Português: palavras herdadas de outros idiomas

PALAVRAS QUE VIERAM DE FORA

Os idiomas, com raras exceções, sofrem influências de fora, notadamente hoje, em um mundo globalizado. São expressões que acabam sendo incorporadas a língua e tornam-se parte dela. Com o português não foi e não é diferente.

Uma das razões que levam um idioma a adotar expressões de outros é o intercâmbio. Mas elas se incorporam, também, pela dominação de um lugar, como no caso dos árabes na Europa. Ou adotam, no caso brasileiro, expressões e palavras do tupi-guarani, da fala dos povos que aqui habitavam antes do início da ocupação pelos portugueses.

Se no caso das frutas há uma concentração da Ásia no que temos hoje, na língua é bem diferente. Tirando milhares de palavras das línguas nativas do Brasil, podemos identificar influências árabes, persa, grega, espanhola, sânscrito e muitas outras, inclusive palavras incorporadas da língua de negros escravizados, transformados em mercadoria pelos senhores brancos.

Não sou linguista e não vou me aprofundar na questão. O que faço é apenas a constatação desses vocábulos e busquei deles alguns exemplos. É o caso de álcool, de origem árabe. Ou de academia, que vem do grego. A Grécia, como sabemos, é o berço da filosofia ocidental e nada mais natural que influísse nos idiomas à sua volta.

O açúcar, uma preferência nacional – quem não gosta de doces? – é de origem sânscrita. Político vem do grego e uma das minhas palavras preferidas, cafuné, é de origem quibombo, o idioma falado pelos nativos de Angola, trazidos para cá como escravos.

Páscoa, incorporado ao cotidiano devido às comemorações da Igreja Católica, vem do hebraico, remetendo ao Velho Testamento e às festas judias. Zero é árabe, o que é natural, pois foram eles que inventaram a matemática como a conhecemos. Camelô é árabe. Samba, o ritmo nacional do Brasil, é quibombo.

Hoje, em um mundo muito mais globalizado, as influências – e incorporações de novas palavras às línguas – ocorrem com muito mais rapidez. Constatar é fácil: basta para próximo de uma roda de conversas para ver como palavras derivadas da tecnologia e vindas de fora estão presentes no nosso idioma.

A língua não é estática, mas dinâmica. E nada mais natural que vá incorporando novas palavras, novas expressões. É o que ocorre desde sempre e vai continuar ocorrendo.

Mas não precisamos exagerar, não é?

Os acentos, cedilhas, ãos e sinais gráficos complicam o português

ENTRE CEDILHAS, ACENTOS E SINAIS GRÁFICOS

No final do ano passado resolvi que era hora de mudar o visual do blog novamente. A ideia era adaptá-lo aos chamados dispositivos móveis e, ao mesmo tempo, dar uma renovada, inclusive com o acréscimo de conteúdo e a complementação de outros. A mudança veio em função de uma invasão que, para usar um termo que não prezo muito, “esculhambou” todos os textos, acrescentando a eles sinais muito estranhos, o que, em alguns casos, tornava quase impossível sua leitura. E esta não tinha sido a primeira invasão. O resultado é que tudo ficou confuso e se queria manter o espaço tinha de mudá-lo.

De nada adiantar mudar a frente se o conteúdo, que é o principal do blog, não fosse acertado. Então, comecei a ler os mais de mil diferentes posts, o que teve de ser feito um a um, já que se existe não descobri uma maneira de alterá-los juntos, de uma única vez. Comecei, então, um trabalho que levou tempo e que, agora com a mudança já feita, ainda existem ajustes por fazer. Mas o objetivo deste post não é falar sobre o processo, mas algo que “descobri” e que, posso dizer, me surpreendeu. As alterações no texto me fizeram descobrir que o o belo idioma de Camões tem uma enorme quantidade de cedilhas, acentos e outros sinais gráficos.

