, deixa-o do lado de fora e entra. Depois o pega e leva para higienização.

O que estamos vivendo é uma mudança de hábitos e, ao mudar, somos despertados para procedimentos que não fazíamos, mas que acabam se incorporando às nossas vidas. Eu, por exemplo, vou continuar deixando os calçados do lado de fora, mesmo quando a pandemia passar. É uma forma de deixar a casa mais limpa, pelo menos.

OUTRAS COISAS

O mesmo cuidado se dá com todas as compras que entram em casa. O que está em latas ou em embalagens hermeticamente fechadas é lavada com água e sabão e, depois, enxaguada. No caso do que não pode ser lavado, a higienização é feita com álcool gel. Nada fica sem ser limpo e bem limpo.

A rotina que adotamos aqui em casa é a seguinte: o que chega de compras é separada ainda do lado de fora e colocado em uma caixa plástica. Dela, vamos retirando cada item e levando-o para a higienização apropriada. No final, a caixa que recebeu as compras também passa por limpeza. Temos uma caixa específica e, para ela, o combinado é que, se o item foi nela colocado é porque já está limpo do coronavírus.

EXTREMOS

Você pode até achar que são cuidados extremos, que não é necessário tanto. Mas nos mais de 90 dias de isolamento social – que no nosso caso foi voluntário desde o início – e do qual não sabemos, ainda, quando sairemos, passamos a adotar todos os cuidados. Minha esposa é ainda mais cuidadosa que eu.

O que estamos fazendo, quando se trata de higiene e limpeza – pessoal e do que entra em casa – é devido à consciência que temos que devemos nos prevenir. O vírus é invisível e pode ser deixado em qualquer lugar apenas por um toque. Então, todos os cuidados são necessários.

Difícil? Para quem abraça a mudança, é fácil. Para quem resiste a ela, acredito que seja difícil, mas não posso julgar. No nosso caso, estamos fazendo o que achamos necessário para nos preservar. E vamos continuar assim – eu e minha esposa – até que a situação mude e a pandemia nos permita uma “vida normal”.

Certamente um “novo normal” que vai incorporar muitos dos hábitos adotados durante o período de isolamento social.

As pequenas cenas do cotidiano nos ajudam a navegar nesses dias de quarentena

AS CENAS DO COTIDIANO NOS DIAS DE QUARENTENA

O nosso cotidiano é feito de muitas cenas de nosso dia a dia e não mudou nos dias de quarentena. É o problema no trânsito, a conversa de alguém, o encontro com o conhecido, a observação de detalhes que não tínhamos visto antes, o encontro inesperado, as flores na natureza e comportamento errático dos humanos.

Vivemos – e não é diferente nos dias de pandemia – no micro. E são as pequenas coisas que nos chamam a atenção. Sim, o macro mudou. Estamos no isolamento social – pelo menos uma parte da população, aquela que pode. Mas isso não nos impede de continuar observando e descobrindo, no dia a dia, o que não víamos antes ou, mesmo, ter um olhar diferente para o que era corriqueiro e já integrava o nosso cotidiano.

PASSARELA DOS BARCOS

Completando 80 dias de isolamento, tenho refletido em como é o meu cotidiano e o que nele mudou. A primeira constatação é que o mundo está lá fora, só alcançável através da tecnologia, não do contato físico, limitado ao espaço da residência e a quem nela vive. No meu caso, minha esposa. Somos os dois a ocupar nossos dias dentro de casa e procuramos preenchê-lo, para que não se tornem vazios.

Moro em um local que poderíamos chamar de bucólico e uma das coisas que me chama a atenção são os pássaros, sua diversidade, e os cantos mais variados. A cada dia descubro um novo canto e também pássaros que não tinha visto antes. O tempo de observação aumentou e cada pequena descoberta é um pequeno prazer que enche o meu dia.

VÔO FÁCIL

Dentre os pássaros há um que me fascina, o urubu. Ele não tem nada de especial, a não ser a maneira como voa, o que faz sem nenhum esforço, aproveitando as térmicas – correntes de ar quente – para ir se elevando, até praticamente sumir na altura e na distância. Ao circularem no início do voo, eles passam muito próximo de minha varanda. Sento-me nela e fico observando, talvez despertado pelo velho sonho de Ícaro, com suas asas postiças. Nós, humanos, não voamos.

Ou melhor, voamos sim. E os parapentes que decolam do Morro do Moreno, ao lado do meu apartamento são a prova disso. Mas esse voo é para poucos e eu não sou um deles. Adrenalina não me atrai, mas é uma das cenas do cotidiano que observo e vejo humanos se misturarem com os urubus na circulação em que aproveitam as térmicas.

