O MELHOR E O PIOR DO MUNDO

bom.jpgEx-revolucionário que acompanhou Che Guevara na América Latina, o cientista social Regis Debray dedica-se, há algum tempo, ao estudo da mídia e de como ela expressa, através do discurso, as posições que são suas e que também vão ao encontro do que deseja o consumidor de informação. E ele inicia sua análise diferenciando informação de comunicação.

O que os mídias tradicionais – jornais, revistas, rádio e TV – oferecem é informação. Para chegar à comunicação é preciso dar um passo adiante, contando com o envolvimento de quem está recebendo/lendo/ouvindo/vendo com o que lhe é oferecido. Há, neste caso, um canal duplo, que traz e ao mesmo tempo leva, formando um diálogo, o que a informação não permite, já que é emitida de uma determinada fonte para alcançar outra, mas não para interagir com ela.

A informação, neste caso e segundo Debray, é verticalizada. Mas está mudando. E o principal motivo da mudança é a Internet. Graças à sua abrangência e à facilidade que oferece, ela está criando nichos e permitindo que a informação se transforme em comunicação. É o caso dos blogs, que são, na verdade, conversações. E esta conversa se dá, normalmente, mediante os comentários, com sugestões, críticas, etc. Mas sobretudo com a interpretação do que foi dito, sendo apropriado pelo leitor.

Outro aspecto que Debray ressalta é a democratização da informação proporcionada pela internet e pela blogosfera. Informar, mesmo que a informação não seja relevante, ficou muito mais fácil. Basta um computador, uma ligação à internet e a disposição para ter um blog, que em alguns casos é mesmo um jornal pessoal. Cria-se, aqui, um novo fenômeno que são os pequenos nichos, com assuntos para todos e para os gostos de todo mundo.

A diversificação, a enxurrada de informação e a sua horizontalizarão se de um lado tem um aspecto positivo, de outro, na análise de Regis Debray, tem também o negativo. Hoje, a internet é o repositório do que há de melhor e do que há de pior no mundo. Um mau exemplo? O caso dos pedófilos. Um bom exemplo? A facilidade para conseguir dados sobre qualquer assunto.

O meio, como toda tecnologia, não é nem bom, nem mau. Bom ou mau é o uso que dele se faz. A internet abriu espaços e oportunidades. Mas se traz o que é bom, tem também o que é pior. O filtro – aliás, como em toda ação humana – cabe a cada um de nós.

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