A internet tem coisas boas mas acho-las demanda algum tempo

INTERNET, COISAS BOAS E DIAS DE QUARENTENA

A internet tem coisas boas e, nesses dias de quarentena, ela tem me ajudado a passar o tempo do isolamento social. O problema que temos é achar o que é bom, já que, no mais das vezes, o que encontramos é puro lixo. O coronavírus e a Covid 19 nos obrigaram a ficar em casa – pelo menos para aqueles que tem consciência – e ficamos com muito tempo vago, que precisamos preencher.

Tenho recorrido à internet, seja para vídeos, música ou leitura. No primeiro caso, tenho usado bastante o YouTube e descoberto – o que não sabia existir antes – ótimos shows, indo do Cirque du Soleil às apresentações de André Rieu, de Maria Bethânia, Yamandu Costa e vários outros. Redescobri o Riverdance, que mistura dança folclórica da Irlanda com música também tradicional do país.

STREAMING

No caso específico da música uso muito o streaming usando o Spotify e o Música, da Apple. Em alguns dias passo um bom tempo descobrindo novas músicas, ouvindo gêneros diferentes, explorando o que há além das paradas, repletas do moderno sertanejo, um gênero que não me atrai. Nos dois casos, tenho descoberto ótimos intérpretes e músicos em várias partes do mundo.

Ainda no streaming, tenho recorrido, também, ao Netflix e ao Prime Video para séries, filmes e documentários. Uma das boas séries que estou vendo é Home, produzida pela Apple e que retrata a construção de casas em várias partes do mundo, que vão das esquisitas às supermodernas. É uma série que recomendo.

LEITURAS

Em relação a leitura, voltei a alguns livros antigos, que havia lido há algum tempo, como já informei antes. Mas tenho, também, lido coisas novas e, boa parte dessa leitura decorre do que encontro na Internet. O principal repositório é o Feedly, um agregador onde tenho várias fontes de informação listadas. Diariamente, vejo o que está publicado e posso selecionar o que me interessa. Um dos integrantes deste feed é o BBC Future, em inglês, com ótimos assuntos.

Como estamos em tempo de mudança, uma das leituras é sobre o que pode acontecer no futuro a partir do uso da tecnologia. E um dos locais que tenho usado é o SingularityHub, que se foca em tecnologia e o seu uso e desenvolvimento. O único inconveniente é que o site é em inglês, mas tem assuntos muito estimulantes e que nos ajuda a pensar e imaginar como pode ser o amanhã. E, dentro dessa mesma ótica, também leio o One Zero.

COISAS BOAS

E, por fim, não que não é o final, descobri que existem outras coisas boas e elas já estão dentro de casa. Tornei-me mais participante nas tarefas diárias, ajudando naquilo que posso participar e me dispondo a aprender o que, antes, não sabia. Nessa item, entram as tarefas domésticas, mas não cheguei, ainda, a cozinhar. Este será um dos próximos passos.

O que tenho feito – e nisso venho evoluindo – e fazer o pão que comemos no dia a dia. Era um projeto antigo que vinha adiando, adiando e adiando. A pandemia e a Covid 19 trouxeram uma nova oportunidade e tomei a decisão de tentar. A tentativa foi um sucesso, o que me estimulou. Agora, semanalmente, cuido do pão que iremos ter durante a semana. E fazê-lo não só me ocupa o tempo, mas me dá muito prazer.

Como não sei – e ninguém sabe – quando deixaremos o isolamento social, ainda tenho muita coisa para ver, ler, fazer e aprender. Estou abraçando a mudança que ela nos trouxe e, ao seu final, serei um pouco diferente do que fui. E terei aprendido um pouco mais.

Dias de quarentena - leituras e releituras

LEITURA E RELEITURA EM DIAS DE QUARENTENA

Descobri a leitura bem cedo, ainda criança, e tomei gosto por ela. Mais tarde, bem mais tarde, cheguei às releituras, revendo livros que anos antes tinha lido, gostado e quis reler. Este hábito está ocupando meu tempo nos dias de quarentena e, isolado, tem me proporcionado um aumento da leitura.

