BRINCANDO COM O DESAGRADÁVEL

Como você reagiria se estivesse em um local público e, ao seu lado, alguém soltasse gases com um belo (?) barulho? Pois é. Este é um assunto que constrange e embaraça, mas que também é motivo de riso e pode provocar programas de televisão, como o que vi nestes dias, que criou um concurso para descobrir que alimentos tinham maior efeito na produção de gases. Ganhou, com sobra, o feijão, o brócolis e o repolho. Acrescente a eles o refrigerante e seus gases e temos uma verdadeira "bomba". Depois de sua ingestão é só sair atirando a torto e a direito. Se um programa de TV não serve de exemplo, que tal o sucesso que pequenos aplicativos que simulam - sim, isso mesmo - a soltura de gases fazem no App Store, a loja da Apple que vende programas para o iPhone e iPod Touch? O mais baixado na área de entretenimento é exatamente um que simula um, você sabe. Mas se há embaraço na nossa cultura, em outras podem ser diferentes. Digo isso com alguma experiência, pois já estive em um elevador no Japão com japoneses soltando gases e arrotando. E fazendo isso com a maior naturalidade. E você, o que acha? Como conviviria com situações em que um, vamos dizer assim, pum saia de forma inadivertida? Riria ou se constrangeria?

Uma das coisas mais constrangedoras, sem dúvida, é a flatulência – um nome neutro para algo conhecido, e bem conhecido, por outro nome. Além disso, ela é também embaraçosa, deixando as pessoas em situações ridículos ou, muitas vezes, como se diz na gíria em uma saia justa. Um descuido, e pronto. Tudo vai por água (?) abaixo. Também não é um assunto fácil de abordar, principalmente devido à dificuldade de nela falar sem o uso de suas denominações mais populares.

Apesar de tudo isso, existem meios de se falar da flatulência, primeiro, como um problema de saúde, que deve ser encarado de frente, tratado e, com isso, controlado. Este é o lado sério da questão, tratado na intimidade dos consultórios médicos e não passando das portas deles. Fora dali, pode-se sempre dizer que se está de dieta, que não gosta de um determinado alimento ou, mesmo, que se está indisposto para ingerir determinado tipo de comida que, sabemos quase todos, são produtores de gases e, com isso, podem provocar a flatulência.

Há, contudo, um outro lado. E prova disso é que, passando pelos canais da TV paga, deparei-me com um programa produzido na Austrália sobre flatulência. Sim, e abordando o tema pelo lado cômico. A TV promoveu um concurso para descobrir que alimentos provocariam mais gases e, como consequência, a sua liberação, começando pela alimentação tradicional e combinando alguns tipos de comida. A intenção era medir, depois da ingestão e da digestão do que foi comido, como seria – e em que quantidade seria – a liberação dos gases por quem as havia ingerido.

A combinação mais explosiva foi a que misturou feijão, brócolis, repolho e refrigerantes. Os trás primeiros fermentam no estomago e o transformam em uma central de produção de gases, o que é ainda estimulado pelos gases dos refrigerante. Para se ter uma ideia, o primeiro colocado no concurso, que havia ingerido estes ingredientes, ganhou com mais de 100% de vantagem sobre o segundo colocado. O tempo de medição foi um dia, após todos os participantes terem comido os alimentos para eles destinados. Feijão, repolho e brócolis são, na verdade, verdadeiras bombas. E foi isso o que o programa mostrou.

Ainda do lado engraçado – e no sentido de se fazer uma pegadinha – está um dos maiores sucessos da App Store, a loja da Apple que distribui e vende pequenas aplicações para o iPhone e o iPod, estão o iFart, que simula uma bela (?) soltada de gases. Na verdade, pesquisando-se na loja encontramos nada menos do que 11 diferentes programas que reproduzem o som de gases sendo expelidos. Alguns deles são grátis, outros, pagos. O EasyFart, um dos programetes, é o número 1 entre os aplicativos da área de Entretenimento da loja que atende o Brasil. Na relação dos 20 mais, estão dois destes aplicativos.

Qual o sentido dos pequenos aplicativos e de programas como os que vi? Inicialmente, estabelecer uma brincadeira, forçando uma situação em que nos vemos obrigados a falar sobre um tema embaraçoso? Pode até ser. Mas uma “pegadinha”, neste caso, irá, sem dúvida, criar algum tipo de embaraço. Será isso uma brincadeira? Não sei pelos outros, mas não a faria com ninguém. Não por não falar de assuntos embaraçosos, mas por não querer colocar outras pessoas nelas. E você, o que acha? Será que também é partidário da discrição na liberação dos gases ou não se importa de fazê-lo em público?

Sobre esta questão, um fato interessante: no Japão, soltar gases – e com todo barulho – em público é uma coisa normal, segundo me disseram. Também o é arrotar, o que, pelo que me disseram, mostra a satisfação pelo alimento ingerido. Não acreditam? Pois posso afirmar que já vi, ao vivo e em cores, isso acontecer dentro de um elevador de um hotel em Osaka, no Japão. É bem estranho, pelo menos para os nossos padres.

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