Família de Geraldo Antunes de Souza reunidaa

UM HOMEM MAIS QUE NOTÁVEL

O que transforma um homem em notável? Alguns poderão dizer que é a realização de um grande feito. Einstein, por exemplo, foi notável. Thomas Edson, também. Ambos fizeram coisas que os tornaram lembrados e que continuarão. Mas este não é o único caminho para a notabilidade, pois, sabemos, existem muitos outros. A questão, aqui, no entanto, não é discutir a persona pública de alguém ou o que ele fez que o tornasse famoso. Quero, até na contramão dessa ótica, olhar a ação humana sob um ângulo diferente.

Tenho, de início, um nome. E é a partir dele que quero construir o meu tema. O nome é Geraldo Antunes de Souza, um ilustre anônimo, mas uma das pessoas mais notáveis que já conheci. Aos meus olhos – e nos de muitos outros – ele construiu a notabilidade por ter conseguido um dos maiores feitos que presenciei: criar uma família de 12 filhos – e mais um, adotado – dando-lhes um ótimo rumo, transformando-os em homens e os vendo seguir um caminho de sucesso, sem nenhuma exceção. Junto com a esposa, Noêmia – outra pessoa notável – fez isso com uma simplicidade comovedora, com os frutos do seu trabalho, do curto salário que recebia e que, bem administrado, rendia para manter a família, sem que nunca tenha lhe faltado nada.

Os filhos, que se sucediam, foram crescendo, estudando, começando a trabalhar, constituindo novas famílias, tendo filhos e, alguns, até netos. A cada passo, ao lado, observando, estava sempre “seu” Geraldo, o exemplo vivo de como se portar, de como encarar a vida, fornecendo o espelho para que todos se vissem e soubessem que, sim, eram capazes de também construírem uma vida, mesmo que diferente da dele, mas de forma sustentável. E com isso, a família foi crescendo. Chegaram os primeiros genros, vieram os primeiros netos, apareceram os primeiros bisnetos. Para todos “seu” Geraldo tinha sempre um sorriso, uma piada pronta, uma palavra carinhosa, mas, sobretudo, servia como exemplo vivo de como um homem deve se portar.

Aposentado, depois de uma longa vida de trabalho, nunca parou. Cuidava da casa, da horta, plantava, olhava suas galinhas, sempre arranjando uma atividade. Quando o convidavam para alguma coisa, sempre alegava estar muito ocupado, pois tinha muito que fazer. E em tudo o que fazia colocava sua alegria, divertia-se e divertia filhos, netos e bisnetos. Para alguém que teve infância difícil, saindo do campo, chegando à cidade, construindo uma grande família e a vendo florescer, a vida do “seu” Geraldo foi, sob todos os aspectos, notável. Ele conseguiu o que muitos sonharam e não realizaram: ter uma família unida, alegre, consciente, solidária, acolhedora. E quanto a este último detalhe, posso falar com propriedade, pois fui o primeiro genro a ser acolhido pela família que, no final, acabou transformando-se na minha própria família, com muito orgulho.

Tenho a grande honra de ter convivido com este homem notável por mais de 40 anos. É quase uma vida e, examinando-a e ao que vi, participei e constatei, posso afirmar, sem nenhuma dúvida: Geraldo Antunes de Souza foi um homem notável, ímpar mesmo.

No momento em que já não o temos, este reconhecimento é o mínimo que posso fazer. Sei que a vida segue, mas ela ficará menos alegre e um pouco mais vazia sem a presença do “seu” Geraldo, sua alegria, suas tiradas, a música que tirava dos mais variados instrumentos, os causos que contava, os problemas que enfrentou e venceu. Foi-se um grande homem. Ficaram os seus exemplos de vida. Estes, garanto, não serão esquecidos, perpetuando-se através da memória daqueles que o amaram – e que o amam – que cuidarão de passar a seus descendentes um pouco do que foi e fez.

Obrigado, “seu” Geraldo. E que Deus o tenha!

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