Já fui um leitor compulsivo, o que não sou mais. Ainda assim, tenho um bom ritmo de leitura e ele foi incrementado nesses dias. Neste último mês li mais do que vinha fazendo e comecei com um pequeno e ótimo livro, Ideias para adiar o fim do mundo, de Ailton Krenak, um presente da minha filha.

TRANSFORMADORA

É uma leitura rápida, pois o livro é pequeno. Mas é muito densa e transformadora, colocando-nos do outro lado das coisas e olhando, primeiro, o mundo em que vivemos – e que vimos transformando para pior – como algo essencial, que nos dá a vida e nos permite vivê-la. É uma visão e abordagem inovadoras, que nos dá uma nova perspectiva do que somos, do que fizemos e do que podemos fazer em nosso favor e do planeta.

Estou lendo o Oráculo da Noite, de Sidarta Ribeiro, um livro denso sobre sonhos e a importância deles em nossas vidas. Ele nos oferece uma viagem pelo assunto, começando nos primórdios e desenvolvendo-o ao longo do tempo até transformá-lo em objeto de estudos. Também nos mostra a importância de sonhar e o que os sonhos nos dizem e em que nos ajudam.

O fato é que nunca estou lendo apenas um livro. E agora, nos dias de quarentena, não é diferente. Como o Oráculo da Noite é uma leitura mais densa, estou levando-a junto com outras obras. Uma delas foi O Pistoleiro, de Sthepen King. É um dos primeiros livros do autor, transformado, depois, em um dos maiores vendedores de livros do mundo. Já o terminei e gostei. Mas não sei se lerei suas sequências.

ESPIONAGEM

Do mundo fantástico de Stephen King, mudei para o submundo da espionagem e, neste caso, está Um legado de espiões, de John Le Carré. O autor retoma personagens que o consagraram, relembrando os tempos da Guerra Fria e mostrando a ação do serviço secreto inglês na visão de um de seus participantes – o personagem – mais ativo. É uma ótima leitura, no meu entendimento.

Como o livro refere-se a uma operação que foi objeto de outro livro, voltei ao O espião que saiu do frio, também de Le Carré, que é um mestre neste tipo de romance. Eles são bem escritos, detalhados, com tramas verossímeis e mostra um pouco do mundo que o próprio autor viveu, com destaque para o seu lado mais negro da disputa entre o Ocidente e a União Soviética nos auges tempos da Guerra Fria.

Nessa jornada, acabo de voltar a um dos gêneros que mais gosto, que é a ficção científica e estou relendo Fundação, de Isaac Asimov, considerado uma das obras primas do gênero. Recomecei o primeiro volume e, dependendo da disposição ao final dele, avaliarei a leitura das outras obras da trilogia. Pessoalmente, recomendo. Os livros são ótimos.

O que sobra, no final, são alguns livros que estavam na minha lista de leitura e que ainda não os tinha lido. Vou lê-los, agora, nestes dias de quarentena, ou mais para a frente. Se o isolamento continuar por mais algum tempo, vai me ajudar na leitura e, através dela, em enfrentar os dias que estou em casa.

E você, o que está lendo.

Dis de quarentena e a apresentação do bale Bolshoi e do quebranozes

QUARENTENA, TEMPO E ARRANJANDO OCUPAÇÃO

Acabo de completar um mês de quarentena e tenho usado vários meios parra arranjar ocupação e preencher o tempo. O que pode parecer igual, não é. Cada dia é diferente, não só pelas coisas que fazemos, mas como nos sentimos, já que todos, de uma ou de outra forma, estamos cercados pelo coronavírus e a doença dele derivada, a Covid19.

