MANDADO PELAS MULHERES

Olhando-se a história, encontramos momentos e lugares em que o mando, mesmo o político, era das mulheres. Em espaços e tempos determinados, a humanidade viveu sobre o matriarcado, com as mulheres ocupando o proscênio e os homens ficando na segunda linha. Ao longo da história, as coisas foram mudando e as mulheres foram retiradas de cena, passando ao lar e ficando atrás de portas e janelas fechadas. Para isso contribuiu uma nova moral, trazida por cristãos, inovando no comportamento humano e no relacionamento entre homens e mulheres.

A partir do século XX, com o aumento do movimento feminista, as mulheres começaram, de novo, a ganhar força. Deixaram de ser só esposas, ocupando novamente o palco e em pé de igualdade com os homens. Hoje, as temos nos mais importantes postos, sejam eles na iniciativa privada, seja no poder público. São ministras, deputadas, senadoras, diretoras, etc. etc. etc., profissionais do mais coturno, capazes e que podem disputar cargos e funções em pé de igualdade com os homens.

Mas isso não significa que estejamos voltando ao matriarcado. E é, de um lado, esta instituição e, do outro, a maior liberdade feminina, que me leva a comentar o tema. E ele não surgiu do nada, mas foi objeto de uma boa matéria na edição de domingo do jornal A Tribuna, de Vitória. O que lá relataram era a fundação, em várias cidades brasileiras, de uma associação de homens que são mandados pelas mulheres. Não, não é piada. As associações existem, tem associados e eles se reconhecem como sendo adeptos do matriarcado, aceitando ordens e fazendo tarefas que, normalmente, a eles não são atribuídas.

É claro que, no final, trata-se de uma brincadeira. Mas ela serve para ressaltar o fato que se ainda não estão no mesmo pé, as mulheres ocupam mais e mais espaço e tendem a ampliar sua participação, até por serem maioria da população, brasileira e mundial. Voltando às associações, elas criaram até um decálogo e, nele, são alinhadas as várias situações em que os homens devem se curvar à vontade das mulheres, inclusive fazendo o trabalho doméstico. Diverti-me com a matéria e ela me levou a outra questão, desta vez, pelo que sei, envolvendo apenas pessoas de Vitória.

Como brincadeira, algumas pessoas – dentre os quais um amigo – fundaram a “associação dos cornos”. Sim, isso mesmo. E ela tinha reuniões periódicas, com sócios permanentes e até honorários, uma distinção dada àqueles que, reconhecidamente, ostentavam “galhos” vistosos na cabeça e dos quais todos sabiam, menos eles próprios. E a diretoria, meio de pândega, acabava convidando ilustres figuras locais para se integrarem à associação. Eram, às vezes, recebidos com sorrisos, mas também eram rejeitados de forma meio furiosa.

As duas associações – de mandados pelas mulheres e dos cornos – nos mostra que somos capazes de rir de situações que, às vezes, podem ser constrangedoras. Ou estereotipar, pelo lado da diferenciação, uma situação como é, ainda, a dominância masculina. Rindo de nós mesmos ou provocando o riso, podemos chamar a atenção para a estigmatizarão de algo como a traição ou provocar os homens – e as mulheres – devido a uma disputa de poder, hoje muito mais balanceado, mas ainda pendendo para o masculino.

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