CONSTRUINDO O GRANDE IRMÃO

Um dos meus interesses, como aponta uma das categorias do blog é a tecnologia. Procuro, dentro do possível, estar atualizado nos equipamentos que uso – computadores, celulares, etc. – e de ler sobre o que está¡ acontecendo no mundo tecnológico. Uma das minhas fontes corriqueiras é a Wired, revista dos Estados Unidos, na sua versão impressa – ou para iPad. A propósito dela, a versão on line também é ótima, com o único inconveniente sendo o inglês, o que limita o acesso de muitos.

Nesta semana baixei o último número da Wired e o título da capa me chamou a atenção: Dentro da Matrix (Inside the matrix). Curioso, pensei que se tratasse de algo relacionado à trilogia dos irmãos Wachowski, com inteligências artificiais simulando um mundo real. Fui direto ao artigo e descobri que era bem diferente. Fala dos esforços do Governo do Estados Unidos para coletar informações, de fora e de dentro do país, com investimentos bilionários em computadores de última geração e invasão de privacidade de todo mundo.

Sem alarde e de modo quase secreto, os Estados Unidos está¡ construindo o grande irmão, uma imitação muito mais avançada do sistema de vigilância pensado por George Orwell no seu romance 1984. A diferença básica entre o romance e a realidade é que esta é muito mais tenebrosa do que acontece no livro. Hoje, os Estados Unidos já¡ tem a capacidade de ouvir telefonemas, ler emails, obter dados bancários e os usa, com um sistema de mineração de dados, para acumular informações sobre os seus cidadãos, de moradores de outros países, de empresas e até de Governos.

Atualmente, de acordo com a Wired, dois passos estão sendo dados para instituir, de vez, o grande irmão. Um, é a construção de um imenso centro de dados. Eles irão receber e processar tudo o que a Agência de Segurança Nacional dos EUA coletar – dentro e fora do país. Outro, o desenvolvimento de um supercomputador, extremamente rápido, que será empregado para a quebra de códigos, tornando possível romper o padrão atual de 256 bits. Quando chegarem a este ponto – e não se chegarem – a vida de todos estarão expostas, sob constante vigilância.

Tomemos como exemplo uma transação bancária. O dinheiro tornou-se virtual, circulando por circuitos eletrônicos e é neles que a ANS captura as informações. Sabe que houve uma determinada transação, com o dinheiro indo de um para outro lugar, mas não consegue detalhes devido à criptologia. Os dados encriptados – e todos eles o são, pelo menos no mundo financeiro – não podem ser esmiuçados pela quase onipresente Agência de Segurança Nacional. Ela só pode decifrá-los se o banco oferecer a chave da criptologia. Ou então, se quebrar o código.

Como existem leis que determinam como o fornecimento de dados deve se dar, a Agência caminha para o outro lado, que é a busca de quebrar os códigos usados. Quando o fizer – repetindo, é questão de tempo – todo mundo, TODO MUNDO, estará¡ exposto e passar sob o microscópio da ANS. Ah, você não está nos Estados Unidos, então não tem importância? Engano. Todos nós usamos a Internet e os principais enlaces dela passa pelos Estados Unidos, então também estamos sendo espionados.

A rede que está¡ sendo estendida não visa só ao local, mas quer ouvir e acompanhar o mundo. E com o término do novo centro, de mais de um bilhão de dólares, a Agência terá¡ capacidade de armazenamento para guardar e processar todos os dados. De outro lado, computadores superpoderosos estarão decrepitando dados, fechando o cerco à informação. É o grande irmão por excelência.

Olhando o romance de Orwell, o esquema da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos é muito mais maquiavélico. Em 1984 as pessoa sabiam que eram vigiadas. No caso da ANS, acham que tem liberdade, mas o grande irmão está¡ de olho nelas. E pode agir a qualquer momento, provocado por uma simples palavra dita ao telefone.

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