Acostumado à língua, nunca tinha atentado para este aspecto dela. Veja este texto. Conte quantos cedilhas ele tem. São muitos, com certeza. E quando se trata de acentos, então, eles são ainda em maior quantidade. Além disso, temos ainda um bom número de palavras terminadas em ão. Com a invasão do blog, todas as palavras que tinham cedilha, acentos ou sinais gráficos sofreram modificações e, na correção, elas tiveram de ser mudadas uma a uma, o que não é pouco trabalho, facilitado pela Procurar e Substituir do processador de texto.

Para se ter uma ideia aproximada do trabalho, vamos considerar que cada texto tem cerca de 300 caracteres – e tem mais. Multiplicando isso por mais de mil, são nada menos do que 300 mil caracteres no final. O que pensei de tudo? Imaginei alguém de fora, que não sabe português, tentando aprender a língua e vendo o acúmulo de acentos, cedilhas e sinais gráficos. Para quem não é latino e não os tem, isso representa uma enorme dificuldade. E o piro é que, na maioria dos casos, não fariam nenhuma diferença. O cedilha, por exemplo, poderia ser substituído por dois Ss. E os acentos, como provou a última revisão do português, não fazem nenhuma falta.

O que sobra, no final, são as terminações em ão e os tils da vida. Sinceramente, não sei como substituí-los, mas também não sou linguista. Depois de ler novamente os mais de mil artigos do blog, corrigindo-os, a conclusão final é que o português, efetivamente, é um idioma complicado. Simplificá-lo seria uma coisa bem vinda.

 

UMA LÍNGUA BEM PARTICULAR

Quem já foi a Portugal sentiu, muito de perto, como é diferente a língua que eles falam por lá e que, como a nossa, é chamada de Português. As diferenças, que são grandes, não impedem, no entanto, que nos entendamos, mesmo que às vezes, precisemos pedir explicações para um ou outro termo, que para nós tem um sentido diferente.

Para sentirmos esta diferença não precisamos ir a outros países. Basta percorrer o Brasil. Em algumas regiões mais e em outras menos, mas temos muitos regionalismos, termos próprios para designar uma ação ou uma comida. Pelo que sei, as maiores diferenças estão no Nordeste, e foi por isso que, revendo e-mails, acabei parando um enviado há algum tempo pela Francy.

Ele mostra o linguajar peculiar de Pernambuco. Confiram como são diferentes os termos usados para vários das palavras mais comuns que usamos no dia a dia:

  • Solteiro – Solto na bagaceira
  • Ir embora – Pegar o beco
  • Conserto – Imenda
  • Empolgar – Ficar com a muléstia
  • Bater – Sentar a mão
  • Conversa – Resenha
  • Água com açúcar – garapa
  • Demorar – Enrolar
  • Apressado – Desembestado
  • Distraído – Avoado
  • Surdo – Moco
  • Envergonhado – Encabulado
  • Passar roupa – Engomar
  • Esperto – Desenrolado
  • Rico – Estibado
  • Lanchar – Merendar
  • Satisfeito – De bucho cheio
  • Perna fina – cambitos
  • Mulherengo – Raparigueiro
  • Jogar fora – Avoar no mato
  • Se dar mal – Se lascar todinho
  • Chato – Cabuloso
  • Pular – Dar pinote
  • Ficar bravo – Ficar com a gota serena
  • Corajoso – Cabra da peste
  • Briga – Arenga
  • Grávida – Buchada
  • Apaixonado – De pneus arriados

Os regionalismos, como todos sabemos, são uma constante no Brasil. Aqui mesmo, no Espírito Santo, que sofre muita influência dos Estados vizinhos, temos termos que só nós usamos e um comportamento no mínimo interessante: o de nunca dizer o nome da rua onde um prédio, por exemplo, está. Mas dar um ponto de referencia para ele. Para nós, é muito comum, mas para que chega, acaba sendo muito estranho. Um pouco desse linguajar peculiar pode ser visto em Os maneirismos regionais.

