A VIDA EM CONDOM͍NIO

Se olharmos bem, temos de admitir que a vida humana – e todas as outras existentes na Terra – são simbióticas, pois dependem diretamente do meio em que vivem, necessitando de um ou outro elemento para a sua sobrevivência e expansão. Às vezes pensamos a simbiose apenas como a complementação de duas vidas, que podem ocupar um mesmo espaço, mas o seu conceito pode ser expandido, abrangendo a vida de um modo geral, pois é sempre dependente, não existindo somente por ela.

Nós, humanos, tornamo-nos o animal dominante no planeta e, por isso, não pensamos na dependência dos outros. Muito menos vemos o outro lado da questão, de quem depende de nós. O que me chamou a atenção para a questão foi uma matéria publicada há dias pelo jornal A Tribuna, de Vitória, falando na possibilidade de o beijo – não o de amigo, mas na boca, entre namorados – pode transmitir doenças, passando-a de um para outro através do contato e dos fluidos – que nome, hem? – que são trocados.

A informação chamava a atenção para a transmissão de bactérias que provocavam no novo hospedeiro um determinado tipo de reação. A partir daí­, mostrava como combater o problema ou, mesmo, evitá-lo, começando por evitar os próprios beijos. O que a matéria não discutiu é  que, na verdade, a vida humana é uma vida em condomínio. Nosso corpo, interna e externamente, é coabitado por bilhões de bactérias e elas, na maioria das vezes, desempenham um papel importante no funcionamento corporal.

Normalmente, não pensamos nisso e só despertamos para as bactérias, vírus, etc., quando estão associados a alguma doença, como é o caso do beijo na matéria do jornal. Só que o beijo, além do prazer que traz, é também uma ampla troca de bactérias, pois existe uma grande comunidade delas em nossas bocas, assim como no couro cabeludo, nas partes íntimas, nos pés, e vai por aí­ afora. Como somos coabitados por milhões de minúsculos “seres” que não vemos, estamos sempre recebendo alguns deles ou passando-os para outros.

Como disse, nunca pensamos nisso, mas quando vemos uma matéria falando em infecção, transmissão de doenças, somos logo atraí­dos e pensamos o que fazer pare evitar a contaminação. Vamos parar de beijar? Acho que não. Também não vamos parar de ter outros contatos, íntimos ou não, fazer sexo, abraçar. Enfim, não vamos deixar de relacionar apenas por saber – ou por propositalmente ignorar – que nossa vida é  única, mas não vivemos sozinho. Onde quer que formos, estamos levando um amplo condomínio.

Em alguns momentos, a companhia que temos e que vivem em condomínio conosco é boa. Noutras, não.

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