SE FOR IMPORTANTE, VOU SABER

breportOs jornais – e as mídias tradicionais – tem de se reinventar, já que informam o que todo mundo sabe. A afirmação foi feita pelo jornalista e blogueiro Ricardo Noblat – blog do Noblat – em uma palestra feita para jornalistas vinculados à Rede de Comunicação do Governo do Espírito Santo. Nela, destacou que a velocidade da informação é muito maior e que principalmente os jovens consomem informação através da Internet e mediante os grupos de relacionamento, incluindo os blogs.

Citando um relatório da Pew Research, uma instituição dos Estados Unidos que dentre os vários projetos que toca tem um voltado para a excelência do jornalismo, mostrou que os jovens tem uma visão totalmente diferenciada de como obter informação. Neste caso, usou – em uma tradução livre – o que um entrevistado disse sobre como se informa: Se for importante, vou saber!.

As informações chegam via redes sociais, via e-mail e mediante o relacionamento estabelecido na própria internet. Por isso, Noblat considera que é imprescindível que o jornalista mude sua visão. E neste caminho pode assumir a postura de um blogueiro, o que implica uma mudança de visão e da forma como a informação é tratada e distribuída. A mídia social – no que Noblat inclui os blogs – está ganhando corpo e é através dela que sobretudo os mais jovens interagem.

noblat

Esta mudança, segundo afirmou, explica a queda na tiragem dos jornais, na menor audiência da televisão, na perda de ouvintes do rádio e na própria queda do volume de publicidade nestes meios tradicionais. Enquanto isso, a publicidade vai migrando, aos poucos, para os meios digitais. E é ela que tem de pagar os custos da veiculação de informações, uma vez que, de acordo com o jornalista e blogueiro, os usuários não estão dispostos a isso. Citou como exemplo o caso do NY Times. Ao fechar seu conteúdo, a audiência despencou, o que o levou a abri-lo novamente, permitindo o acesso de todos.

Um outro ponto interessante que Noblat abordou é o da credibilidade, criticada quando se trata de blogs. Para ele, credibilidade vem com o trabalho feito, com a informação correta, com a admissão de erros, com aceitar a crítica, mesmo que radical. E ela pode tanto ser conquistada por um jornalista, quando por um blogueiro que não o é. No caso dos blogs, ele destacou a segmentação da informação, nichos especializados, mas vê a blogosfera como um excelente instrumento da comunicação dos poderes públicos.

Mas será que a internet influi? Ao responder a questão, Noblat observou que um levantamento feito nos Estados Unidos mostrou a importância crescente da internet para as campanhas políticas. Três por cento foram influenciados por ela nas eleições de 1996, com o número subindo para 11% quatro anos depois e chegando aos 20% em 2004. Ele crê que, nestas eleições, o papel da internet será ainda maior. E citou o caso do discurso de Barak Obama, sobre a questão racial, que cinco minutos depois de feito estava no You Tube, com alguns milhões de acesso poucos minutos depois.

No caso do Brasil, não existem estes números, mas hoje temos mais de 23 milhões de internautas que acessam os sítios da web de casa e, no total, este número – acessos de casa e de outros lugares – chega aos 40 milhões, um quarto da população brasileira. É este público que consome informações, sejam elas dadas por jornalistas ou não. E é este público que, de um modo geral, sabe que se a informação for importante, não vai precisar procurar por ela.

Esta informação vai chegar até ele. E não em segunda mão, através de um dos veículos da mídia tradicional. Por tudo isso é que Ricardo Noblat, embora não o tenha dito expressamente, admite que se um jornalista pode ser blogueiro – como é o seu caso – nada impede que um blogueiro seja repórter. Aliás, dentro a proposta do Blogueiro Repórter. E você pode participar, votando nas matérias, escolhendo as que lhe agradam. É só ir ao Dihitt, escolher e votar.

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