Mas como me ocupo? Não há uma rotina, mas uma das coisas que tenho feito com muito mais intensidade é participar nas atividades de casa, já que estamos eu e minha esposa sozinhos. Temos uma ajudante, que está afastada, mas que continua recebendo o seu pagamento normalmente, uma questão que achamos justa. É uma hora que não só devo, mas preciso participar, assumindo parte das atividades que a casa necessita realizar.

AO VIVO

Só que esta rotina de casa não ocupa todo o tempo, o que torna necessário achar novas atividades. Uma deles tem sido algumas apresentações ao vivo, com destaque, aqui, para duas delas: o balé Bolshoi, na apresentação do Quebra Nozes – excelente – e espetáculos do Cirque du Soleil, sem dúvidas das coisas mais interessantes que, no meu entender, estão disponíveis para todos através do YouTube.

Temos, eu e minha esposa, dedicado algum tempo a estes espetáculos e a ele acrescentamos a do cantor Andrea Bocelli, também ao vivo. No meu caso, específico, vejo algumas séries e, junto com a esposa, recorremos aos filmes, alguns antigos, outros novos, no final do dia, quando já não há mais trabalho formal.

Como já disse antes, a música também ocupa um espaço importante no meu dia a dia e continuou ouvindo-a, redescobrindo autores, cantores, gêneros e muitas vezes fazendo um passeio ao passado, rememorando artistas que há muito deixaram de estar na primeira linha dos aplicativos de streaming – Noel Rosa, Herivelto Martins, Cartola, Dalva de Oliveira, etc. E, de quebra, registro aqui algumas das coisas que tenho feito nesta quarentena.

JORNAIS E LIVROS

Também leio os jornais on line e procuro na Internet coisas que podem me interessar, assuntos que fujam da Covid19 e do coronavírus, que cobre quase o total do que a mídia publica – e faz muito bem em fazê-lo, informando corretamente sobre a pandemia. Tenho lido sobre economia, política, entretenimento e vários outros assuntos, sempre buscando alguma coisa nova.

E, por fim, sobram as leituras tradicionais, de livros. Terminei de ler alguns que tinha começado e parado e estou relendo outros, que tenho e que li há bastante tempo. Um deles, um romance de John Le Carré, me remeteu a uma antiga obra sua. Voltei a ela, diverti-me novamente e já escolhi novas obras, antigas e novas, colocando-as no meu objetivo de leitura.

Entrando no segundo mês de quarentena e não tendo perspectiva de quando ela vai acabar, tenho ainda muito que fazer, que me ocupar antes que o coronavírus e a Covid19 nos permita novamente a volta do que chamávamos de vida normal, mas que será certamente muito diferente de antes.

Novo livro de Neil Gaiman mistura a realidade com o fantástico

O FANTÁSTICO QUE REFLETE A REALIDADE

Um lago que se transforma em oceano e que, por sinal, está no fim do caminho. Uma família que tem capacidades sobrenaturais. Um menino sonhador que vê alguns dos seus sonhos transformarem-se em realidade. A dura vida em uma região da Inglaterra e as dificuldades da família para sobreviver. Junte tudo isso e você tem O oceano no fim do caminho, a última obra de Neil Gaiman publicada no Brasil. Escrito na primeira pessoa, o livro vai nos conduzindo, aos poucos, para o mundo fantástico criado por Gailman, que deixou de lado os quadrinhos – Sandman – para escrever belas histórias para criança e para adultos.

O que o personagem principal constrói o caminho que o leva da infância, a partir dos 7 anos, à fase adulta, quando retorna ao local onde as coisas relatadas no livro aconteceram. No início, parece o relato de uma criança tímida, que se apega mais aos livros e aos quadrinhos e que tem poucas amizades, aproximando-se de Lettie, uma menina das vizinhanças. E é essa aproximação que o coloca não ao lado, mas dentro de um  mundo fantástico, onde três mulheres comandam forças que são capazes de construir ou destruir o mundo.