Se este é um assunto que lhe interessa, uma busca no Google pode leva-lo a milhares de locais onde as expresseis regionais estão contempladas. O que se mostra, no final, é que temos é uma língua bem diferente do português formal, juntando o jeito de falar ao longo de todo o Brasil,. Estas diferenças, tal como ressaltado no início, não impede que nos comuniquemos e que sejamos um dos poucos países do mundo com um idioma unificado, que não fala várias línguas, se descontarmos as línguas indígenas que são bem restritas.

E você, o que tem de regionalismo na sua terra? Deixe um comentário destacando o que é diferente ou interessante. Contribua participando desta conversa.

ENEM, BOBAGENS E VERACIDADE

Todos os anos, passada a prova do Enem, a gente vê em vários lugares as “pérolas” cometidas pelos estudantes que a fazem. E listas e mais listas do que foi dito acabam circulando pela Internet. Eu já recebi algumas e é possível ou quase certo que você já tenha recebido pelo menos uma.

Agora mesmo, acabo de receber outra – só sobre a Amazônia – enviada por um amigo que adora este tipo de coisas e que me abastece com as “bobagens” que circula pela grande rede. Ela é interessante, mas me perguntei se terão, mesmo, sido “cometidas” pelos estudantes. Em alguns casos, elas parecem ter sido trabalhadas de forma a ficarem engraçadas ou mostrarem pensamentos contraditórios. Verdadeiras? Não sei, mas são engraçadas.

Veja algumas:

  • O problema da Amazônia tem uma percussão mundial. Várias ONGs já se estalaram na floresta
  • A Amazônia é explorada de forma piedosa
  • A floresta tá ali paradinha no lugar dela e vem o homem e creu
  • Tem que destruir os destruidores por que o destruimento salva a floresta
  • O grande excesso de desmatamento exagerado é a causa da devastação
  • A floresta está cheia de animais já extintos. Tem que parar de desmatar para que os animais que estão extintos possam se reproduzirem e aumentarem seu número respirando um ar mais limpo
  • A emoção de poluentes atmosféricos aquece a floresta
  • Tem empresas que contribui para a realização de árvores renováveis
  • Animais ficam sem comida e sem dormida por causa das queimadas
  • Precisamos de oxigênio para nossa vida eterna
  • A Amazônia tem valor ambiental ilastimável
  • Explorar sem atingir árvores sedentárias (peguem só as que estiverem fazendo caminhadas e flexões)
  • A floresta amazônica não pode ser destruída por pessoas não autorizadas
  • Retirada claudestina de árvores
  • A Amazônia está sendo devastada por pessoas que não tem senso de humor
  • A cada hora, muitas árvores são derrubadas por mãos poluídas, sem coração(…)
  • Vamos gritar não à devastação e sim à reflorestação
  • Uma vez que se paga uma punição xis, se ganha depois vários xises

Pois é, a questão fica: foram realmente os estudantes que as escreveram? Eu até acho que são capazes de cometer este tipo de coisa. Afinal, a qualidade do ensino brasileiro é bem ruim, com raras exceções. Posso falar isso com alguma experiência, pois durante um tempo fui professor, exatamente de português, e vi a dificuldade que os alunos tinham para articular uma frase.

Gostou? Então, veja também: O que eles querem (mesmo) dizer, Pensamentos (quase) profundos e “Problemas de muita gravidez”. São posts sobre o assunto Enem e que tem, também, mais “pérolas” supostamente cometidas pelos que o fizeram. Aproveitem!

AS ARMADILHAS DA L͍NGUA

O português, reconhecem os especialistas, não é uma língua fácil. Talvez isso decorra de sua origem, já que o latim – de onde veio – é bem complexa, com declinações e combinações diversas. De outro lado, podemos dizer que para os nativos, pelo menos quando  falamos, não é tão complicada assim, embora haja notadas diferenças entre o que se fala no Brasil e em Portugal.

