UMA QUESTÃO NADA SIMPLES

Uma das coisas mais fáceis de se fazer hoje em dia é comprar drogas. Sem muita dificuldade, quem a procura, a encontra, muitas vezes próximo de casa, ao lado da escola, dentro de casas de espetáculos, em bares e restaurantes. O fato é que, de certa forma, vivemos há algum tempo uma cultura onde droga deixou de ser sinal de problema, de condenação social. E isso ocorre, principalmente, nos níveis mais altos da sociedade, que as usa como recreação.

Visto dessa forma o problema parece simples. Não é. A questão é muito complexa e, ao falarmos de drogas, não devemos nos esquecer que ao lado daquelas que são ditas ilegais temos as legais, também responsáveis por problemas e que precisam, tal com as primeiras, de controle. No caso das ilegais, o primeiro problema é o volume de dinheiro que ela gera, criando todo um mercado subterrâneo que tem por objetivo atender ao consumo e a estimulá-lo, ampliando o seu mercado. Aqui, temos o típico comportamento capitalista: se alguém quer comprar, há sempre alguém disposto a vender. No final, os riscos compensam.

Há, em relação à venda e produção das drogas ilegais, uma ação mundial que visa não só a impedir seu consumo, mas, primordialmente, evitar sua produção. Neste esforço tem sido usada muita inteligência e rios de dinheiro. Qual o resultado? Vários reveses foram infligidos ao tráfico, drogas foram apreendidas, campos de produção foram dizimados. O consumo, no entanto, não parou. E isso acabou por tornar as operações dos traficantes ainda mais lucrativas. É a velha lei da oferta e da procura.

E em relação as drogas licitas? Para estas há estí­mulo de venda. Afinal, o Estado é quem mais lucra com elas, já que os impostos incidentes sobre, por exemplo, bebidas e cigarros, são altíssimos. Se no caso de fumar, houve uma mudança, com o hábito se tornando politicamente incorreto, no caso da bebida, não. Elas são vendidas todos os dias na televisão como dando status, trazendo bem estar, ajudando na conquista de belas mulheres. Bebe-se. E muito. E todos, no final – a não ser a saúde de quem bebe – lucram.

E há, ainda, um terceiro aspecto, que são verdadeiramente as drogas, produzidas às centenas, milhares, pelas indústrias farmacêuticas com o objetivo de tratar um determinado problema, mas que acabam criando outro, inclusive vícios fortes, dependência e agem, no final, como a dependência das drogas ilícitas, fazendo mais mal do que bem.

O que fazer? Ao lado da repressão, que já vem ocorrendo, acho que o problema só será mesmo resolvido com uma mudança cultural. A droga – legal e ilegal – precisa deixar de ser cool, algo que é socialmente correto mostrar. Ela tem de ser mostrada e entendida pelo que é: um problema para a saúde. É preciso que todos saibam – e a escola é fundamental nisso – que drogas matam, se não na hora, mas a médio e longo prazos e que isto tem um custo social grande que, quem consome e quem não o faz, irá pagar.

Legal ou ilegal a droga precisa ser vista como droga, mesmo. Não é cool beber, não é cool fumar, não é cool se injetar ou cheirar. Cool é ter saúde, viver sem dependências químicas. E é isto que precisamos mostrar, o que, de certa forma, começamos aqui com esta blogagem coletiva, promovida pelo CD-LadoB.

Então, vamos começar agora esta mudança?

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