AS ESCOLHAS DOS ELEITORES

No Espírito Santo, os eleitores escolheram, na eleição do início do mês, seus representantes nas Câmaras de Vereadores. Olhando a listagem dos nomes descobri que os eleitos têm os nomes mais estranhos, apelidos de todos os jeitos. Será que eles são diferentes de seus eleitores? Acho que não. E também acho que esta é uma prova de que os eleitos representam, de verdade, seus eleitores, pois são iguais a eles. O eleitor reconhece o seu igual e é por isso que candidatos como E o vento levou ganharam. E foram muito bem votados. Mudando de assunto: A pesquisa voltou. Então, vá à barra lateral e vote.

Quem acompanha o blog há algum tempo já deve ter se deparado com textos sobre política. Sou daqueles que consideram a política fundamental, pois sem ela não há representação e nem democracia. Critico, no entanto, o que resulta do exercício da política, mas creio que os eleitos – diferentemente do que muitos acham – representam, sim, os eleitores. São, na verdade, o reflexo deles.

O político se molda ao eleitor e não este a ele. Então, se existe fisiologismo eleitoral, ele decorre da própria atitude do eleitor, aliás, como mostram livros recentes que discutem o assunto. No caso dos eleitos, no final, eles são exatamente o que eleitor queria. Se não de todos, pelo menos da maior parcela deles.

Querem ver um bom exemplo? Os nomes de vereadores eleitos. Vale, antes, uma consideração: Talvez em nenhum outro lugar do mundo exista tantos apelidos para as pessoas como no Brasil. Eu, você e quase todos os brasileiros, temos amigos com apelidos estranhos. Então, se é assim, por que com os eleitos seriam diferentes?

E não é. Basta pegar a listagem dos vereadores que foram eleitos neste 05 de outubro no Espírito Santo. Dentre os eleitos temos: Marronzinho, Véi, Arroiz, Nirró, Baiano do Seu Júlio, Zé da Tunica, Zé Maritaca e Perminha. Todos eles foram bem votados nos municípios onde se elegeram e, um deles, E o vento levou, foi o mais votado em um grande município do Espírito Santo, o de Colatina.

Mas tem mais: Zé da Paz, Dunga, Caruzinho, Juquinha, Nego Gentil, Ar, Odélio Locó, Minhoca, Sininho, Preto do Viveiro, Macuco, Tinga e Dedel. E se olharmos os partidos, eles estão em todos eles, das siglas nanicas e minúsculas, aos maiores, como PSDB, PMDB, PT, PSB e Dem. Ninguém pode, neste caso, criticar o outro, dizendo que ele tem ou teve candidatos de nomes estranhos, pois além dos eleitos, muitos outros disputaram, foram bem votados, mas não conseguiram se eleger.

E a lista continua: Bolota, Bolão, Tilica, Perereca, Magnum, Fulô da Prefeitura, Ná, Brejeiro, Bebinho, Bodoque, Cabrito, Boca, Demi Doidão e Bolinha. Não coletei todos os nomes, apenas os que achei mais inusitados e olhei só os que foram eleitos e tomarão posse no início do próximo ano. O que me parece é que, sim, o eleitor escolhe alguém que julga igual a ele e, neste caso, nada mais comum dos que os apelidos.

Minha teoria é que, com estes nomes estranhos, eles acabam chamando a atenção do eleitor e se destacam no meio de centenas e centenas de nomes de candidatos, todos em busca de um voto e do direito (dever?) de representar a população na Câmara de Vereadores. No final, olhando-se os números, alguém pode até contestar o bom gosto do eleitor, mas não dá para dizer que não são representados.

Os eleitos, no meu entender, têm a cara do eleitor, são pessoas comuns, como a maioria, e têm os mesmos desejos e sonhos de todos. Com seus apelidos estranhos ou engraçados, conseguiram a identificação com quem vota e, com isso, o voto tão necessário para se chegar ao Legislativo Municipal. E aqui encerra-se um ciclo. Outro começará a partir da posse.

Será, então, época de perguntar se eles, realmente, irão representar os eleitores e se saberão fazê-lo? Esta é uma outra questão completamente diversa. Se estão ou não preparados é outra coisa. Acho até que não. Mas será que o eleitor está? Em uma democracia ou em uma eleição o que se busca é a identificação com quem vota. É essa identificação que se transforma em voto. Nestes casos, os eleitos são, sim, identificados com seus eleitores e, portanto, seus legítimos representantes.

Poderia ser diferente? Acho que sim. Mas teríamos de ter outros eleitores. Pode ser que em um futuro seja diferente. Mais educada, a população age de forma diferente. Enquanto isso não ocorrer – e leva tempo – vamos continuar vendo os apelidos estranhos e esquisitos eleitos e bons candidatos não conseguindo votos capazes de colocá-los nas Câmaras.

A maioria dos eleitores estará representada. Uma parcela, não. E esta parcela, que é minoritária, mas tem opinião, que desconfia do processo político, das eleições e critica seu resultado, o que, aliás, é válido. Mas não há como desconhecer que os eleitos são, sim, legítimos representantes de quem os elegeu.

A volta das pesquisas

Durante um bom tempo o blog fez, a cada 15 dias, uma pesquisa. Nela, perguntou-se de tudo e, no final, entre respostas e comentários, foi bem interessante. Houve uma boa interação e como muitas vezes os assuntos eram meio que estranhos, boa diversão. Mesmo assim, resolvi que deveria parar com elas.

Agora, estão voltando. A primeira, para começar, é séria e indaga sobre os efeitos da crise no Brasil. Seremos afetados ou será como o Lula disse, apenas uma marolinha? E então, o que você acha? Dê uma olhada na barra lateral e vote. No final, vamos apurar o que os leitores do blog têm a dizer.

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