Se olharmos a língua escrita, as coisas mudam. Ao escrever temos de ser muito mais cuidados do que quando simplesmente falamos. É que, neste caso, gesteis, expresseis e entonações nos ajudam no entendimento. Na escrita, não. Só que, em alguns casos, seja escrevendo ou falando acabamos cometendo o que os especialistas consideram erro. Um dos casos é a tautologia.

Você sabe o que é tautologia? É o termo usado para definir um dos vícios de linguagem. Consiste na repetição de uma ideia, de maneira viciada, com palavras diferentes, mas com o mesmo sentido. O exemplo clássico é o famoso ‘subir para cima’ ou o ‘descer para baixo’. Mas há outros, como você pode ver na lista a seguir:

  • Elo de ligação
  • Acabamento final
  • Certeza absoluta
  • Quantia exata
  • Nos dias 8, 9 e 10, inclusive
  • Juntamente com
  • Expressamente proibido
  • Em duas metades iguais
  • Sintomas indicativos
  • Há anos atrás
  • Vereador da cidade
  • Outra alternativa
  • Detalhes minuciosos
  • A razão é porque
  • Anexo junto à carta
  • De sua livre escolha
  • Superávit positivo
  • Todos foram unânimes
  • Conviver junto
  • Fato real
  • Encarar  de frente
  • Multidão de pessoas
  • Amanhecer o dia
  • Criação nova
  • Retornar de novo
  • Empréstimo temporário
  • Surpresa inesperada
  • Escolha opcional
  • Planejar antecipadamente
  • Abertura inaugural
  • Continua a permanecer
  • A última versão definitiva
  • Possivelmente poderá ocorrer
  • Comparecer em pessoa
  • Gritar bem alto
  • Propriedade característica
  • Demasiadamente excessivo
  • A seu critério pessoal
  • Exceder em muito.

Note que a parte grifada de cada expressão é dispensável. E isso ocorre por reafirmarem o que o principal já diz. Por exemplo, ‘surpresa inesperada’. Ora, se é surpresa é lógico que é inesperado. Afinal, ninguém espera ou sabe por antecipação se houver uma surpresa. Veja-se, também, a questão da “propriedade característica”. Se o que apontamos é uma propriedade de um objeto, então é característica dele. As duas palavras querem dizer exatamente a mesma coisa.

Estas, na verdade, são algumas das armadilhas da língua. Falando, incorremos nela. E as repetimos, muitas vezes, quando escrevemos. É preciso ficar atento às expresseis que usamos no dia a dia, evitando estas repetições e dizendo as mesmas coisas, o que é característica da tautologia.

Sophia de Mello Breyner Andersen, o mar como temática da poesia

O MAR COMO INSPIRAÇÃO

Você gosta de poesia? Eu gosto. E tenho lido os poetas brasileiros, contemporâneos e antigos, mas admiro, também, a poesia de outras paragens, como a portuguesa, notadamente Fernando Pessoa, sem dúvida um dos maiores poetas da língua portuguesa. E ele, como sabemos, não era um, mas vários, pois produziu sobre vários nomes, com estilos e temáticas diferentes. E Portugal tem um outro poeta de que gosto, o José Régio, cujo poema mais conhecido é o Canto Negro. Um país, no entanto, não se limita a dois poetas e, no caso de Portugal, isso fica claro pelos que antecederam os mais modernos, como Camões, autor dos Lusíadas, considerado um dos mais importantes poemas épicos do mundo.

Pois foi em Portugal, onde estive há pouco tempo, que descobri uma poeta com uma temática muito interessante, o mar. E essa descoberta se deu por um acaso, em uma visita ao Oceanário, um prédio futurista onde a vida marinha é mostrada ao vivo. Nele, percebi que em algumas áreas havia versos, sempre sobre o mar. Fiquei curioso, mas não havia nenhuma informação sobre quem os havia escrito. No final, já próximo da saída, deparei-me, então, com um poema inteiro, o Fundo do Mar. E acabei, também, descobrindo o nome da poeta, Sophia de Mello Breyner Andersen. Anotei o nome e decidi que iria procurar alguma coisa por ela publicado.

