CHAFURDANDO NA LAMA

Todos nós, em determinados momentos, nos lembramos do que fizemos há muitos anos, começando pela infância e pelas “artes” feitas, algumas conhecidas – e punidas – pelos nossos pais, mas outras que ficaram imunes e para as quais temos um sorriso quando a lembrança retorna. Todos nós, hoje adultos, tivemos bons momentos na infância. E é claro que a memória não é só do lado bom, pois temos sempre alguma coisa que procuramos esquecer, apesar de sempre nos vir à  mente o que aconteceu.

No final de semana minha filha, que não é mais criança, esteve conosco e quem tem filhos sabe como é bom tê-los ao seu lado. Eles nos trazem os bons momentos da infância que acompanhamos e, muitas vezes, nos faz lembrar da nossa. E foi o que aconteceu comigo. Lembrei-me de um tempo em que era cercado de primos e amigos e que uma das nossas maiores diversões era sair na chuva, molhando-os e brincando nas poças de água que se formavam na estrada que passava em frente as nossas casas.

Morávamos, na época, no interior do Espí­rito Santo e éramos vizinhos de um tio, que tinha vários filhos, e de dois outros amigos da famí­lia, também com prole que, hoje, pode ser considerada numerosa. Acho que, no final, juntávamos seis sete meninos que achavam que a coisa mais divertida era entrar na lama, passando nas poças de água e sujando-se todo, chegando ao máximo de “tomar banho” nelas. Nesta época, eu andava permanentemente calçado, o que não ocorria com a maioria dos meus primos, e minha mãe detestava quando eu me sujava todo. Ela se importava, eu não.

Mesmo sabendo que mamãe ficaria brava, eu acabava escapulindo junto com meus primos e, em turma, nos divertí­amos muito correndo na chuva e entrando nas poças, que ficavam vermelhas, da mesma cor da terra da estrada por onde passavam mais gente montada a cavalo do que veí­culos automotores. Aliás, apenas meu tio, que era o maior fazendeiro da região, é que tinha carro. Todos os outros nossos vizinhos andavam a cavalo, o meio de transporte mais comum. A estrada – não uma rodovia, como temos atualmente – era só nossa. Em bando, corríamos, o que já provocava sujeira por todo o lado, mas não ficávamos só nisso, atirando água suja contra os outros.

No final, o que tí­nhamos era um bando de crianças pingando água suja, com a roupa toda vermelha, encharcada. Éramos sujeira da cabeça aos pés, mas ficávamos felizes. Brincar na chuva era algo recorrente e que só não fazí­amos quando éramos estritamente vigiados, o que ocorria nos dias de missa ou de alguma outra festa na casa de alguém ou no pequeno povoado, próximo de onde viví­amos. Se estas condições não estavam presentes, todos nós aproveitávamos o momento da chuva e viví­amos, literalmente, chafurdando na lama.

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