DO QUE SOMOS CAPAZES?

Quem acompanha o noticiário deve ter visto a notícia de um pai que, no Espírito Santo, atirou duas filhas pequenas em um rio, matando-as. Como capixaba, talvez tenha tomado conhecimento da informação antes de outros. E ela me chocou. Fiquei pensando, ao ver a manchete de um dos jornais de Vitória, o que poderia levar alguém a assassinar seus próprios filhos e, aparentemente, de forma premeditada, como vingança de uma relação desfeita. Confesso que não tive disposição para ler o material. Depois, no rádio, a caminho do trabalho, acabei sabendo de alguns detalhes.

O crime não é o que quero discutir. Na verdade, ele me chamou a atenção para uma questão, posta no título: Do que somos capazes? E quando faço a pergunta refiro-me, como todos já devem ter notado, aos humanos, homens e mulheres. Como pessoas – e como humanos – somos capazes de feitos extraordinários, descobrindo, inventando, ajudando, participando e tornando o mundo um pouco melhor. Mas somos, também, como mostra a informação sobre o pai capixaba, capazes do pior.

Do meu ponto de vista é inimaginável um pai assassinar o próprio filho. Não consigo entender como se pode chegar a isso e pergunto: Será algum tipo de loucura? Há pouco tempo tivemos a história do casal Nardoni, agora condenado pela Justiça pela morte da filha dele. No rastro dele, acompanhamos o noticiário de outros atos de pais e mães relacionadas aos filhos, até chegarmos ao caso capixaba. Como humanos, podemos ser violentos. Mas ao longo da história da humanidade não há muitos momentos em que pais se voltam contra os filhos. É mais comum vermos o inverso, com filhos voltando-se contra os pais.

A paternidade – e a maternidade -no meu entender nos coloca em outro nível. E não só por vermos a continuação de nossa linhagem, mas pela oportunidade de colocar no mundo uma nova pessoa, direcionar-lhe os rumos, dar-lhe uma base sólida em que se apoiar e iniciar o caminho que a irá levar ao seu destino. Como pai, tenho orgulho do que fiz. E muito orgulho dos meus filhos, hoje crescidos, profissionais reconhecidos nas áreas em que atuam. Acho que tive algo a ver com o sucesso que fazem e tem. E não vejo como poderia agir de outra forma.

O fato, no entanto, é que temos pessoas que, possuídas, loucas ou desequilibradas, ignoram os laços com sua prole, ignoram a paternidade, a maternidade e premeditam, como fez o meu conterrâneo capixaba, um destino diferente para os filhos. No caso dele, a morte. Uma forma de vingar-se do abandono pela esposa, que o havia deixado e que não concordava em reatar o relacionamento. Não foi, talvez como ele desejasse, eterno. Mas deveria se conformar com ter sido bom – ou não – enquanto durou.

Acho que tirar a vida de alguém, seja em qualquer nível, é inominável. Não há guerra ou crime que justifique matar alguém. E se se trata de filhos, então, nem é preciso dizer. Ao ver a informação, o que primeiro me ocorreu foi perguntar: como alguém pode fazer isso? Eu não tenho teorias, não vi explicações que me convencesse. Acho, como já afirmei, inominável o que foi feito.

E continuo com a questão: Do que somos capazes? Você saberia me dizer?

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