Se gosto de poesia, também sou aficcionado por livros. E estando no berço onde o português e parte de nossa cultura nasceu, não poderia deixar de ir a mais do que uma livraria, olhar, ver o que estava sendo publicado, comparando com o que temos aqui. E foi em uma dessas visitas – um descanso para as caminhadas por Lisboa – que acabei descobrindo uma antologia da Shopia. Adivinhem sobre o que ela é? Exatamente sobre o mar. E nela, o poema que havia sido reproduzido no Oceanário. Um ótimo poema, no meu entender. E é por isso que o deixo, aqui, para a sua apreciação:

FUNDO DO MAR

No fundo do mar há brancos pavores,

Onde as plantas são animais

E os animais são flores

Mundo silencioso que não atinge

A agitação das ondas.

Abrem-se rindo conchas redondas,

Baloiça o cavalo-marinho.

Um polvo avança

No desalinho.

Dos seus mil braços,

Uma flor dança.

Sem ruído vibram os espaços.

Sobre a areia o tempo poisa

Leve como um lenço.

Mas por mais bela que seja cada coisa

Tem um monstro em si suspenso.

Esta e outras poesias sobre o mar estão em Mar, de Shopia de Mello Breyner Andersen. A antologia foi organizada pela filha dela, Mária Andersen de Souza Tavares, está na sétima edição e foi publicada pela Editorial Caminho, de Portugal. Se você gosta de poesia, é uma ótima leitura. Recomendo.

POST SCRIPT – Se você observar, o ritmo do poema é o das ondas do mar, que vão e vem. Descobri isso ao reler o texto e, de repente, me dei conta que também isso faz parte de sua beleza.

IGUAL, MAS MUITO DIFERENTE

Viajar significa, sempre, mudar de ares, conhecer novas pessoas, novos lugares, tomar contato com um novo tipo de cultura e provar os sabores de um local diferente daquele em que vivemos. Viajar significa, também, descanso, mudança e disposição para se adaptar a costumes diferentes dos nossos. E ainda a disposição de falar uma língua diferente, procurando entender o que os outros dizem ou comunicar-se, mesmo que seja por gestos.

Mas e se a viagem for para um país onde a língua seja a mesma que a sua? Muito melhor, não? É o caso, por exemplo, dos brasileiros que viajam para Portugal. Lá, como em outros países da comunidade lusófona, fala-se o português e, devido a isso, entendemos e somos perfeitamente entendidos. Certo? Até um determinado ponto, sim. A língua tem variações, como constatamos ao viajar para o Nordeste, por exemplo. E quando se trata de um outro país, as variações são maiores.

Em Portugal, às vezes, precisamos de tradução para algumas palavras que, aqui no Brasil, não usamos ou usamos de forma diferente. Tem dúvida? Veja, abaixo, algumas delas:

  • Galão de máquina – Copo de café com leite
  • Chávena – Xícara
  • Montra – Vitrine
  • Remate – Liquidação
  • Ementa – Cardápio
  • Tosta mista – misto quente
  • Pequeno almoço – Café da manhã
  • Telemóvel – Telefone celular
  • Esquentador – Aquecedor
  • Frio – Gelado
  • Rebuçado – Bala doce
  • Elétrico – Bonde
  • Frigorífico – Geladeira
  • Camisola – Camisa
  • Autocarro – ônibus
  • Concelho – Município
  • Magnético – Imã
  • Velharia – Antiquário
  • Fiambre – Presunto
  • Autogol – Gol contra
  • Sumo – Suco
  • Tomada e largada – Embarque e desembarque
  • Aluguer – Aluguel
  • Almofada – Travesseiro
  • Fato – Roupa masculina
  • Relvado – Gramado (campo de futebol)
  • Vivenda – Mansão
  • Baloiço – Balanço
  • Carrinha – Van
  • Talho – Açougue
  • Saloio – Caipira
  • Bocadinho – Pouquinho
  • Atacadores – Cadarço
  • Saldos – Liquidação
  • Prenda – Presente
  • Ascensor – Elevador
  • Sande – Sanduíche
  • Sítio – Local
  • Pro embrulho – para levar (comida)
  • Saco – Sacola, bolsa
  • Ecrã – Vídeo, tela de TV

