SERÁ QUE SOMOS TODOS FAMOSOS?

Andy Warhol, um dos maiores artistas pop do século que acabamos de passar, cunhou uma frase que ficou famosa e permaneceu: “No futuro, toda gente será famosa por 15 minutos”. Na época em que cunhou a afirmação o mundo, certamente, era das chamadas celebridades e ele era uma delas, mas teve a clareza de antever o futuro, sem saber que, dentro de muitos poucos anos mais, a aldeia global de McLuhan se concretizaria, estaríamos todos interligados, todos na internet e teríamos o YouTube e outros sites de vídeo, blogs, flogs, orkuts, redes sociais e muito, muito mais. Deixamos de ser anônimos e, de certa forma, todos nós nos transformamos em celebridades.

Talvez por tudo isso é que a mídia acabou buscando os desconhecidos, as pessoas mais comuns e as transformando em celebridades, não pelos 15 minutos previstos por Warhol, mas por muito menos tempo. Veja-se como exemplo o caso de alguns programas de televisão que dão 30 segundos para alguém mostrar suas habilidades. Neste tempo, sendo aprovado ou não, ele é o centro das atenções. Passado o tempo, volta ao anonimato. Com um pouco mais de tempo, mas dentro do mesmo princípio, estão os big brothers da vida, seja que nome tenham. Se quem deles participa já não é famoso, ao final, o retorno ao anonimato é quase certo.

Há um exemplo ainda mais claro disso, que é o YouTube. De repente, alguém fica “famoso” devido a um vídeo que vira hit. É o caso do capixaba Pedro, que não queria devolver o chip do telefone a uma ex-namorada, com o barraco que ela aprontou sendo filmada e divulgada, criando o bordão “Pedro, cadê meu chip“. Neste mesmo caminho estão os blogs. Eles nos tiraram do ambiente privado e nos transformaram em pessoas públicas, algumas mais, outras menos conhecidas. Mas todas com algum tipo de audiência e, de certa forma, com o seu pedaço de fama.

Há, por fim, o caso dos jornais impressos. Sem o meio das outras mídias, eles acabam criando “musas” dos mais diversos quilates e segmentos. Pode ser, por exemplo, uma bonita mulher que trabalha no pedágio de uma ponte – o que aconteceu, aqui, no Espírito Santo – ou alguém que se dispõe a disputar um determinado concurso. Temos, assim, musas para todos os gostos, o que oferece, a quem se dispõe a isso, os 15 minutos de fama preconizados por Andy Warhol.

Em um mundo onde o “eu” é muito mais importante que o “nós”, mostrar-se tornou-se a tônica. Não fomos nós que inventamos o fim da privacidade, mas certamente, com o desejo de ser famosos acabamos contribuindo, e muito, para que ela deixasse de existir. E chegamos o ponto de afirmar – como tenho visto muitos a fazer – que se você não está no Google, não existe. Afinal, o Google tornou-se, efetivamente, o Grande Irmão, que tudo vê e tudo sabe, o que significa se participamos de algo público, ele saberá e mostrará algum resultado que comprove que, hoje, na verdade, somos todos famosos.

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