O RISCO DO USO DO CELULAR

Há poucos dias tomei conhecimento de que no mundo já há mais de 4,6 bilhões de telefones celulares e de que o número irá continuar crescendo e dentro de algum tempo mais podemos ter tantos celulares quantas pessoas existem na Terra. No Brasil, o Ministro Hélio Costa propôs a criação de um Bolsa Celular, que permitira, com subsídios governamentais, que os integrantes do Bolsa Família recebam um telefone. É, eles podem não ter o que comer, mas teriam um celular. Será que a substituição é boa? Mas nem o número, nem a nova bolsa governamental é o motivo deste artigo. Ele decorre de uma recente descoberta feita por psicólogos nos Estados Unidos.

O que eles descobriram? Que, na caminhada por uma rua, o celular pode representar uma ameaça para quem o utiliza e anda ao mesmo tempo em que conversa com outra pessoa, do outro lado. Os pesquisadores, liderados pelo professor Art Kramer, da Universidade de Illinois, fizeram simulações em uma rua virtual, com alguém caminhando e falando ao telefone, comparando o seu comportamento com pessoas que fazem isso, mas sem o uso do celular. Os riscos para os primeiros são muito maiores que para os segundos. A comparação foi feita, também, com quem estava ouvindo música e a conclusão é que este comportamento não chega a representar um risco. Mas falar ao celular, sim.

A explicação dada pelos pesquisadores é que, ao falarmos ao telefone o fazemos de forma tão automatizada que não prestamos atenção no que está acontecendo no entorno. Nas simulações, os usuários do celular tornaram-se menos cuidados ao atravessar a rua e ampliaram seus riscos. No caso da travessia de uma rua, por exemplo, que usa o celular leva mais tempo para cruzá-la – um quarto a mais, na verdade – o que o expõe a riscos. Quem ouve música, procede como quem não ouve ou não fala no celular, fazendo a travessia com maior segurança. De acordo com os especialistas, as conclusões da pesquisa apontam para um maior risco para os pedestres que andam e falam no celular.

Que falar ao celular enquanto dirigimos aumenta o risco, já sabíamos. Mas que falar e andar também implica em perda de segurança é uma coisa nova. Fico imaginando, neste e em outros casos, o impacto que o celular tem nas nossas vidas. De certa forma, ele já matou o telefone fixo, conectou-nos ou nos tornou permanentemente conectados, inclusive neste mundo novo que é a Internet, que nos traz emails, notícias e, até, entretenimento. E se o seu número está aumentando será que isso significa que os riscos também? Estaria o aumento do número de celulares colocando em risco os humanos? Pelo que os pesquisadores concluíram, sim.

A pesquisa nos mostra um outro lado da questão, que é o impacto que as novas tecnologias provoca em nossas vidas. Quem hoje é capaz de viver sem um celular? Ele tornou-se indispensável, seja para os negócios, seja profissionalmente, seja para controlar filhos, falar com amigos, parentes ou, até, para demonstrar status. Sem dúvida esta tecnologia, que embora não seja assim tão nova, só agora espalhou-se pelo mundo, está fazendo com que ajamos de forma diferente, seja falando ao dirigir, andando e falando ou não percebendo o nosso entorno. Com maior ou menor risco, uma coisa é certa: o celular é um agente de mudança.

Se ele é bom ou não, só o tempo irá dizer. Mas desde já sabemos, graças aos pesquisadores dos Estados Unidos, que para os pedestres ele representa uma ameaça. (Via Eureka, em inglês)

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