Escrito em flashback, o personagem vive, na volta à infância, como se fosse um sonho. Ao visitar a casa da família Hamstock, antes de ir participar de um funeral, ele não se lembra que esteve nela, a não ser quando era criança. Aos poucos, e a partir de se sentar na sala e conversar com uma das mulheres da família – sem homens – ele vai se lembrando do desenrolar da estória, do que aconteceu e como aconteceu, levando-o, com a ajuda de Lettie a superar inclusive a morte. Pequeno, com 200 páginas apenas, de fácil leitura, O oceano no fim do caminho, é uma ótima leitura. Ela prende e vai nos surpreendendo à medida que a estória avança, misturando a realidade real – se a podemos chamar assim – com o outro lado da vida do personagem, que é fantástico por envolver forças e fenômenos que não controlamos.

Como em obras anteriores, Gaiman mistura a realidade, o dia a dia da vida das pessoas, com um outro lado, fantástico, habitado por deuses e outros seres fantásticos, alguns travestidos de pessoa que, à primeira vista, em nada diferem de outras comuns, mas que não o são. É este o caso de O oceano no fim do caminho. Sua leitura é pura diversão e eu recomendo.

Pesquisa mostra aumento da leitura de livros no Brasil

NÚMERO BOM E MUITO ANIMADOR

A minha paixão pela leitura começou muito cedo, lendo as revistas que minha mãe comprava e, depois, algumas publicações que eram destinadas às crianças, como o Almanaque do Tico Tico, de que ainda hoje tenho um exemplar. A partir daí, chegar aos livros foi um caminho natural. Ainda adolescente li alguns clássicos da literatura brasileira e outros grandes sucessos internacionais, como Êxodus, de Leon Uris, que fui reler e entender quando me tornei adulto. O mundo relatado por Uris, na primeira leitura, era pura fantasia para o garoto do interior, interessado em descobrir o que o mundo tinha, de verdade.

Desde então, nunca abandonei os livros e eles sempre estiveram do meu lado. Talvez por isso sempre achava desanimador o panorama de leitura no Brasil. Um país continental como o nosso, em determinada época, tinha menos livrarias que Buenos Aires, na Argentina. Hoje, pelo menos a se acreditar em pesquisa feita pelo IBOPE e recentemente divulgada, o panorama é bem outro. Segundo o Instituto, um em cada três brasileiros leu pelo menos um livro nos últimos 30 dias. Este, no entanto, não é o melhor da informação, pois a pesquisa constatou que 53% leem com frequência. O número, no meu entender, é muito bom e, ao mesmo tempo, muito animador.

Sempre que se fala em livros no Brasil, o que se diz é que, primeiro, é um produto caro e, depois, que o brasileiro lê pouco. Forma-se um circulo vicioso: lê-se pouco porque o livro é caro e ele é caro pelo baixo volume de leitura. Os números do IBOPE estão desmentindo esta velha percepção, mostrando – acredito que sejam corretos – que o Brasil mudou e, com ele, os brasileiros, com a leitura fazendo parte da rotina de muita gente. Quando se trata de leitura, a educação faz milagre e, embora ainda estejamos bem longo do necessário, o nível educacional no Brasil melhorou a partir do Governo Fernando Henrique Cardoso, não há¡ nenhuma dúvida em relação a isso.

Se o país não tem – como não tinha – um grande volume de livrarias, o que vemos em shoppings são que elas estão sempre cheias e uma das coisas animadoras que vejo são jovens procurando livros, comentando outros, dizendo que um é bom e o recomendando a outro colega. Tenho visto isto com frequência, já¡ que sou, também, um frequentador assíduo de livrarias. O que se pode questionar, no caso da leitura, é a qualidade dela. Se olharmos, o que é mais vendido – e, por conseguinte, pressupõe-se que mais lido – são os best-sellers, livros que muitas vezes estão associados a filmes, a sequências que fizeram sucesso, como Harry Poter.

