INICIANDO UMA NOVA DÉCADA

Meu avô materno criou duas famílias. Primeiro, a sua própria, com mais de 10 filhos. Depois, ajudou a criar a de um filho, também farta. Nessa tarefa dedicou a maior parte de sua vida, só deixando-a quando, nos dois casos, todos estavam adultos e encaminhados. Na época, ele já tinha netos e fez a opção de, liberto dos afazeres familiares, viajar. “Padrinho”, como eu o chamava – pois era, na verdade, meu padrinho de batismo – aproveitou a vida, viajou muito, conheceu lugares e pessoas, mas sempre voltava à origem.

Ele era, também, um bom contador de histórias, talvez até por tê-las contado infinitas vezes, primeiro para os filhos e, depois, para os netos que também foram seus filhos. Eu gostava de ouvi-lo e isto já foi objeto de assunto no blog. De certa forma, ele foi o meu espelho, onde me olhei para tomar uma série de ações ao longo da vida. Mas por que tudo isso agora? É que exatamente agora estou iniciando mais uma década, ainda bem longo da idade do meu avô, mas, espero, caminhando para ela.

A propósito de idade e de vida, nunca me imaginei com anos à frente, como seria a vida, o trabalho, a família. Não que não pensasse no futuro, pois pensei nele, e muito, agindo para a sua realização, inclusive em relação a família e filhos. Mas estive longe de imitar o meu Padrinho que, concluído o seu trabalho, optou por uma outra atividade que o gratificava, que era viajar, ver os netos, filhos, parentes e conhecer novos lugares. O gosto pela viagem, é verdade, eu tenho. E fui a lugares que meu avô sequer sonhou em conhecer. Fui mais longe que ele, não só imitei como superei os seus passos.

Mas em outros aspectos, estou longe dele. E fico, agora, imaginando como será o futuro, os caminhos que irei percorrer, as tarefas que irei cumprir e, sobretudo, se, como meu avô, chegarei com saúde e lucidez aos mais de 90 anos – na verdade, ele morreu dormindo aos 96. Graças ainda à mudança de idade, fico olhando para trás e vendo o que fiz. Não criei duas famílias, mas fui e sou responsável por uma e, no caso dos filhos, apliquei o que meu avô me dizia, que era prepará-los para viverem sua própria vida. Acho que nisto consegui sucesso.

Ao completar mais uma década e iniciar outra, tenho orgulho do que sou, do que fui e do que fiz. Fiz opções e tomei decisões que me trouxeram onde estou hoje. Certas ou erradas – e acho que foram certas – elas ajudaram a fazer o que sou hoje. E para elas, desde há muito, sempre tive o total apoio da família, a compreensão dos filhos, o suporte dos amigos. Acho que, olhando em perspectiva, isso me traz uma tranquilidade de, ao longo deste tempo, ter feito – ou pelo menos procurado fazer – o que acho correto.

Olhando o que fez e o que dizia o meu avô, hoje o entendo muito mais. O retrato que fiz dele, idealizado ou não, me ajudou na longa travessia feita até agora. Mas não foi só ele. O suporte recebido dos meus pais, o apoio da família, as amizades variadas, tudo contribuiu para me fazer o que sou hoje. A tudo só tenho de agradecer, afinal, tenho mais que muitos.

Ao completar mais um ano de vida e iniciar uma nova década, o melhor que tenho a dizer é Muito Obrigado. À vida, ao trabalho, à família e ao mundo que me permitiu ser o que sou. E que, certamente, me permitirá continuar para, talvez, amanhã, me enquadrar o retrato do meu avô.

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