SOMOS OU NÃO SOMOS ASSIM?

Volta e meia a mídia, de um modo geral, está falando de um tema que, muitas vezes, procuramos varrer para baixo do tapete, que é o preconceito. Sociedade multirracial, o Brasil tem orgulho de em seu território conviverem brancos, pardos, amarelos, mulatos e negros. E em paz. Mas será que, no dia a dia, a vida é igual para todos eles? Será que existe diferença no tratamento de quem, por exemplo, é pobre daquele que é melhor aquinhoado? Será que o negro é tratado da mesma forma que o branco?

Aqui, no Espírito Santo, o Instituto Futura saiu às ruas e foi fazer ao capixaba estas perguntas. O resultado, confesso, me deixou meio perplexo. Descobri que os capixabas, ao contrário do que imaginava, são muito preconceituosos e muitos deles o admitem. O fato é que o preconceito, inicialmente olhado do lado de fora, está permeando as relações sociais, valorando mais a posição social, admitindo o uso da influência em benefício próprio, vendo suspeição em quem é mais pobre e discriminando na hora do emprego.

Olhando a sociedade como um todo, mais de 93% dos capixabas acham que a posição social de uma pessoa influencia na forma como ela é tratada. Outros 92% acham que o uso da influência – o jeitinho brasileiro – é corriqueiro para a quase totalidade das pessoas e tem a percepção de quem é menos aquinhoado, pobre ou negro tem maiores chances de ser considerado culpado do que quem está em uma melhor posição social. Por fim, acham que os ocupantes do topo da pirâmide social tem maiores chances de conseguir um emprego e são preferidos em detrimento de quem é mais pobre.

Esta percepção, quando aplicada em quem está mais próximo da pessoa, continua. Os índices caem, mas são ainda muito significativos. No caso da predominância da posição social são mais de 69%, sobre o uso da influência o índice chega aos 68% e volta a subir para 71% quando se trata da suspeição atingindo quem é mais pobre. No caso da preferência na hora do emprego o índice é de 70%. O que fica claro é que o capixaba acha que o outro – não ele próprio – é muito preconceituoso. Mas como o universo da pesquisa é o próprio capixaba quem opinou acaba se enquadrando também neste preconceito.

Se as questão são postas de maneira específica, para cada um dos entrevistados, os índices mudam, caindo muito, muito mesmo. Ainda assim, quase um quarto dos capixabas se reconhecem no tratamento diferenciado de alguém que tenha melhor posição social e este número cresce para 33%, o percentual que admite usar a sua influência para obter um determinado resultado. São também 30% os que consideram os mais pobres com maior grau de suspeição de quem tem melhor nível de vida e os números se fecham com quase 34% admitindo que, na hora de dar um emprego, escolhe quem tem melhor posição social.

Se os números são válidos, e acredito que sejam, somos muito preconceituosos, o que é surpreendente já que os capixabas são ainda mais miscigenados que os brasileiros, em geral. Aqui, temos italianos, portugueses, poloneses, alemães, pomeranos, negros, índios, etc. Mas temos, também, como em toda sociedade estratificada, gente que tem mais e outras que tem menos. O curioso é que, tanto de uma quanto da outra ponta o preconceito é a marca. Ricos e pobres são preconceituosos do mesmo jeito.

Após ler os números fique me perguntando se o Brasil também é assim. Estou quase que apostando que sim. E me baseio no que diz o professor Alberto Almeida, autor de A Cabeça do Brasileiro. O livro, fruto de uma longa pesquisa, mostra que, sim, somos preconceituosos. E muito mais. Neste caso, o que me surpreendeu não foi o próprio preconceito, mas os índices dele. Achei que existisse, mas que fosse menor. Pensei errado!

E você, o que acha do brasileiro? Somos ou não preconceituosos? Os números estão certos? Será que na sua região é semelhante? Em princípio, acredito que sim. Mas gostaria de ouvir a sua opinião.

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2 Respostas

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