Estes foram apenas alguns dos vocábulos que coletei. Existem muitos outros e eles mostram, de forma clara, que embora falemos – brasileiros e portugueses – o português, o fazemos de forma bem diferente. Existem muitas outras e elas tem significado totalmente diferentes do Brasil. É o caso de bicha, que no bom português de Portugal significa fila.

O que a diferença nos indica é que, mesmo em locais onde se fala a mesma língua é bom tomarmos cuidado e prestar bastante atenção, pois podemos usar um termo, uma palavra que tenha significado diferente e, com isso, criar um problema, pagar um mico ou coisa assim. De qualquer forma, é muito mais fácil estar em um local onde falam o seu idioma.

NOMES MAIS QUE APROPRIADOS

O que você acha do seu nome? Gosta dele? Se pudesse o mudaria e arranjaria um nome que considera mais adequado? As perguntas tem sentido quando sabemos que no Brasil a escolha de nomes não depende apenas de quem a faz, mas sobretudo de quem a registra, também. E na junção dos dois, surgem as coisas mais estranhas possíveis como, por exemplo, Valdisnei. Ou seria Walt Disney? O fato é que temos uma longa lista de nomes que, no mínimo, podem ser chamados de curiosos.

Esta temática de nomes já foi abordada aqui, antes, sempre partindo do lado curioso da questão – Oceano Margarida, ao seu disporVatotin, ao seu disporCada nome de se admirarAlguns nomes bem estranhos e Nomes da nova era. A escolha de nomes estranhos, no entanto, não é uma exclusividade do Brasil, ocorrendo também em outros lugares. Se tiver alguma dúvida, entre no Google e digite “nomes estranhos” para checar a quantidade de locais que fala no assunto e descobrir os mais incríveis nomes, de pessoas e de lugares. São mais de 170 mil páginas falando do assunto, quando a pesquisa é feita em português e entre elas está o que já foi publicado aqui no blog.

Mas chega de enrolação e vamos direto ao assunto, que novamente são nomes. Não, desta vez, eles não são tão estranhos. Mas podemos dizer que cada um é apropriado, aliando-se a uma profissão, dando-lhe o significado que tem. A relação é bem interessante e não fui eu que a descobri, já que a recebi – aliás, como vários outros assuntos publicados no blog – de um amigo que gosta de colecionar este tipo de coisa via email. Bem, confira a relação abaixo e, depois, voltamos a falar do assunto:

  • Ana Lisa – Psicanalista
  • P. Lúcia  -Fabricante de Bichinhos
  • Pinto Souto – Fabricante de Cuecas
  • Marcos Dias  – Fabricante de Calendário
  • Olavo Pires – Balconista de Lanchonete
  • Décio Machado – Lenhador
  • H. Lopes – Professor de Hipismo
  • Oscar Romeu – Dono de Concessionária
  • Hélvio Lino – Professor de Música
  • K. Godói – Médico especialista em hemorróidas
  • Alberta Alceu Pinto – Garota de Programa
  • H.. Romeu Pinto – Garoto de Programa
  • Eudes Penteado – Cabeleireiro
  • Sara Vaz – Mãe de Santo
  • Passos Dias Aguiar – Instrutor de Autoescola
  • Édson Fortes – Baterista
  • Sara Dores da Costa – Reumatologista
  • Jamil Jonas Costa – Urologista
  • Iná Lemos – Pneumologista
  • Ester Elisa – Enfermeira
  • Ema Thomas – Traumatologista
  • Malta Aquino Pinto – Médico especialista em doenças venéreas
  • Inácio Filho – Obstetra
  • Oscar A. Melo – Confeiteiro

Ah, é uma brincadeira! Claro que é. O que você pensou? Que fosse coisa séria? Os nomes podem até existir, mas aqui eles foram arranjados para soarem de tal maneira que ofereça a proximidade com uma profissão ou atividade. Na vida real pode ser que ocorram, mas confesso que não conheço ninguém que se aproxime, nem de perto, de um destes significados. Não são, no final, nomes estranhos como os já referidos, mas trata-se de um exercício interessante. Ou você não achou?

