OLHANDO PARA O NOSSO FUTURO

Se soubéssemos verdadeiramente como será o futuro seria muito fácil enfrentá-lo e resolver os novos problemas que ele, certamente, nos trará. Como isso não é possível, o que se faz é usar dados do presente e, a partir deles, projetar o que pode acontecer, traçando cenários que indiquem, por exemplo, como estaremos daqui a menos de 40 anos. É exatamente isso que a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação – FAO, da sua sigla em inglês – fez e acaba de liberar as conclusões a que chegou.

Se olharmos os números, até que a visão da FAO é otimista, pois prevê que a pobreza continuará diminuindo, haverá aumento do rendimento médio e que o número de mal nutridos também cairá e isso tudo alimentando uma população de mais de 9,3 bilhões de pessoas. Mesmo com as melhorias, as disparidades continuarão a existir, com os países da Organização para Cooperação do Desenvolvimento Econômico – OCDE, em inglês – continuando com um bom diferencial em relação ao restante do mundo. Neles, o nível de vida dos seus mais de 1 bilhão de habitantes será bem melhor do que em outras regiões do planeta.

Apesar do otimismo, segundo ainda a FAO, vamos chegar a 2050 com 2,6% de toda a população mundial abaixo da linha da pobreza, o que significa receber até 1,25 dólar por dia. Serão mais de 245 milhões de pessoas e, em sua maioria, elas estarão nos países da África, sobretudo na região subsaariana. Hoje, existem países na região que tem mais de 60% de sua população abaixo da linha mínima estabelecida pela ONU – Organização das Nações Unidas. Para os países da OCDE, a pobreza será uma visão distante, que seus cidadãos só verão quando visitarem a África, a Ásia ou a América Latina que, fora do chamado primeiro mundo, é que ficará com o menor índice de pobreza, algo em torno de 0,1% em 2050.

A questão que se pode colocar é: será que chegaremos a estes números? Hoje, ninguém sabe, mas há um grande desafio pela frente, começando pela produção de alimentos. A previsão da FAO é que tem de haver melhoria na produtividade, que passaria de 2,71 toneladas por hectare para 4,07, o que representa praticamente dobrar a produção atual. Será possível? Segundo o presidente da Embrapa, uma das líderes mundiais em pesquisas voltadas para a área agrícola, é sim e para conseguir os números é preciso que a ciência aja, desenvolvendo plantas que produzem mais e que se adaptam perfeitamente ao clima onde são cultivadas.

Não sou pessimista em relação ao futuro, mas estou cético de que possamos realmente alimentar 9 bilhões de pessoas. Acho que as desigualdades irão aumentar. Os números da FAO são médias e elas, como dizia um dos meus professores preferidos, são enganosas. Se você pegar um humano, congelar sua cabeça e esquentar seus pés, na média ele terá uma temperatura normal. Na vida real, no entanto, estará morto. É o mesmo caso para a renda. Se ganho R$ 100 mil por ano e outra pessoa ganha R$ 10 mil, na média ganhamos R$ 55 mil, um número bom, mas que, mais uma vez, não reflete a realidade.

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