O mundo mágico dos livros e como ele nos elvolve

LIVROS, UM MUNDO MÁGICO QUE NOS ENVOLVE

Quantos livros você já leu?

Esta não é uma pergunta comum nas conversas de hoje. As pessoas estão muito mais interessadas no que a televisão oferece, principalmente no que se relaciona às novelas e aos chamados reality shows – que nada tem de realidade, pois são pura encenação. Não é que as pessoas não leiam, pois leem e vejo isso pelo interesse de jovens no que é publicado e na frequência deles e de outros adultos às livrarias. Mesmo assim, não se pode dizer que os livros estão na moda, mesmo que em formato digital.

No meu caso, no entanto, livros são e foram fundamentais. Comecei cedo com uma leitura difícil, Exodus, de Leon Uris, um dos clássicos da literatura mundial. Tive dificuldades com a leitura, mas segui adiante, embora só tenha entendido verdadeira o livro quando o reli, já mais velho. A partir dele, nunca deixei de ler e não me limitei a livros de ficção, passando por quadrinhos, histórias populares, literatura brasileira e estrangeira e dedicando-me a um dos gêneros que é olhado meio de banda: a ficção científica.

Nos quadrinhos, o que me deixou boas lembranças foram as publicações da Editora Brasil América (EBAL), com títulos como Batman e Príncipe Valente, dentre outros. Antes, já tinha sido apresentado aos quadrinhos através do Almanaque do Tico Tico. Dele, tenho um velho exemplar guardado, presente em um dos meus aniversários. Foi nestas histórias e nos livros edificantes da Editora Vozes que formei a base inicial de leitura. Pelo menos enquanto vivi no interior, onde o acesso à literatura era mais difícil.

Ao vir para a capital, meu horizonte de leitura foi ampliado. Primeiro, pela existência de bibliotecas públicas com bom acervo de obras que não tinha lido. Na Biblioteca Pública de Vitória encontrei alguém que, como eu, gostava de ler. Ele foi o meu elo com um novo universo de livros, indo dos clássicos nacionais a nomes conhecidos mundialmente, como Ernest Hemingway. E aqui houve uma pequena transgressão, pois consegui ler mesmo os livros que não estavam liberados para empréstimo. Foi a época em que me tornei leitor frequente e engrenei um ritmo de leitura que, em determinada época, ficou meio que frenético.

Com o passar dos anos fui acumulando um número razoável de livros lidos. Quantos? É difícil determinar. Muitas das leituras ficaram perdidas no tempo. Outras, não foram nada importante, como os romances de faroeste, marca de um espanhol chamado Marcial Lafuente Estefania. Li muitos deles e o mesmo aconteceu com a série Perry Rhodam, o herói espacial quase do mesmo quilate de Flash Gordon, que veio bem antes. Li também livros populares de séries policiais e de espionagem. Eram livros baratos, vendidos em bancas de jornais, impressos em papel jornal e, em alguns casos, apelando um pouco para o sexo.  Eles sempre supriam a falta de uma publicação mais séria, mais encorpada. E também muito mais cara.

Melhorando na vida, pude também melhorar o padrão de leitura e passei a selecionar autores, fossem brasileiros ou estrangeiros. Interessei-me, também, pela leitura de ficção científica, despertada com Perry Rhodan, mas que também atingiu outro nível, chegando a clássicos como Ray Bradbury, Isaac Asimov e outros, com estórias muito mais elaboradas e que, se partiam da fantasia, fornecia o ambiente para que se desenvolvesse. Alguns tinham base científica, como os romances de Arthur Clarke.

A questão da quantidade de livros lidos me veio há pouco, quando organizava e registrava digitalmente minha biblioteca, um trabalho ainda não concluído. Somente na parte de ficção científica são mais de 600 diferentes obras, a maior parte dela constituída por livros publicados em Portugal pelas editoras Livros do Brasil, Europa América e Caminho. A Livros do Brasil publicou uma das maiores coleções de ficção científica, a Argonauta, com mais de 500 volumes, juntando os mais importantes nomes deste gênero literário. Tenho, também, muitas publicações brasileiras, algumas que estão sendo republicadas em novas coleções, como a da Editora Aleph.

Enfim, respondendo a questão inicial depois desta digressão: Não sei quantos livros li ao longo da vida, começando na adolescência e chegando ao agora. Contando só literatura, acredito que chegue a dois mil. Se juntarmos os livros didáticos, ensaios, história, filosofia, política, sociologia, etc. o número cresce. Como podem ver, livros foram e ainda são importantes na minha vida. Com eles, aprendi e me diverti. É uma paixão antiga que permanece, embora o ritmo de leitura tenha diminuído.

No final, a quantidade não é importante. O que importa é que viajemos pelos romances e estórias que os mais variados autores nos contam. Eles nos ajudam a imaginar novos cenários, nos levam a novos mundos, às novas tramas e acabam nos dando lições que nos ajudam ao longo da vida. Aprendi com os livros e ainda continuo aprendendo com eles.

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