100 dias de isolamento social, uma coisa inimaginável há pouco tempo

100 DIAS EM CASA, UMA COISA INIMAGINÁVEL

Gosto de ficar em casa, mas em sã consciência é inimaginável ficar 100 dias seguidos no isolamento social. Se alguém, algum dia, me dissesse que isso aconteceria, responderia: Nem em sonho. A realidade é que acaba de acontecer e hoje completam-se 100 dias que eu e minha esposa estamos em casa, fugindo da Covid 19 e da pandemia que assola e envergonha o Brasil.

O problema não é só ficar em casa, isolado. Ele é acrescido do descontrole da infecção, do pequeno número de testes e de ações governamentais em todos os níveis para frear o espalhamento do vírus. No meu Estado, o Governo começou bem, mas afrouxou os controles e os números continuam subindo.

NA HISTÓRIA

À frente, a história vai contar como nos portamos e relatar o que ocorreu. Talvez um espelho seja a gripe espanhol, que não foi levada a sério de início e matou milhares de pessoas. A pandemia do coronavírus está repetindo o que a história mostra, com a possibilidade, segundo estudiosos, de passarmos dos 100 mil mortos.

A exemplo do ficar em casa por 100 dias, são números inimagináveis e eles são ampliados pela ampla cobertura da mídia. Amanhã, no registro histórico, o que ficará é a inação, o desprezo pela vida humana, medidas de boicote às ações de prevenção e o espalhamento de notícias falsas, inclusive sobre medicamentos que “curam” a doença, que não existem neste momento.

LADO PESSOAL

Se do lado do Governo, principalmente do Federal, há uma clara disposição de permitir o maior número de infecção e, consequentemente, o de mortes, no pessoal o que podemos fazer é acreditar na ciência e tomar as medidas de prevenção que recomenda. A primeira delas, como sabemos pela ampla divulgação, é o isolamento e o distanciamento social. Se ficamos em casa corremos menos risco, pois não temos contato com outras pessoas e não estaremos expostos ao vírus.

Mas para uma boa parcela, este isolamento não é possível. Os que, como eu, estão e permanecerão em casa até que haja uma luz no fim do túnel, são privilegiados. Tenho meios de trabalhar, de me entreter, de me alimentar e não preciso ir para a rua – e não quero ir. Milhões de pessoas no Brasil e no mundo não tem essas condições e acabam se expondo, se infectando e ajudando no espalhamento do vírus.

VIDA LÁ FORA

Se manter o isolamento e o distanciamento social nos traz alguma tranquilidade, o contratempo é que estamos, mais e mais, a vida do lado de fora. Ela chega pelo que observamos da janela de casa ou pelos meios tecnológicos. Eles tem me ajudado a preencher o tempo e encontrar entretenimento, deixando um pouco de lado o turbilhão de notícias ruins.

Vendo de longe e de segunda mão o que ocorre, cabe perguntar: como será o amanhã? Quanto tempo mais irá durar o distanciamento social? Tenho lido muitas coisas sobre a pós-pandemia, mas não há ninguém que consiga antever como será o mundo depois dela. Há a certeza que irá mudar, como já estamos mudando e vamos continuar com a mudança. Mas nada que indique que será seguro para todos e que não teremos a reincidência da doença.

TODOS AFETADOS

Eu, você e todos nós estamos sendo afetados pela pandemia. Uns mais, outros menos. Considero-me no rol destes últimos, mas, mesmo assim, há um preço a pagar pela necessidade de ficar em casa. Vejo muitas reclamações e gente dizendo que não aguenta mais. Isso não ocorre comigo e com minha esposa. Internalizamos a necessidade de recolhimento o que tem nos ajudado.

Não é que não queira sair, andar na rua, ver gente, cumprimentar pessoas, conversar, ir a um restaurante ou mesmo encontrar a família. É claro que quero, assim como minha esposa quer. O que não quero – e conto com o firme propósito de minha esposa – e não me infectar, não infectar outras pessoas.

O ficar em casa, no meu caso, é uma forma de dizer que penso nos outros, quero evitar que se infectem, que os hospitais fiquem lotados, que gente morra. É um sacrifício, sim. Mas se conseguir superar a pandemia será uma vitória.

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