Podemos, efetivamente, ter um problema de qualidade. Mas é animador, como já¡ afirmei, ver que o índice de leitura está¡ aumentando. Tomado o gosto – como aconteceu comigo – é muito difícil largar o hábito e, acho, o caminho natural é que se passe dos best-sellers para livros mais consistentes. Mais do que uma certeza, é uma esperança.

DECIFRANDO OS PRÓPRIOS GENES

A cada dia a ciência dá mais um passo na direção de decifrar todo o genoma humano, o que feito irá permitir que indivíduos sejam tratados como únicos, com tratamentos e ações que foram feitas especialmente para cada um, diferenciando-o dos demais. A genética, a ciência e o que as duas tem feito tem sido assunto constante neste blog – A um passo da blindagem, Próximo de um mundo novo?, Preparando a eternidade e As ferramentas já existem, dentre outros – tanto pelo seu lado bom quanto pelos possíveis problemas que estes avanços podem nos trazer.

A ciência, já disse aqui, é neutra. O uso é que vai determinar como a veremos. As pesquisas, em princípio, são feitas, todas elas, no sentido de beneficiar os humanos, oferecer-lhes melhores condições de vida, torná-los mais saudáveis. É neste sentido que caminha uma pesquisa da IBM, sim, do grande fabricante de computadores. O que seus pesquisadores estão desenvolvendo, segundo a Wired, é um chip que combina genética com biologia e silício, de modo a “ler” o DNA e identificar seus problemas e isso feito da forma mais simples e rápida possível.

Ainda em desenvolvimento o “chip genético” – vamos chamá-lo assim – além de fazer uma leitura do DNA de forma rápida, permite que isso seja feito com baixo custo, levando-se em consideração os custos atuais de um sequenciamento. De acordo com os pesquisadores, cada sequenciamento ficaria na faixa de 1 mil dólares – algo em torno de R$ 1,8 mil no câmbio oficial – o que é muito, mas muito mais barato, do que os procedimentos adotados atualmente. Para se ter uma ideia o projeto do Genoma Humano, cujo objetivo é mapear todos os nossos genes, já gastou mais de 3 bilhões de dólares e ainda não concluiu o serviço.

O que os pesquisadores da IBM estão fazendo – artigo da Wired em inglês – pode nos trazer uma ferramenta que permitirá identifica o DNA de cada um de nós. Isso significa, em outras palavras, que o “chip genético” vai nos ler, mostrando como somos geneticamente falando, o que permitirá aos cientistas sabem que problemas temos e, com isso, por exemplo, desenvolver tratamentos que afetem somente o que temos, através das terapias genéticas. Estas, com o funcionamento do chip, irão evoluir e muito, transformando os tratamentos em pessoais, voltados para um caso específico, não fazendo-o de maneira genérica, como acontece hoje.

A “tradução” do DNA, como a Wired está chamando a nova iniciativa, pode ser vista como um passo adiante no combate às doenças e no caminho de uma saúde mais completa dos humanos. Mas tem, não tenho dúvida, um outro lado – e aqui entra a questão da neutralidade da ciência – que é de permitir medidas eugênicas, do porte das apresentadas, por exemplo, em Gattaca, um filme que trata da separação genética entre os que são perfeitos e os que tem defeitos.

Um exemplo prático é de se ter filhos. Como tê-los se passamos nossa genética e ela for defeituosa? Esta é uma das abordagens do filme que pode, muito bem, se transformar em coisa real. Sem dúvida, a leitura do DNA, identificando-o de forma mais rápida e mais barata permitirá que as doenças sejam melhor conhecidas e tratadas, mas oferecerá, também, a possibilidade do controle genético. Pode-se até argumentar que seria uma forma de aperfeiçoar a humanidade. Mas será isso correto? Estaríamos criando vários níveis de cidadania, uma coisa que os nazistas, com os seus programas eugênicos, tentaram fazer. E as coisas, como sabemos, acabaram como acabaram, em guerra e em extermínio.

