DE TRÁS PRA FRENTE OU IGUAL?

Ovo, osso, radar. Leu as palavras? Se sim, volte nelas e as leia ao contrário. Sim, elas são iguais lidas de frente para trás ou ao reverso. E estas não são únicas, tanto na língua portuguesa, quanto em outras línguas. É o que os especialistas chamam de palíndromos, que não ocorrem apenas individualmente com palavras, mas, embora mais difícil, pode ocorrer também com frases.

É um dos lados curiosos da língua, talvez uma coincidência, mesmo. E como palavras e frases “que não são, nem uma, nem outra, tão comuns“ tem um sentido todo especial. Quer alguns exemplos? Então, veja:

  • Socorram-me, subi no ônibus em Marrocos.
  • Anotaram a data da maratona
  • Assim a aia ia a missa
  • A diva em Argel alegra-me a vida
  • A droga da gorda
  • A mala nada na lama
  • A torre da derrota
  • A namorada do Manuel, leu na moda da romana
  • Anil é cor azul
  • O céu é sueco
  • O galo ama o lago
  • O lobo ama o bolo
  • O romano acata amores a damas amadas e Roma ataca o namoro
  • Rir, o breve verbo rir
  • A cara rajada da jararaca
  • Saí­ram o tio e oito Marias
  • Zé de Lima rua Laura mil e dez

Curioso, não é? Fico imaginando quem é que fica fazendo experimento para chegar a uma frase desta, principalmente aquelas que não fazem tão sentido assim. Aliás, se observarmos bem vamos ver que é apenas um exercício já que, acredito, ninguém fala assim ou constrói frases desse jeito.

TAUTOLOGIA

No final, acaba ficando engraçado. Mas o fato é que o palíndromo existe, como também um outro tipo de acontecimento linguístico que os especialistas chamam de tautologia, um nome bonito para definir alguns vícios de linguagem, uma repetição da mesma ideia. Veja alguns:

  • Subir para cima, descer para baixo, elo de ligação, acabamento final, certeza absoluta, quantia exata, juntamente com, expressamente proibido, em duas metades iguais, sintomas indicativos, há anos atrás, vereador da cidade, outra alternativa, detalhes minuciosos, todos foram unânimes, conviver junto, fato real, encarar de frente, multidão de pessoas, amanhecer o dia, retornar de novo, empréstimo temporário, surpresa inesperada, escolha opcional, planejar antecipadamente, abertura inaugural, a última versão definitiva, comparecer em pessoa, exceder em muito.

Observe que em todos os casos uma palavra apenas confirma a outra, como em subir, que só pode, mesmo, ser para cima. Ou com há anos, que só pode ser no passado. Ou alternativa, que é sempre uma escolha sobre um determinado objeto ou causa. E estas expressões são muito comuns, como é o caso de elo de ligação. Se é elo, só pode ser de ligação, não é mesmo.

Neste caso, fica a observação: evite este tipo de expressão. Evite a tautologia e não reafirme o que já afirmou.

A propósito de palíndromos e tautologia, você conhece algum caso? Se sim, dê sua contribuição participando das conversas deste artigo.

Entre na conversa

  1. Como a nossa língua é rica, né, Lino?
    Como fiz facul de Letras, na época de estudante, ficava deslumbrada com as coisas que eu descobria sobre a língua portuguesa!
    E, referente à blogagem, quero participar!
    Bjo.

  2. nossa, adorei as frases, nunca tinha visto ;o), muito bacana, mesmo, essa variação

    beijos, querido

    MM.

  3. Lino, e a taut0logia é traiçoeira! “Repetição da mesma idéia”. Se é repetição, só pode ser da mesma.
    Isso é tautologia?
    E estou replicando essa postagem em meu blogue.
    Muito boa!

  4. Lino, muito legal sobre o palindromo – não sabia o nome – tambem, acredito que eu não vá me lembrar …sei tambem de uma superstição argentina não usam palindromo por exemplo: eles não falavam o sobrenome do presidente Menem!

    abs

  5. As palavras eu já conhecia,LINO. Mas as frases… Fiquei impressionado!!

    Qto à tautologia é bem mais comum,né? Infelizmente,rss

    abraços e um otimo final de semana!

  6. A lingua portuguesa é tão rica né Lino? Tento evitar esses vicios de linguagem ao máximo pq é de lascar vc ouvir alguém dizendo: Vou subir pra cima, entrar pra dentro, etc.
    Big Beijos

  7. Tenho atração por esse assunto. Tentativas de colaboração: “a semana toda temos: só melado tá na mesa” (Marcelo Coimbra),, “Oto come doce seco de mocotó” e o mais do que batido “Roma me tem amor”. Desculpe, na sua relação há uma que não forma palíndromo: anil é cor azul, observação já feita logo acima.

    E há uma designação na gramática que diga respeito a simplesmente escrever de trás para diante, sem formar palíndromo? Já li, Deus sabe lá quando e onde, que Leonardo da Vinci usou esse processo para escrever em código.

    Pelo tempo que já decorreu desde a última resposta, não tenho muitas esperanças de que isso que estou enviando repercutirá. Tentemos, embora.