FOMOS CRIADOS OU EVOLUÍMOS?

A Teoria da Evolução, desenvolvida por Charles Darwin e que provocou uma verdadeira revolução em como a ciência via a vida na Terra, está fazendo 200 anos. Neste tempo, por mais que se tentasse, ela não foi desmentida. Nem por isso as discussões sobre a evolução esfriaram. Pelo contrário. Nos últimos anos, com o aumento do fundamentalismo religioso, sobretudo do fundamentalismo cristão, a teoria tem sido muito contestada, opondo-se a elas todos os que entendem que o homem e toda vida terrena é a criação de um ser supremo.

Olhando a questão, há para ela múltiplas abordagens. Não quero discutir princípios religiosos, nem crenças. Mas uma questão tem de ser posta: Será a ciência incompatível com a religião, com a crença em um ente superior? Tem gente que diz sim à  pergunta e argumenta que a religião, tirando o foco do material, acaba distorcendo a visão científica. Os apologistas do ateísmo vão um pouco mais longe e afirmam que a religião deve ser proibida. O radicalismo, aliás, existe dos dois lados e, em alguns casos, os exemplos de intolerância religiosa não contribuem muito para amainar o problema. Lembre-se que o próprio Darwin foi considerado herege e sua teoria, repudiada.

Não tenho conhecimento para discutir a fundo as questões levantadas, de um lado e do outro, neste embate sem fim. O que tenho visto é que muitos homens de ciência são, também, homens de crença. E isso não os impede de conseguir avanços científicos e de se transformarem em exímios pesquisadores. De outro lado, tenho visto, também, exemplos de intolerância religiosa que raia quase ao obscurantismo, fazendo com que o ser humano se submeta ao desígnio de um ser superior e acabe se anulando ou, então, seguindo líderes que os anula. Defendo a liberdade de crença, mas acho que ela não pode interferir com o progresso da ciência.

Minha opinião, no final, não é importante e nem faz a mínima diferença. Mas a questão posta, sim. É inegável – até pelo tempo em que está de pé – a robustez da teoria desenvolvida por Darwin. O fato de ele dizer que evoluímos, aliás como tudo na terra, em nada afetou a crença em um ser superior. Se ele realmente existe será que quereria que a humanidade ficasse estagnada? Que não progredisse? Que não se empenhasse em pesquisas que podem ajudar as pessoas? Que não adotasse técnicas que podem salvar vidas? Que deixasse de procurar a cura para as doenças?

Acho que não. Se há um ser superior, seja ele chamado de Deus, Senhor, Alá, Buda ou qualquer outro dos milhares de nomes que tem, e se preocupa com quem nele acredita, não haverá, certamente, de querer uma estagnação. Sob este ponto de vista, quem é contrário à  ciência também o é contra este ser. O homem tem livre arbítrio que, creem os religiosos, foi dado por deus. Por que, então, ele daria esta dádiva se não fosse para ser exercida? à‰ exatamente este livre arbítrio que permite ao homem, ao mesmo tempo em que acredita em um ser superior, desenvolver teorias como a de Darwin ou se dedicar ao máximo ao avanço da ciência pensando que, no final, está trabalhando pela humanidade como um todo.

Idólatra? Herege? Quem assim classificou Darwin ficou perdido na história. Ele e sua teoria ainda estão presentes. Seu nome consagrado como um dos grandes cientistas da humanidade e sua teoria provada e comprovada em vários pontos e com várias espécies, inclusive o homem. A religião, neste caso, não deve ser uma amarra, embora possa estabelecer parâmetros éticos para a pesquisa. Querer negar os avanços da ciência ou a impedir de pesquisar é ficar contra a própria vida e, isso, certamente, nenhum ser superior aceitaria.

FAZ SENTIDO?

Talvez você não saiba, mas anda rodando a blogosfera um meme que nos pede que peguemos o primeiro livro à  nossa frente, abrindo-o na página 161. Nela, escolhemos quinta frase, completa, e a postamos no blog. Será que faz sentido? Se acha que sim ou tem certeza que não, leia o parágrafo abaixo:

“Os pais de Portinari estavam já levantados quando chegamos à  leitaria. Com o feriado ou sem feriado, tinham animais para mungir. Resmungando bastante, o homem idoso colocou à  nossa frente um prato de carnes frias, assim como um jarro de leite, enquanto Portinari, quando o pai se encontrava de costas, conseguia furtar algumas bebidas alcoólicas”.

Leu? E então, a que você acha que se refere? Provavelmente, por mais que tente não irá acertar. O trecho foi tirado do livro O Enigma de Malacia, escrito por Brian Aldiss e publicado pela Livros do Brasil, uma editora de Portugal, na sua coleção Argonauta, que é composta de livros de ficção científica. O livro de Aldiss, um dos mais consagrados escritores deste gênero, é um deles e fala em uma sociedade que mistura aspectos medievais com criaturas hibridas e estranhos comportamentos. O meme me foi passado pela Ceci, do Viver Melhor. E como tenho de indicar outros blogueiros, quero que fiquem à vontade para a ele aderirem.

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