Deixando de lado as implicações éticas e morais, o “chip genético”, se efetivamente desenvolvido, será um grande passo dado pelo homem no sentido de conhecer. E falo de um conhecimento genético, que mapeie o que é o, a partir daí, o que pode acontecer, inclusive com a possibilidade de adoção de medidas que previnam ou curem possíveis doenças. E isso será uma boa coisa. (Via Wired)

UM NOVO MEIO DE LEITURA

Sou daqueles que gostam de ter sempre um livro ao lado. Só que se isso é possível em casa, no dia a dia é quase que impossível tê-los à mão, aproveitando uma espera ou o intervalo entre um e outro compromisso para dar uma “lidinha”, avançando no que se está lendo. E como a vida é feita de espera, a gente acaba perdendo ótimas oportunidades de colocar a leitura em dia, avançar no assunto que nos chama a atenção ou, mesmo, “matar” o tempo, ocupando-o em percorrer mais alguns páginas. E isso, se possível, nos livraria das revistas velhas e fora de época que parecem ser a tônica das recepções.

Bom, as coisas eram assim, mas estão mudando. E o responsável pela mudança é o telefone. Não o fixo, mas o celular. Hoje, ele em tantas coisas que, como muito bem lembra um amigo, você pode até usaá-lo para falar. Pois o celular, pelo menos os mais modernos, está nos proporcionando um novo meio de leitura. Tome-se, por exemplo, o caso do iPhone. Quem frequenta a App Store, a loja virtual voltada para o aparelho e com milhares de pequenos programas, acha aplicativos gratuitos que permitem baixar um ebook – livro eletrônico – e lê-lo na tela. Eu estou usando o Stanza, um desses programas gratuitos, que além de permitir a leitura, facilita a procura do livro desejado.

Com este novo tipo de leitura – que está se tornando um hábito – acabei por descobrir que, mesmo que o ebook que você quer não esteja preparado para o seu telefone existem outros programas que o convertem, permitindo que sejam lidos neste novo meio. É o caso Calibre, que também é grátis. Ele pega os livros em PDF ou em formato texto e o transforma, no caso do iPhone, no formato EPUB, permitindo que seja copiado do computador para o telefone. E lido. Existem outros e o Google está aí­ mesmo para ajudar a encontrá-los. E o melhor é que, normalmente, são de código livre, o que significa que poderá usá-los sem gastar um centavo. Afinal, já basta o preço do telefone, não é?

Ah, mas como fazer para encontrar os livros? Um dos primeiros lugares a se recorrer é o Projeto Gutemberg, que tem milhares e milhares de obras, inclusive uma boa seleção em português. Ele tem duas versões, uma em inglês e outra em português, o que facilita para quem não domina o idioma do Tio Sam. O Gutemberg, por trabalhar estritamente dentro da lei, só tem livros não mais submetidos aos direitos autorais ou, então, que tenham sido publicados com direitos abertos, como o Creative Commons. Mas nele, por exemplo, pode-se encontrar praticamente todos os clássicos, inclusive os brasileiros – neste caso em português.

Um outro repositório bem interessante é o Manybooks. A desvantagem é que, neste caso, o idioma é o inglês. Uma busca no Google sobre ebooks indicará uma série de site, inclusive aqueles em que é possível comprar os últimos lançamentos, pelo menos dos que são feitos nos Estados Unidos e em língua inglesa. É o caso do Fictionwise. Nela, O Símbolo Perdido (The Lost Symbol), o próximo livro de Dan Brown, que será lançado no dia 15 de setembro, já está sendo vendido a 9,99 dólares. Seguramente um preço menor do que o livro em papel, cuja edição inicial é encadernada e, por isso, bem mais caro. Você pode aproveitar – e eu já fiz isso – de livros cedidos pelas grandes editoras. Uma delas, a Harlequin, quem um bom número de livros grátis na sua versão em inglês.

