SUSHI, CINEMA E A EXPERIMENTAÇÃO

Como humanos que somos, vivemos dos nossos condicionamentos e são eles, no final, que fazem de nós o que somos. Fazemos coisas tão naturalmente, que não as percebemos. Isso, no entanto, não ocorre com que está de fora, que pode se transformar em um observador e ver o que nós próprios, se questionados, diríamos que não fizemos. Revelamo-nos e como somos em pequenos gestos, em manifestações de gostos e preferência. O cotidiano – e o que ele nos proporciona, nos revela.

Não sou – pelo menos acho que não – daqueles que tudo vã e que tudo observam. Mas algumas coisas acabam me chamando a atenção e, como disse alhures, foi para isso que nasceu no blog a categoria Cotidiano. Ela é destinada a relatar estas pequenas observações, o que me chama a atenção. E foi o que aconteceu quando fui ao cinema ver Avatar. Pelo que havia lido, fiquei curioso com a história, mas queria mesmo ver era como os efeitos especiais foram usados para fazer todos os cenários e criar alguns dos personagens, sendo que parte deles aparece em forma humana e também como avatares.

Não vou falar do filme. Mas de uma cena que, antes dele, observei. Próximo da entrada dos cinemas ficam alguns restaurantes, desses de comida rápida e um deles serve, ao mesmo tempo, comidas de origens chinesa e japonesa. Nesta última, como todos sabem, o cru é uma constante, inclusive com carnes, sobretudo de peixe. E foi exatamente devido à comida japonesa que a cena se formou. Dois casais com filhos chegaram ao restaurante e um dos adultos fez um prato, recheando-o de sushis, variando os tipos de peixe. Ao ver a cena, fiquei imaginando: é pouca comida para muita gente.

O que ele está pretendendo? O prato e o que nele estava contido serviu, na verdade, para que os outros adultos e as crianças “provassem” a comida japonesa. O primeiro, foi um garoto. E quando ele se dispôs a comer, todos o olharam com maior atenção. esperando pela sua reação. E ela veio na forma de caras e bocas que, ao mesmo tempo, mostravam um esforço para comer algo que lhe era estranho e a rejeição pelo que havia colocado na boca e tentava mastigar. No final, desistiu devolvendo o sushi a um guardanapo, enrolando-o e o descartando.

Se o garoto foi o primeiro, novas “provas” ocorreram. E as reações foram, todas elas, de rejeição ao tipo de comida, com alguns o devolvendo antes mesmo de mastigar e sentir o gosto do que estavam comendo. A experiência, no final, não vingou. De todos os sushis, apenas um foi consumido por um dos adultos que, pela expressão, fez um tremendo esforço para concluir a tarefa. Se havia a intenção de introduzir as crianças a um novo tipo de comida, ela foi perdida.

Vendo a cena, pensei: o que fazem os nossos condicionamentos. Quem foi que disse que comida crua não é boa? Por que não comer peixe cru? Qual o motivo da rejeição? Normalmente, o que acontece é que as pessoas não gostam, mesmo não tendo provado. E isso não ocorre só com comida japonesa, não, mas com todo tipo de comida que pode ser considerada “inusitada”. Sinceramente, não vejo motivo para isso. Acho que, diante de uma novidade, o mínimo que podemos fazer é experimentá-la. Só assim podemos dizer se gostamos ou não. A propósito, eu gostei de Avatar. E sou aficcionado da comida japonesa. E você, do que gosta?

Compartilhe:

Twitter
Facebook
LinkedIn
Pinterest

3 Respostas

Entre na conversa