O QUE PODE NOS MATAR

Nós, humanos, somos uma espécie interessante. Se de um lado conquistamos o mundo e, em muitos casos, domamos a natureza, colocando-a para trabalhar para a gente, de outro somos capazes de práticas que, sabemos, não são boas, induzem enfermidades e podem prejudicar a saúde. Mesmo sabendo disso, continuamos com elas. Ao mesmo tempo, sistemas de saúde pública de todo o mundo gasta milhões com o tratamento de algumas “doenças” que poderiam, somente mediante uma ação lógica, serem evitadas. É o caso, por exemplo, da obesidade, hoje considerada uma pandemia, o que quer dizer que transformou-se em problema em todo o mundo, inclusive em países que tem uma boa parte da população passando fome.

É a propósito disso que vem a pergunta do título: O que pode nos matar? Quando se trata de doenças, muitas delas, mesmo com o tremendo avanço feito pela medicina nos últimos anos. Tomemos o caso do HIV, o vírus que provoca a imunodeficiência e acaba criando, para quem os tem, uma vida diferencia, marcada pela administração constante de drogas e sob a constante ameaça de uma infecção que pode causar a morte. Pois bem, esta terrível doença matou, até agora, cerca de 22 milhões de pessoas em todo o mundo. Um número expressivo, sem dúvida, principalmente contando com as imensas somas de dinheiro que são destinadas aos estudos que objetivam sua cura, mas que trabalham, também, com a melhoria da vida dos seus portadores.

Os números, no entanto, não são nada em face dos 60 milhões de pessoas que a tuberculose, uma doença de fácil tratamento, já matou. E olha que, por um tempo, principalmente nos chamados países do primeiro mundo, ela foi considerada uma doença extinta. Tanto é assim que os médicos tem dificuldades em diagnosticá-la e este, na verdade, é o seu real problema, já que, identificada, pode ser tratada com toda segurança. O bacilo de Koch, que provoca a tuberculose, já deu tema para livros, filmes e muito mais. A doença, que não tem nenhum romantismo, continua matando.

De todos os comportamentos – poderíamos chamar de irracionais? – dos humanos, um dos mais estranhos, sem dúvida, é o vício do fumo. Pesquisas já mostraram e continuam mostrando que o cigarro faz mal à saúde. E mesmo assim, bilhões de pessoas continuam fumando em todo o mundo, criando um imenso problema para a saúde pública, mas gerando bilhões e bilhões em impostos para os Governos. Nada matou mais do que o cigarro. O cálculo é que, até agora, mais de 150 milhões de pessoas morreram de doenças ocasionadas pelo fumo e seus componentes, que vão de problemas cardíacos aos pulmonares.

O pior é que, ao invés de chegarmos, diante de todas as evidências já postas, a um controle do fumo, não o fazemos. Ele continua sendo legal, utilizado em todo o mundo e as perspectivas de futuro é que, até o ano de 2030, o número de pessoas que podem morrer em consequência deste mau hábito chegue aos 500 milhões. Sim, não errei o número, não. É isso mesmo. O cigarro tem sido e, parece, continuará sendo uma das maiores causas de morte entre os humanos. E apesar disso, o que vemos? Gente fumando. Será que não sabem que o produto faz mal? Duvido. No final, é meio irracional, não é?

O fato é que as doenças, além de nos matar, custam muito caro aos Governos. Para tratá-las, bilhões e bilhões são gastos. Se nós, os humanos, fôssemos mais racionais, evitando o consumo daquilo que, comprovadamente, faz mal, estaríamos poupando dinheiro e ele poderia, por exemplo, ser usado na educação de quem não a tem, ou a fornecer uma boa refeição a famintos de várias partes do mundo. Mas, não, continuamos a nos envenenar, gerando gastos com tratamento. Será que não estaria na hora de mudarmos? O que você acha?

Tenho procurado adotar, ao longo dos últimos anos, alguns hábitos mais saudáveis, escolhendo a alimentação, procurando algum tipo de movimentação e evitando o que, sabidamente, pode provocar problemas. Esta é uma ação que faço em meu proveito, não da humanidade. Mas se fôssemos egoístas o suficiente para cuidar da nossa saúde estaríamos dando uma grande contribuição para a saúde do mundo.

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