E então, o que você conhece de nomes estranhos ou de combinações que soem como atividades ou profissões? Se tiver algum, alinhe-o aqui, deixando um comentário e participando das conversas. Vamos ampliar a lista. Dependendo dela, quem sabe amanhã este assunto não volta ao foco aqui no blog. E que todos tenhamos um ótimo final de semana!

UM NOVO MEIO DE LEITURA

Sou daqueles que gostam de ter sempre um livro ao lado. Só que se isso é possível em casa, no dia a dia é quase que impossível tê-los à mão, aproveitando uma espera ou o intervalo entre um e outro compromisso para dar uma “lidinha”, avançando no que se está lendo. E como a vida é feita de espera, a gente acaba perdendo ótimas oportunidades de colocar a leitura em dia, avançar no assunto que nos chama a atenção ou, mesmo, “matar” o tempo, ocupando-o em percorrer mais alguns páginas. E isso, se possível, nos livraria das revistas velhas e fora de época que parecem ser a tônica das recepções.

Bom, as coisas eram assim, mas estão mudando. E o responsável pela mudança é o telefone. Não o fixo, mas o celular. Hoje, ele em tantas coisas que, como muito bem lembra um amigo, você pode até usaá-lo para falar. Pois o celular, pelo menos os mais modernos, está nos proporcionando um novo meio de leitura. Tome-se, por exemplo, o caso do iPhone. Quem frequenta a App Store, a loja virtual voltada para o aparelho e com milhares de pequenos programas, acha aplicativos gratuitos que permitem baixar um ebook – livro eletrônico – e lê-lo na tela. Eu estou usando o Stanza, um desses programas gratuitos, que além de permitir a leitura, facilita a procura do livro desejado.

Com este novo tipo de leitura – que está se tornando um hábito – acabei por descobrir que, mesmo que o ebook que você quer não esteja preparado para o seu telefone existem outros programas que o convertem, permitindo que sejam lidos neste novo meio. É o caso Calibre, que também é grátis. Ele pega os livros em PDF ou em formato texto e o transforma, no caso do iPhone, no formato EPUB, permitindo que seja copiado do computador para o telefone. E lido. Existem outros e o Google está aí­ mesmo para ajudar a encontrá-los. E o melhor é que, normalmente, são de código livre, o que significa que poderá usá-los sem gastar um centavo. Afinal, já basta o preço do telefone, não é?

Ah, mas como fazer para encontrar os livros? Um dos primeiros lugares a se recorrer é o Projeto Gutemberg, que tem milhares e milhares de obras, inclusive uma boa seleção em português. Ele tem duas versões, uma em inglês e outra em português, o que facilita para quem não domina o idioma do Tio Sam. O Gutemberg, por trabalhar estritamente dentro da lei, só tem livros não mais submetidos aos direitos autorais ou, então, que tenham sido publicados com direitos abertos, como o Creative Commons. Mas nele, por exemplo, pode-se encontrar praticamente todos os clássicos, inclusive os brasileiros – neste caso em português.

Um outro repositório bem interessante é o Manybooks. A desvantagem é que, neste caso, o idioma é o inglês. Uma busca no Google sobre ebooks indicará uma série de site, inclusive aqueles em que é possível comprar os últimos lançamentos, pelo menos dos que são feitos nos Estados Unidos e em língua inglesa. É o caso do Fictionwise. Nela, O Símbolo Perdido (The Lost Symbol), o próximo livro de Dan Brown, que será lançado no dia 15 de setembro, já está sendo vendido a 9,99 dólares. Seguramente um preço menor do que o livro em papel, cuja edição inicial é encadernada e, por isso, bem mais caro. Você pode aproveitar – e eu já fiz isso – de livros cedidos pelas grandes editoras. Uma delas, a Harlequin, quem um bom número de livros grátis na sua versão em inglês.