Outra forma de ler bons livros de graça é procurando autores que os tenham liberado. E existem vários na rede. Um deles é especializado em livros de ficção científica, o Scifimatter. Nele, estão relacionados vários autores. Se você gosta do assunto e sabe inglês, experimente Eternity’s End, de Jeffrey Carver, que é um belo livro. Bem, aí­ estão algumas dicas, coletadas a partir do meu interesse em encontrar leitura para carregar no iPhone. No caso dos ebooks outros telefones, sobretudo os mais avançados, também oferecem a facilidade de se ler neles. E isso tem sido facilitado pelas telas maiores. Se quiserem tomar como base minha experiência, posso garantir que experimentei e gostei.

LIVROS, LIVROS E LIVROS GRÁTIS

Sou um f㣠dos livros e acho que já disse isso aqui, antes. De certa forma, sou também um bom leitor, que lê uma boa quantidade de livros a cada ano, passando por vários tipos deles, indo de ficção científica – uma das minhas preferências – filosofia e política. Acho que nada substitui o livro, mas estou caminhando para achar que, além do papel, existem outras formas de leitura.

Um dos casos é a leitura no telefone móvel, no meu caso o iPhone. Descobri que na Internet existem milhares de livros que podem ser baixados e lidos em qualquer lugar que você estiver, sem necessidade de carregar um livro. Se você lê inglês, a quantidade de livros é imensa, incluindo os chamados grandes clássicos da literatura universal. Se lê só em português, também existe uma boa quantidade de livros, incluindo os clássicos de nossa literatura. E neste caso estamos falando de livros legais, que podem ser baixados pois não mais têm direitos autorais.

Não descobri a modalidade no Brasil, mas em inglês existem autores e editoras que disponibilizam de forma gratuita alguns dos livros que publicam em forma de ebook. Mais uma vez, trata-se de ler o que é legal, mas se isto não é importante para você, existe sempre a outra forma. Como encontrá-la? Da mesma forma que se encontra os livros legais – no sentido de se respeitar a lei – isto é, indo ao Google e simplesmente digitando “ebook grátis”.

Voltemos aos livros legais. Se você estiver interessado, o primeiro ponto a parar é o Projeto Gutemberg. Ele está em inglês, mas tem também uma série de livros em português, do Brasil e de Portugal. Tem também livros em espanhol e em vários outros idiomas, mas a maior biblioteca é em inglês. No caso do Brasil, o primeiro lugar para se ir é o Domínio Público, um sítio mantido pelo Governo Federal que além dos livros oferece uma série de outros textos, sobretudo dissertações de mestrado e teses de doutorado de todo o país.

Nos dois sítios estão milhares de livros. Através deles, absolutamente de graça, pode-se ler obras de Shakespeare, por exemplo. Como também podem ser lidas obras de José de Alencar, Monteiro Lobato, Machado de Assis e outros autores brasileiros. Estão disponíveis ainda livros de autores portugueses, incluindo obras históricas do início de Portugal. O repositório, repito, é imenso. E fica ainda maior quando se fala de livros em inglês. Nesta língua estão disponíveis praticamente todos os clássicos da literatura mundial.

Acho o telefone móvel prático para se ler um livro, sobretudo por que os novos aparelhos têm tela maior e programas específicos para este tipo de leitura. No caso do iPhone, são vários deles e todos permitem acesso às bibliotecas digitais. Para os outros telefones também existem leitores específicos. Os livros podem ser lidos ainda no seu computador, seja ele o de casa ou o notebook. Se a tela lhe for desconfortável, pode ser impresso, voltando ao velho e bom papel.

Então, se você gosta de ler e não sabia destes sítios, agora já sabe. Dê uma olhada neles e na certa irá descobrir coisas do seu interesse. Eu descobri e continuou descobrindo, não só os livros, mas também uma nova maneira de ler. E confesso que tenho gostado da nova forma de leitura. Ah, é tem outra coisa: Os livros são vendidos no novo formato nos sítios que trabalham com livros – recorra, novamente, ao Google – ou nos das próprias editoras e custam bem mais barato do que no formato impresso.

