VIDA E MISÉRIA NO MUNDO DE HOJE

Nesta semana a Organização Mundial do Trabalho (OIT) divulgou números sobre o trabalho no mundo e, a partir deles, nos traz um retrato que não é bonito, já que nos mostra a existência de milhões e milhões de pessoas que vivem no que a entidade chama de “extrema pobreza”. Para muitos de nós a realidade da pobreza ou da miserabilidade está longe e só nos é trazida pelo noticiário dos jornais, rádios, TV e interne. Não convivemos com ela, não estamos perto de onde ela ocorre e, tampouco, nos relacionamos com os que estão na classificação do órgão da Organização das Nações Unidas (ONU).

No mais das vezes vivemos no nosso mundo confortável e não olhamos para o lado, nem para trás. Se o fizéssemos, veríamos que a situação é chocante. Hoje, existem mais de 476 milhões de trabalhadores em todo o planeta que vivem com menos de R$2.25 por dia. Se levarmos em conta os 30 dias do mês e eles receberem, todos os dias, o mesmo pagamento, no final terão a estonteante quantia de R$ 67,50. A estatística leva em conta trabalhadores com mais de 15 anos, não considerando o trabalho infantil. Se ele for considerado, o número dos miseráveis aumenta.

Isto não é tudo. Os mesmos números nos dizem que em todo o mundo existem outros 942 milhões de trabalhadores que ganham R$ 3,56 por dia ou R$ 106,80 por mês. Se juntarmos os dois, chegamos a mais de 1,4 bilhão de pessoas que vivem com até dois dólares por dia, o que corresponde aos trás reais e cinquenta e seis centavos ao câmbio de hoje. O total representa nada menos do que 23% de toda a população desse nosso tão maltratado planeta.

Quem por acaso viu os dados pode argumentar que a grande maioria desses trabalhadores está na Ásia e África. É verdade, com o número sendo maior do que 75% do total. Mas isso ocorre, também, no Brasil que tem 33,98 milhões de empregados ganhando até dois dólares, correspondendo a 17% da população. Constatar isso é muito fácil. Basta ir à periferia de qualquer cidade de porte médio para cima para ver as condições em que as pessoas sobrevivem. Talvez daí decorra algumas das mazelas a que estamos expostos, como a violência, o tráfico de drogas e outras ações criminosas. O que estas pessoas tem a perder?

O grande paradoxo disso tudo é que vivemos em um mundo rico. Temos comida e recursos para que cada ser humano na face da terra seja bem alimentado, vestido, educado. E temos, também, o imenso desperdício dos países ricos. Se o consumo mundial fosse, em média, o dos Estados Unidos precisaríamos de seis planetas para atendê-lo. Como não é, enquanto umas estão em uma epidemia de obesidade, milhões estão definhando por causa da fome, incluindo milhões de crianças que morrem todos os anos, muitas delas de inanição, pois seus pais, que são miseráveis ou, para usar uma palavra mais politicamente correta, extremamente pobres não tem como prová-las.

Vendo estes números, não dá para ser contra os programas de inclusão social, cujos recursos saem dos nossos impostos. A situação só poderia ser diferente se cada um de nós deixasse de lado um pouquinho do seu conforto e dividisse o que tem. Não estou pregando o socialismo, com propriedade comum e distribuição da riqueza. Mas defendo a participação de quem tem meios na solução da questão. Com a sociedade agindo, Governos podem ser pressionados e a situação, em curto prazo, ser mudada. Precisamos pensar que estamos falando de pessoas – não de números – e que elas são exatamente iguais a gente.

Em um mundo mais igualitário – e isso é inteiramente possível e factível – ainda teríamos ricos, classe média alta, mas certamente evitaríamos que milhões e milhões de pessoas vivessem nas piores condições possíveis, trabalhando sim, mas quase em regime de escravos. Como tudo o que acontece conosco e com nossas vidas, mudar este panorama depende só de vontade. Se cada um de nós der sua contribuição, as coisas mudam. Tenho certeza disso.

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