Outra forma de ler bons livros de graça é procurando autores que os tenham liberado. E existem vários na rede. Um deles é especializado em livros de ficção científica, o Scifimatter. Nele, estão relacionados vários autores. Se você gosta do assunto e sabe inglês, experimente Eternity’s End, de Jeffrey Carver, que é um belo livro. Bem, aí­ estão algumas dicas, coletadas a partir do meu interesse em encontrar leitura para carregar no iPhone. No caso dos ebooks outros telefones, sobretudo os mais avançados, também oferecem a facilidade de se ler neles. E isso tem sido facilitado pelas telas maiores. Se quiserem tomar como base minha experiência, posso garantir que experimentei e gostei.

SERÁ PRECISO TRADUZIR

Se olharmos no mapa e fizermos uma pequena pesquisa vamos constatar que o português é uma das línguas mais faladas no mundo. Aqui, no Brasil, estamos chegando perto dos 200 milhões de falantes. Acrescente-se a isso Portugal, onde o velho idioma de Camões nasceu, e temos um pouco mais. Olhando para a Áfirca temos Angola, Moçambique e Cabo Verde. E indo um pouco mais longe, chegamos à Ásia e ao Timor Leste. Confira e veja que, em todos eles, a língua oficial é o português.

Mas será¡ que o fato de ser oficial a faz idêntica em todos os países? Seguramente, não. E podemos tomar como base toda a discussão sobre o acordo ortográfico envolvendo a comunidade lusa, cujo objetivo era tornar comum a grafia de algumas palavras. A maior resistência ao acordo veio exatamente de Portugal, berço do idioma. Mas será¡ que quem faz a defesa da permanência tem razão? Veja a série de palavras a seguir e julgue você mesmo: durex, fita-cola, bica, bicha, paneleira, fufa, cacete e canalhas.

Você sabe o que quer dizer? Tem certeza? Garanto que não sabe. São palavras usadas em Portugal que nada tem a ver com o significado que damos a elas no Brasil. Vamos dar uma conferida, vendo as palavras no português do Brasil e sua equivalente em Portugal:

Brasil Portugal
Camisinha   Durex
Durex   Fita cola
Cafezinho   Bica
Fila   Bicha
Homossexual   Paneleiro
Sapatão   Fufa
Pão francês   Cacete
Crianças   Canalhas
Adolescente   Puto
Calcinha   Cueca
Menstruada   Estar com histórias
Absorvente feminino   Penso higiênico
Dentista   Estomatologista
Professor particular   Explicador
Comissária de bordo   Hospedeira
Garis   Almeidas
Salva vidas   Banheiros
Cego   Invisual
Chiclete   Pastilha elástica
Injeção   Pica
Embebedar-se   Enfrascar-se
Impostos   Propinas
Tesão   Ponta
Alô   Está lá
Mulherengo   Marialva
Peruca   Capachinho

Então, não garanti que você estava errado. O fato é que, se todos falamos português, existem muitas palavras e termos que não se assemelham e outros que, mesmo sendo iguais, significam coisas diferentes, como na lista acima. E é por causa disso o título do post, confirmando que embora vivamos sob o mesmo idioma para nos entendermos às vezes é preciso de tradução do português para o português.

E olha que estas são apenas algumas palavras que, na verdade, não fui eu que levantei, mas recebi via email de um amigo e resolvi aproveitar o assunto e trazê-las aqui, no blog. Se procurarmos, na certa iremos encontrar muitas mais, no Brasil e nos outros países que falam o idioma de José Saramago e Machado de Assis.