UMA AMEAÇA MUITO PRESENTE

Não sei se você leu ou viu, mas fiquei espantado com os novos números sobre segurança de computadores, publicados pela mídia a partir de um relatório da Symantec, empresa especializada em segurança da internet. Em seu Relatório sobre Ameaças de Segurança na Internet a empresa mostra que as ameaças à nossa segurança virtual só fazem aumentar e que, no caso da América Latina, o Brasil é, disparado, o primeiro gerador do que ela chama de códigos maliciosos.

Em números globais, e os dados são de 2008, foram detectados mais de 1,6 milhão de novos códigos maliciosos. Sim, são o que nós chamamos comumente de vírus e que estão, a cada dia, mais difíceis de barrar. Para se ter uma ideia do que representa este volume de novas pragas, ele sozinho representa 60% de tudo o que havia sido identificado pela empresa nos anos anteriores. Então, pense: em um ano, só nele, foram criados 60% de todos os vírus conhecidos e detectados na internet. Impressionante, não? Mas também assustador para todos nós que estamos na rede e que podemos ser atingidos por estes “pequenos seres”.

Uma outra informação importante – e que contribui para assustar um pouco mais  – é que do total de ameaças identificadas, mais de 90% tinham uma única finalidade: roubar dados do seu – e do meu – computador, usando-os depois. Desse total, 76% destinavam-se à obtenção de dados financeiros, sobretudo de contas bancárias, inclusive com a “leitura” do teclado para identificar senhas utilizadas. O relatório, na verdade, serve sobretudo como um alerta, nos dizendo que devemos ficar mais e mais cuidadosos, escolhendo os programas certos de detecção de “códigos maliciosos” e procurando adotar medidas preventivas de segurança, impedindo a infecção.

O maior cuidado deve ser tomado por quem trabalha em ambiente Windows. É para ele que se concentra a maior parte – na verdade, quase a totalidade – dos vírus e outras pragas que assolam nossos computadores. Os outros sistemas operacionais, sobretudo Mac OS e Linux, tem muito menos ameaças, mas elas, mesmo assim, existem. Os cuidados devem envolver, ainda, o spam. Ainda segundo a Symantec, 80% de todos os emails enviados no mundo são spams. Deles, o campeão absoluto continua sendo os Estados Unidos, embora nos últimos anos tenha diminuído o número deste tipo de email lã gerado. O Brasil é o responsável por cerca de 5% a 7% do total de spams gerados no mundo.

Olhar de perto os spams é importante, também, porque são eles, muitas vezes, que trazem embutido os vírus e os chamados códigos maliciosos. Seja oferecendo uma foto – de quem, aliás, você nunca viu – ou seja pedindo dados que alguns incautos dão, os spams acabam resultando para quem os produz. Existe até uma estatística mostrando que, entre os milhões de emails enviados, sempre há algum retorno. E são eles, também, que acabam contribuindo para uma economia clandestina, permitindo que bandidos de todas as partes do mundo se aproveitem do que não é seu.

A propósito desse assunto, a BBC mostrou, nesta semana, que os spammers estão conseguindo passar pelos vários tipos de controles estabelecidos, como a obrigatoriedade de se digitar uma palavra ou uma combinação de letras e números. A TV britânica mostrou anúncios de jornais buscando especialistas em furar este tipo de controle. O que querem, na verdade, é fazer com que o spam fique mais eficiente. No final, juntando as ameaças de um lado, os spams do outro e unindo-os, chegamos onde chegamos, de elevação do nível de ameaça que sofremos quando ligamos nossos computadores à Internet ou recebemos um email.

O que os números nos indica é que, em se tratando de segurança, vale o velho ditado: Todo cuidado é pouco.