TRABALHO, SONO E SAÚDE

Uma constatação recente é que estamos, a cada dia, trabalhando um pouco mais e, como consequência, estamos dormindo menos. As duas coisas combinadas acabam levando a uma terceira, que é o reflexo na saúde. Não é o caso de se dizer que trabalhar é prejudicial à saúde. Não, não é. O trabalho é saudável, mas deve ser contido dentro de limites que acompanhem o que o corpo humano suporta. O que dizem os especialistas é que o sono é fundamental, não só para o relaxamento e afastamento do stress, mas para a própria recuperação do corpo.

Há, ainda, um outro fator a considerar, que é a alimentação e o tempo que, a cada dia, a ela destinamos. Há alguns anos, todos nós, trabalhadores, tínhamos duas horas para o almoço. No sentido de oferecer praticidade aos seus colaboradores, as empresas passaram a oferecer refeitórios, primeiro, e depois, restaurantes, reduzindo o tempo do almoço. Se o trabalhador, de um lado, ganhou em conforto e praticidade, acabou perdendo parte do seu tempo livre que, neste caso, foi empregado no trabalho. Com a evolução das coisas, este tempo encolheu ainda mais e, de acordo com uma pesquisa recente, 76% dos trabalhadores tem, no máximo, 45 minutos para o almoço.

Voltemos, então, ao início e vejamos o qual é a realidade para a jornada de trabalho nestes tempos líquidos da pós-modernidade. A mesma pesquisa que determinou o tempo destinado ao almoço constatou que, 52% dos trabalhadores trabalham, a cada dia, mais de 10 horas e outros 41% estão entre as 8 e 10 horas de jornada diária. A legislação brasileira diz, expressamente, que a jornada de trabalho é de 8 horas diárias, nelas computado o tempo para o almoço. E afirma que, cada trabalhador pode, no máximo, fazer duas horas extras, mas impõe que não podem ser constantes, significando que não as pode fazer todos os dias da semana, durante sua jornada de trabalho.

Acrescentemos à jornada de trabalho estendida e ao pouco tempo para o almoço um novo ingrediente, que é o sono. A pesquisa da qual já falei, mostra que do universo de trabalhadores, 59% dormem entre 5 e 7 horas. Será tempo suficiente para o descanso? No caso das 5 horas, a resposta é negativa. Se o sono é de 7 horas pode até ser reparador, mas a ciência fala em 8 horas de sono como um bom parâmetro para o relaxamento e descanso do corpo. Aqui, só uma minoria é que consegue dormir, no máximo, 9 horas por noite. Os dados sobre trabalho, alimentação e sono são do Ministério da Saúde e do IBGE e foram coletados pelo jornal A Tribuna, de Vitória, e completado com a opinião de especialistas.

Juntemos tudo – trabalho, tempo de almoço, extensão de jornada e sono reduzido – e o que teremos? Um reflexo imediato na saúde de quem se enquadra em todos os tópicos, isto é, trabalha a mais, tem pouco tempo para a alimentação, estende sua jornada e dorme menos. Tudo isso é um convite a se ter problemas. Neste caso, a assertiva – cômica, é claro – de que o trabalho faz mal à saúde pode ser verdadeira.

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