TRANSMITINDO OS PENSAMENTOS

Dentre tantas outras, duas coisas são constantes nas histórias de ficção científica: implantes que ajudam a aumentar a capacidade cerebral e a transmissão de pensamentos. No primeiro caso, a pessoa conseguiria o poder de processamento de uma grande máquina, integrando suas rotinas às do seu pensamento e, neste caso, ganhando maior agilidade na execução de tarefas e no desenvolvimento delas. No segundo, antevemos a possibilidade de alguém transmitir e alguém ouvir os pensamentos de uma determinada pessoa, seja mediante telepatia ou outros meios.

Mais uma vez, em relação a estas questões, a ciência transforma o que era especulação em realidade. Já foi assim, por exemplo, com os satélites geoestacionários, citados pela primeira vez em uma obra de Arthur Clarke, para citar apenas um caso. Agora, o que parecia ser impossível, a transmissão do pensamento, acaba de se tornar realidade, graças a uma pesquisa desenvolvida por pesquisadores de várias universidades, em um esforço conjunto. Eles conseguiram transmitir o pensamento de uma pessoa paralisada para uma máquina, que o traduz e o transforma em fala.

A descoberta é um passo à frente e pode levar a uma comunicação melhor de quem sofre de paralisia cerebral. O físico Stephen Hawking, por exemplo, uma um tipo de máquina que transforma o seu pensamento em escrita. Com a nova descoberta, ele falaria através de um sintetizador, comunicando-se com maior facilidade e, segundo os cientistas, em tempo real, já que o intervalo de interpretação do pensamento é idêntico ao de uma pessoa dita “normal”, apenas de alguns milissegundos.

O novo sistema já foi testado em um jovem que sofreu um derrame quando tinha apenas 16 anos, ficando totalmente paralisado. Nele, os pesquisadores constataram a eficiência da ligação cérebro-máquina e comprovaram, ainda, que a própria pessoa pode controlar sua fala através do que pensa, enviando a uma máquina que a traduz. A transmissão é feita mediante a implantação de um eletrodo no cérebro da pessoa – o que foi feito no caso do teste dos cientistas.

De acordo com os cientistas, após a implantação do eletrodo ele acabou sendo envolvido pelos neurites do próprio cérebro, começando a transmitir os pensamentos. Com três anos do início do experimento, eles conseguiram que houvesse a tradução do que era transmitido em tempo real, isto é, com apenas alguns milissegundos, transformando os pensamentos em uma fala sintética, já que produzida por um sintetizador.

O que foi conseguido, de acordo com os pesquisadores, abre a perspectiva da criação de uma prótese neural permanente, que não requereria um grande equipamento externo, e que pode permitir a comunicação de quem, hoje, não tem muitas maneiras de se comunicar. A nova técnica desenvolvida por usar comunicação sem fio e precisa de apenas um computador portátil para funcionar. A pesquisa está em andamento, mas o que ela mostra é que, às vezes, a ciência corrobora a ficção. Mas em alguns casos, ela se antecipa a ela e acaba produzindo resultados que nem o mais criativo dos escritores consegue antever. (Via Physorg, em inglês)

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