ELEIÇÃO, DEMOCRACIA E PARTICIPAÇÃO

Conhecidos os eleitos em todo o Brasil – Presidente, Governadores, Senadores, Deputados Federais e Deputados Estaduais – talvez seja conveniente fazer uma reflexão sobre a eleição, em si, o que ela representa para a democracia e, nesta visão, abordar a questão da participação dos brasileiros nas escolhas de seus representantes em níveis estadual e federal.

Não sou daqueles que brigam com os números, mas eles oferecem uma visão interessante do embate eleitoral no país. Tomemos o caso da Presidência da República que, de longe, é a eleição com maior participação e, corriqueiramente, a que mais envolve o eleitor, o cidadão, que muitas vezes alinha-se a uma candidatura, defende-a e estimula a participação de outros. Neste caso, tínhamos mais de 135,8 milhões de brasileiros aptos a votarem nos candidatos – Dilma Roussef e José Serra – que queriam ocupar a cadeira no Palácio do Planalto.

Do total, quase um terço – exatos 28,7% se não errei nos cálculos – ou deixaram de votar, ou votaram em branco ou votaram nulo, configurando, claramente, o desejo de não participação na eleição, seja por ignorá-la – os que não votaram – ou através do protesto do voto em branco e nulo. Esta parcela do eleitoral aproxima-se, quase, daquela que escolheu o ex-governador José Serra como o seu preferido para comandar o país, pois representam, em números redondos, 39 milhões de eleitores.

Olhando-se a questão a partir do número de eleitores, a candidata eleita, Dilma Roussef, na verdade obteve 41% dos votos dos brasileiros e o candidato José Serra, 32,2%. Se ao número de Serra somarmos o percentual de quem não participou ou não votou, chegamos a 69% do eleitorado, o que equivale dizer que a nossa presidente, no final, teve 41% dos votos, em números absolutos. Poder-se-ia dizer, com base nos números, que a grande maioria da população não é favorável ao Governo.

O fato, no entanto, é que democracia se faz com participação, tanto no que se refere ao sistema proporcional, quando ao majoritário, que é o caso da Presidência. A não participação pode, efetivamente, representar um protesto, não deixando de ser também uma postura política. O eleitor está dizendo que não se interessa pela política ou que não quer votar em nenhum dos candidatos. O que não vale, no meu entender, é depois querer justificar o que o eleito fizer dizendo “eu não votei nele”.

Já disse aqui, mais de uma vez, que a política é fundamental e somente através do seu exercício é que podemos influir nos rumos da cidade, do Estado e do pás. Ao não participarmos de uma eleição, ao deixarmos de votar, ao anular o voto ou dá-lo em branco estamos abrindo mão desta participação e, com ela, pode-se mudar eleitos, mudar rumos e colocar nos cargos pessoas que, sabemos, são melhores preparadas para eles. A democracia participativa, como disse Churchill certa vez, pode não ser o melhor regime, mas até agora não inventaram nenhum melhor do que ele.

E se é participativa, ao abrir mão da participação, estamos abdicando do poder de influir, de determinar os rumos que queremos para nossas cidades, Estados e pás. Sem participação não há democracia. E quanto menor ela for, mais todos perdem, pois prevalecem no final, não os candidatos que queremos, mas aqueles que, por não participarmos, acabam chegando ao poder. Só vamos mudar isso quando conscientemente todos participarmos e contribuirmos para eleger nomes melhores.

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