CARA FEIA OU SORRISO ABERTO?

Cara fechada significa mau humor? E um largo sorriso representa felicidade? Faço as perguntas a partir do fato de que temos o hábito de rotular as pessoas apenas olhando-as e associamos sorriso a felicidade e cara fechada ao mau humor. É fato que o sorriso abre portas. Mas uma cara séria, em princípio, não significa que a pessoa não esteja alegre, não tenha um alto astral. Nesse sentido, observar as pessoas logo pela manhã é revelador. A maioria não sorri, mostrando-se séria. Será que isso indica infelicidade? Acho que não, mas concordo que um bom sorriso é revelador e ajuda, como no caso de Barack Obama que só no dia da posse, apesar dos gigantescos problemas, sorriu mais do que George Bush em oito anos. O seu sorriso, aliás, ajudou-o a ganhar o cargo. Pode ser assim também conosco e o sorriso se transformar em um bom instrumento. Mas nada indica que, ao ficarmos sérios, não vamos conseguir o que queremos. Enfim, cara feia ou sorriso aberto? Ou talvez seja cara séria, mas com sorriso.

Sempre que alguém fala em felicidade, ela é relacionada ao sorriso, de um modo geral, e ao bom humor. Uma pessoa sorridente é dada como feliz. E quem aparece de cara amarrada, emburrado, é dado como infeliz. Construímos, a partir da aparência, um estereótipo que classifica as pessoas, rotulando-as e fazendo com que a vejamos de um certo jeito e não de outro.

Será, no entanto, que o sorriso reflete felicidade e a seriedade, não? A pergunta não tem o sentido de apurar se é ou não verdadeira a afirmação. E é feita mais no sentido de constatação do que de uma inquirição. Mas ela tem uma razão, que é pessoal e partiu da observação da posse de Barack Obama na Presidência dos Estados Unidos.

Quem se deu ao luxo de acompanhar um pouco da posse viu um presidente sempre sorridente, atencioso com todos, especialmente com a mulher, de quem não perdia a oportunidade de ficar próximo, de tomar-lhe as mãos e de abraçá-la. Comentei com algumas pessoas que estavam ao meu lado acompanhando a posse que Obama, em um só dia, tinha sorrido mais do que George Bush em oito anos.

A partir dessa observação, fiquei, no dia seguinte, curioso para ver como é que as pessoas estavam. Como sai bem cedo de casa, passei a observar os rostos, principalmente de quem estava nos pontos de ônibus. É interessante observar, mesmo que passando e de longe, como as expresseis são diferentes. Tem gente com rostos serenos, mais sérios. Tem outros que estão conversando, de forma descontraída. E tem outros que que aparecem emburrados, de cara fechada. Vi alguns sorrisos, mas poucos.

O que mais vi foram pessoas sérias, compenetradas. Talvez o fato de acordarem cedo e irem trabalhar as façam assim. Fiquei imaginando, no entanto, se dá para julgar alguém e ao seu humor apenas olhando-o no rosto, pela manhã ou em qualquer hora do dia. Será que uma cara fechada representa mau humor? Será que o sorriso é autêntico e mostra uma pessoa bem humorada? Não sei responder.

A observação foi rápida, mas fiquei pensando na facilidade com que construímos estereótipos. Se quem ri é bem humorado, estaremos levando em conta o sorriso profissional? E quem é mais sério é mau humorado? Não dá, simplesmente por um olhar ou a partir de uma postura, para colocar um rótulo em alguém. E tomo isso por mim. À primeira vista, sou fechado. Mas quem comigo convive acaba descobrindo que não o sou.

O rosto, a expressão, podem mostrar muito, revelando o nosso astral, se estamos bem ou não. Isso, no entanto, não significa que a expressão de um momento seja válida para o todo. Rimos profissionalmente e isso não revela nossa felicidade ou bom humor. E muitas vezes sérios, somos bem humorados. Mas não há dúvida que um sorriso abre portas, facilita e contagia.

E a amostra mais cabal disso é Barack Obama. Foi com um bom astral e um sorriso largo que, primeiro, ele conquistou os democratas e, depois, fez história transformando-se no primeiro presidente negro dos Estados Unidos. E foi embalado em sorrisos que assumiu um dos piores abacaxis do mundo, que é consertar a economia norte-americana. Se olharmos bem, não tinha nenhum motivo para sorrir. Mas o fez e, com isso, deu esperanças a muita gente.

Será que o sorriso dele não é um exemplo para todos nós? Será que se sorrirmos mais não tornaremos mais leve nossas carga? Será que o caminho não ficará mais fácil? Diz a ciência que sorrir faz bem. Acredito nisso. No que não acredito é em colocar rótulos nas pessoas apenas olhando suas faces.

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