AS EMOÇÕES PELO CELULAR

No ritmo que as coisas vão, daqui a pouco teremos quase que mais celulares do que habitantes no planeta. Tem alguma dúvida? Faça uma pesquisa sobre o crescimento das vendas de celulares e verá que não estou exagerando, principalmente com o crescimento deles nos chamados países emergentes como China e Índia, onde se concentra um terço de toda a humanidade. O fato é que, como outras tecnologias, o celular chegou para ficar e passou a fazer parte de nossas vidas.

Talvez pela disseminação destes aparelhinhos que nos ajudam a controlar as coisas e acabam nos controlando é que a ciência tem se debruçado sobre eles e o que pode ser feito com o seu uso. Agora mesmo, acabaram de descobrir que unindo o celular, um programa de computador e pelo menos dois minutos de conversa é possível determinar o estado de espírito de uma pessoa, sabendo, por exemplo, se está com o coração partido, literal ou figurativamente.

Como isso é feito? A descoberta é de uma empresa de Israel, chamada eXaudios. Ela desenvolveu um programa de computador chamado de Magnify, que decodifica a voz humana e, com isso, identifica o estado emocional da pessoa. Ah, nunca ouviu falar? Pois nos Estados Unidos algumas companhias já estão usando o programa nos seus call centers e a empresa está testando o programa para uso em diagnóstico médico, indicando, por exemplo, condições como autismo, esquizofrenia, doenças do coração e até identificando o câncer de próstata.

Se, de um lado, como afirma um dirigente da empresa, o programa pode monitorar em tempo real, mostrando na tela as emoções de quem está falando, de outro – e olhando a questão apenas do lado pessoal – isso é meio assustador, transformando o celular em muito mais do que ele é. Toda moeda tem, sempre, duas faces. Neste caso, o lado bom é que ganhamos um novo meio de diagnóstico, de identificação de problema. Mas de outro, como afirma um amigo, aumentamos o poder da coleira em que o celular se transformou.

A verdade é que a nova descoberta – um processo de mais de 10 anos de pesquisa, de acordo com a empresa – coloca nas mãos de quem vende um instrumento poderoso, capaz de identificar o que sentimos e, com isso, oferecendo ferramentas de convencimento ainda mais poderosas, permitindo que sejamos convencidos com o uso da psicologia. Ou, dirão alguns, engabelados quando se tratar de reclamações de serviços que nos são oferecidos de uma forma e prestados de outro. Há, ainda, o aspecto da individualidade. Vamos deixar de ser uma personalidade para integrar um padrão.

Devemos aplaudir ou ficar assustados? Sinceramente, não sei. O que a empresa diz – e isso vem em nosso favor – é que o programa não tem 100% de acurácia, podendo falhar em um percentual que vai de 17 a 24%. Isso, hoje. E amanhã£, como será¡? A empresa não adianta, mas certamente continuará  a trabalhar no software e agora que descobriu o caminho outros o irão seguir, o que me permite fazer uma previsão de que, em pouco tempo, a eficácia deste ou de um novo programa será¡ aumentada.

Quando isso acontecer, a única forma que teremos de não nos revelar será¡ não falar ao telefone celular. Como isso hoje já é quase impossível, além das diversas informações que muitos têm de nós, passarão a ter, também, o nosso perfil psicológico e o irão transformar, certamente, em um eficiente instrumento de vendas. Você tem alguma dúvida?. Eu, não. (VIA MSNBC)

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