PASSARELA DOS BARCOS

Outra cena comum são os navios e barcos. À frente do meu apartamento está o canal de Vitória e ele é uma passarela para os barcos, grandes e pequenos. Os maiores chegam escoltados por rebocadores. Sentado na varanda, vejo-os passar e noto os detalhes diferentes, cores, tamanho e  até se estão indo mais rápido ou devagar.

E nessa passarela também passam os pequenos barcos de pescadores, muitas vezes seguidos por bandos de gaivotas à espera de uma refeição fácil. E tem ainda os jetesquis e as lanchas, colocadas na água em uma rampa em frente do prédio ondo moro. Observando-os dá para ver que não são iguais e ainda ver como seus donos se comportam. Alguns, exibidos. Outros, mais contidos.

E O TRABALHO

No meio de tudo isso – e de muitos outros pequenos detalhes da vida no dia a dia – ainda há o trabalho que, no meu caso, não tem horário fixo, já que sou meu próprio empregador. E é nesse momento que me valho da tecnologia, comparecendo a reuniões, discutindo questões relativas à comunicação e aconselhando posturas.

E há sempre o computador. É nele que produzo e que me informo. Acordo, vejo as informações, escrevo, ouço música, exploro novos assuntos, paro e observo o mundo lá do lado de fora e repito. Ajudo nas tarefas da casa, eventualmente faço pães e sigo adiante.

Até agora, são estas pequenas ações que preenchem o meu cotidiano e estão me ajudando a navegar nesses dias de quarentena, do novo coronavírus e da Covid 19. E posso afirmar que estou navegando bem, em águas tranquilas e com os olhos no horizonte, sabendo que na chegada o mundo estará diferente daquele que deixei para trás – e que não mais voltará.

Comida é importante para a saúde, assim como os exercícios físicos nos dias de quarentena

COMIDA E SAÚDE NOS DIAS DE QUARENTENA

A comida é um fator importante na nossa saúde e não é diferente nos dias de quarentena. Só que, se acreditarmos nas estatísticas, nós brasileiros temos comido muito mais durante o isolamento social. Talvez seja mesmo como alguém já disse: vivemos como pinto de granja. Se apagam a luz, dormimos. Se a acendem, comemos.

Aqui em casa estamos chegando aos 80 dias de isolamento social e, no caso da comida, sim houve algumas mudanças, mas ainda estamos seguindo os conselhos de Michel Pollan, que nos recomenda não comer nada que nossos avós não reconhecessem como comida. O que ele diz é: Coma comida, principalmente plantas, mas não muito.

EMAGRECER

Pessoalmente, tenho facilidade para engordar e, por isso, vigio os meus hábitos, mantendo-me neles. O curioso é que nestes dias de quarentena e de isolamento social acabei emagrecendo e, nos controles periódicos que faço, os meus índices nunca estiveram tão bons. Sim, tenho e temos feito algumas extravagâncias, mas no geral continuamos comendo o que comíamos antes e não mais.

Outro fator que contribuiu para a situação descrita acima é que consegui – ao contrário de muitos, como vejo nas redes sociais –  consegui manter uma rotina de exercícios. Primeiro, e como já relatei aqui, apenas com caminhadas, feitas dentro de casa e respeitando o mínimo de três quilômetros.

TREINO VIRTUAL

A partir de abril, já na primeira quinzena de quarentena, minha personal começou a fazer aulas on line, oferecendo não só a mim, mas a quem a acompanhasse e assistisse, poder se movimentar com orientação profissional. No segundo momento, ela evoluiu para as aulas individualizadas e aderi a elas.

Foi um passo adiante e voltei à minha rotina de três treinos semanais, feitos em casa, sob a orientação da Cris Vidal, minha personal há alguns anos. Além dos treinos e principalmente nos dias que não os tenho, minha rotina de caminhada, que também era de três vezes por semana, foi aumentando e passou a ter mais um dia, fechando a semana com exercícios.

RECORDE PESSOAL

Ter internalizado a necessidade de manter as atividades físicas me trouxe uma recompensa, o reconhecimento do médico que me acompanha, de meu excelente desempenho nos exames. E me deu a satisfação de superar meus recordes pessoais, chegando ao mais longo período contínuo de exercícios.

Assumi uma rotina e a tenho mantido no que se refere aos exercícios. Pretendo mantê-la durante o período de isolamento que, no nosso caso, é mesmo quarentena. E meu projeto pessoal é continuar com ela assim que chegarmos ao “novo normal”. Se não puder ir à academia, vou continuar com os treinos on line, que tem sido efetivos.

E além deles, vou continuar com as caminhadas, sejam elas dentro de casa ou voltando a apreciar a brisa marinha do calçadão da Praia da Costa, onde em tempos pretéritos – antes da pandemia – fazia minhas caminhadas.