SERÁ QUE É MESMO ASSIM?

A maioria das mulheres, segundo pesquisa publicada no Espírito Santo, admitem que já foram ou são amantes, portanto, têm um relacionamento extra, fora do oficial. Os números me surpreenderam e os contrapus aos publicados pelo cientista Alberto Almeida, que apontam o brasileiro como conservador, mostrando que, quando se fala de sexo, ele não adota este tipo de comportamento. Quem está certo? Acho que o cientista, mas admito que a partir do século XX muita coisa mudou e que as mulheres estão, a cada dia, mais iguais que os homens.

O século XX, como sabemos e como registra a história, foi marcado por uma revolução nos costumes e pelo avanço da mulher na vida diária, saindo de casa e ocupando, cada vez mais, o seu espaço, seja no mundo do trabalho, sejam nos outros mundos criados, mantidos e frequentados durante muito tempo só pelos homens. As mulheres conquistaram o seu espaço, se impuseram e passaram, em muitas circunstâncias, disputar de igual para igual com os homens.

Esta mudança indispôs alguns homens, ainda dominados pelo espírito machista. Mas gostando ou não, todos temos de conviver com esta mudança, que levou à mudança de hábitos e de comportamentos. Uma delas, a se crer na pesquisa publicada pelo jornal A Tribuna, de Vitória, foi no relacionamento entre dois e destes com terceiros.

A questão posta era do relacionamento, digamos, extraconjugal. A pergunta direta era se, das entrevistadas, tinham sido ou eram amantes, significando, neste caso, um segundo relacionamento, fora do “oficial”. Fiquei surpreso com as 67% das mulheres respondendo que, sim, já foram ou são amantes, um índice, confesso, que achei muito alto. E me perguntei: será que é mesmo assim?

A julgar pelas pessoas com quem convivo, a resposta é não. O jornal, no entanto, não deu detalhe do perfil da pesquisa, apenas reproduzindo o seu número e, sequer, informou onde ela foi feita. Como tem credibilidade, acredito que seja séria e, por acreditar nisso é que fiquei mais surpreso. Das 67% que dizem ter sido ou que são amantes, 50% confessaram que não querem ser a “oficial”, preferindo o relacionamento paralelo.

Cai por terra, ainda a se crer na pesquisa, aquela imagem de a mulher enganada, que não sabia ser a outra, pois 52% confessaram que sabem da existência da oficial e que não se importam com isso. Olhando a situação a partir de um extenso levantamento feito pelo cientista político Alberto Carlos de Almeida, publicado em A cabeça do brasileiro, as brasileiras não são assim, não.

O que o levantamento mostra, tanto do lado masculino, quanto do feminino, é que somos, na maioria, conservadores e isso significa que não tomaríamos, homens e mulheres, comportamentos como estes relatados na pesquisa publicada pelo jornal. O conservadorismo se aprofunda quando se fala em sexo e em relacionamento afetivo. O que predomina é o conceito de fidelidade, tanto do lado masculino, quanto do feminino.

Temos, então, duas posições. De um lado, o levantamento feito pelo cientista político e, de outro, o do jornal. Eles se desmentem e o segundo põe as mulheres muito, mas muito mais liberais do que aponta o primeiro. Acho que relacionamentos começam, terminam e até podem ocorrer – como efetivamente ocorrem – fora do oficial. Mas daí a extrapolar e afirmar que este é o comportamento da maioria, é diferente. Sinceramente, não creio que seja assim.

E você, o que acha? Pensa que a traição e o relacionamento fora do “oficial” é a norma, como aponta a pesquisa? Ou acredita que homens e mulheres são mais fiéis do que o apontado, concordando com o que afirma o cientista Alberto Almeida? Ah, e o que acha que está mudando no relacionamento entre homens e mulheres? Vamos discutir o assunto.

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