QUEM FOI QUE DISSE MESMO?

Antes de mais nada, uma explicação: Este blog ficou abandonado às traças no último mês. Se há alguém que seja culpado por isso, sou eu mesmo, que entrei em um ritmo de trabalho meio enlouquecido, que não me deu tempo para nada. Como assumi compromissos e eles tinham de ser cumpridos, o blog ficou sem movimentação. Mas, como diz o ditado, passada a tempestade, vem a bonança. E estou voltando, para desespero de alguns e alegria de outros.

Esclarecido? Então, vamos ao que interessa. Tenho, ao longo da existência do blog, falado sobre erros cometidos em redações, sobretudo nos vestibulares e nos testes do Enem – Enem, bogagens e veracidade, “Problemas de muita gravidez”, Pensamentos quase profundos, etc. Só que os estudantes não são os únicos a cometerem erros. Profissionais também o fazem, incluindo aqueles profissionais da escrita, como os jornalistas. Nós erramos e o pior de tudo é que nossos erros aparecem no dia seguinte, quando não é mais possível consertá-los. Cria-se, então, um folclore em torno desses erros, dos quais os próprios jornalistas são os primeiros a rir.

Veja, abaixo, algumas “pérolas” do jornalismo que, no final, não ficam nada a dever às pérolas do vestibular e do Enem:

  • Depois de algum tempo, a água corrente foi instalada no cemitério, para satisfação dos habitantes
  • Esta nova terapia traz esperanças a todos aqueles que morrem de câncer a cada ano
  • Apesar da meteorologia estar em greve, o tempo esfriou ontem intensamente
  • Os sete artistas compõem um trio de talento
  • A polícia encontrou no esgoto um tronco que provém, seguramente, de um corpo cortado em pedaços. E tudo indica que este tronco faça parte das pernas encontradas na semana passada
  • A vítima foi estrangulada a golpes de facão
  • Um surdo-mudo foi morto por um mal-entendido
  • Os nossos leitores nos desculparão por este erro indesculpável
  • Há muitos redatores que, para quem veio do nada, são muito fiéis as suas origens
  • No corredor do hospital psiquiátrico, os doentes corriam como loucos
  • Ela contraiu a doença na época em que ainda estava viva
  • A conferência sobre a prisão-de-ventre foi seguida de um farto almoço
  • O acidente provocou uma forte comoção em toda a região, onde o veículo era bem conhecido
  • O aumento do desemprego foi de 0% em novembro
  • O cabrito-montês ficou morto na estrada durante alguns instantes
  • À chegada da polícia, o cadáver se encontrava rigorosamente imóvel
  • As circunstâncias da morte do chefe de iluminação permanecem rigorosamente obscuras
  • O presidente de honra é um jovem septuagenário de 81 anos
  • É uma bela obra, de onde parecia exalar toda a fria tristeza da estepe gelada. Foi executada com um calor magistral
  • Parece que ela foi morta pelo seu assassino
  • Ferido no joelho, ele perdeu a cabeça
  • Os antigos prisioneiros terão a alegria de se reencontrar para lembrar os anos de sofrimento
  • A polícia e a justiça são as duas mãos de um mesmo braço
  • O acidente fez um total de um morto e três desaparecidos. Teme-se que não haja vítimas
  • O acidente foi no tristemente célebre Retângulo das Bermudas
  • Este ano, as festas do 4 de setembro coincidem exatamente com a data de 4 de setembro, que é a data exata, pois o 4 de setembro é um domingo
  • O tribunal, após breve deliberação, foi condenado a um mês de prisão
  • Quatro hectares de trigo foram queimados. A princípio trata-se de um incêndio
  • O velho reformado, antes de apertar o pescoço da sua mulher até à morte, se suicidou

Não são uma beleza? E, acreditem, não é brincadeira. Todos eles foram publicados, alguns em jornais regionais, pequenos, mas outros em grandes jornais. Talvez para confirmar a máxima de que errar é humano e talvez para nos dizer que, se olhamos os erros dos outros, antes devemos pensar nos nossos próprios, reconhecer que os temos e levar isso em consideração antes da critica. Os erros foram coletados na internet, em vários sites – alguns sobre jornalismo, outros não.

O que vocês acharam?

Compartilhe:

Twitter
Facebook
LinkedIn
Pinterest

4 Respostas

Entre na conversa