DEUS, LIVRE ARB͍TRIO E DESTINO

Você acredita em Deus? Não, a pergunta não é retórica, mas, na verdade, não foi destinada a você que está lendo. E isso ocorre até porque, tal como ocorre com a população, pelo menos oito entre 10 pessoas irão responder afirmativamente. A pergunta, na verdade, foi feita aos capixabas em uma pesquisa da Futura, instituto local que avalia, periodicamente, a opinião dos residentes no Espírito Santo sobre vários assuntos. Um dos últimos foi a religiosidade e os números, os resultados, acabaram chamando minha atenção.

Uma das questões que mais me chamou a atenção foi a anteposição do livre arbítrio – a possibilidade de, como humanos, fazermos escolhas e elas determinarem o que fazemos – e o destino – quando tudo já está pré-determinado, não nos oferecendo a chance de mudar, nem o presente, tampouco o futuro. Considerando a margem de erro da pesquisa, como diriam o especialistas, temos quase que um empate técnico. A Futura apurou que, no caso dos capixabas, 49% acreditam no livro arbítrio, mas 43% acreditam que o nosso destino já está traçado e que isso é feito por uma força superior a qual estamos subsumidos.

Sempre soube que a religião está integrada à vida das pessoas, mas não tinha a dimensão da questão do livre arbítrio versus destino. Na verdade, em se tratando especificamente dos capixabas, que tem uma forte cultura religiosa, acreditava até que a parcela dos que acreditam no destino fosse maior. Não é. O fato, pelo menos é o que indica a pesquisa, é que no entendimento dos meus conterrâneos crença em um ente superior pode conviver com escolhas pessoais e com a crença de que são elas que determinam o que somos.

Outro fato curioso é que, no universo pesquisado – e que, depois, foi extrapolado para todo o Estado – 9,9% dos entrevistados afirmam não ter religião, mas não há uma única resposta de alguém que tenha se declarado ateu. Zero por cento dos capixabas, de acordo com a pesquisa, são ateus. Estatisticamente, talvez até seja, mas no meio em que convivo conheço várias pessoas que, além de não ter uma religião, não acreditam na existência de um deus ou de um ente superior. Talvez isso esteja mascarado na resposta Sem religião.

Na divisão das religiões, as classes sociais ficam bem marcadas. O volume de católicos é muito maior nas camadas mais instruídas e melhor remuneradas da sociedade. Em contrapartida, os evangélicos, sobretudo os pentecostais, encontram sólido porto nas classes C, D e E. Não que, nelas, não haja maioria de católicos. No Espírito Santo e no Brasil a Igreja Católica ainda é dominante, apesar do crescimento dos evangélicos. Por fim, um último número: Segundo os dados apurados pela Futura, 73% dos entrevistados afirmaram que já nasceram dentro da fé que professam, mostrando quão grande é a influência familiar não só na escolha, mas para se seguir uma determinada religião.

Bem, se você chegou até aqui é hora, então, de responder à pergunta inicial: Você acredita em Deus? Se, sim, como é que equilibra a questão da livre escolha com a determinação da vida? Afinal, na crença, é Deus ou o homem quem determina o seu destino? Certamente, você deve estar perguntando qual seria a minha resposta. Sim, acredito na existência de um ente superior, mas não que ele determine minha vida. Acho que minha vida é determinada pelas escolhas que faço ou que sou levado a fazer. Causa e consequência, portanto.

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