MORANDO TÃO PERTO E VIVENDO TÃO LONGE

Há alguns dias saindo do elevador do prédio onde moro e chegando à  garagem encontrei-me com uma vizinha com quem convivemos desde que nos mudamos para nossa casa atual, o que faz bastante tempo. Ao me ver, comentou que havia muito tempo que não nos ví­amos, não nos encontrávamos. E era verdade. Paramos por um momento, trocamos algumas palavras e seguimos adiante, cada um preocupado com o que tinha de fazer, com horários, compromissos, etc.

Depois que cumpri compromisso previamente agendado, fiquei pensando no que aconteceu e me veio à  memória uma frase que disse a essa nossa amiga e que me levou a uma maior reflexão sobre o momento em que vivemos. A frase é a do tí­tulo: Morando tão perto e vivendo tão longe. Foi a forma que encontrei para justificar que, morando no mesmo edifí­cio, nos encontremos tão pouco. É que a vida nos faz ter horários e atividades diferentes, nos deixando distantes uns dos outros.

Morando em prédios, muitas vezes com dezenas de apartamentos, temos dezenas de vizinhos, mas pouco nos encontramos com eles. Às vezes no elevador, subimos com alguém, mas é o tempo para um cumprimento, perguntar se tudo está bem. É o mesmo que encontrar um conhecido na rua, a caminho de um compromisso. Na verdade, a proximidade da moradoria não nos aproxima como pessoas e não sei se ocorrem com você, mas fico sem ver alguns vizinhos durante meses. Nossas chegadas e saí­das nunca combinam e, por isso, só os vejo de forma esporádica.

A vida moderna nos impõe um ritmo que nos faz sentir como se o tempo estivesse sendo comprimido, dando-nos a impressão de que passa de forma muito mais rápida do que há algum tempo. As horas continuam tendo 60 minutos, mas voam. Os meses ainda tem 30 dias, mas passam muito mais rápido e bem o ano não começou, já estamos em março. Vivemos em um ritmo muito mais rápido, frenético às vezes, e uma das consequências é que não mais temos tempo para cultivar as pessoas.

A correria, a pressa, o cansaço, o stress e a série de atividades que se sucedem fazem com que, ao chegarmos em casa, queiramos tranquilidade, descanso e, com isso, acabamos nos encastelando, deixando de lado as relações pessoais. Por isso estamos vendo menos as pessoas, sobretudo as mais amigas, que também tem ritmo semelhante ao nosso e acaba nos levando à  constatação de que morando tão perto – muitas vezes uma ao lado da outra – acabamos vivendo tão longe.

Ao que parece, o mundo pós-moderno está nos transformando, mais e mais, em ilhas. Será que estou certo?

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