A PERCEPÇÃO DAS DROGAS

As drogas são, sem nenhuma duvida, um dos maiores problemas enfrentados atualmente pelo mundo. Eu e você sabemos disso. Mas quando se fala do assunto, cabe uma pergunta: De que droga estamos falando? A reflexão sobre a questão, que está diariamente na mídia e segundo especialistas é um negócio bilionário, advém, neste caso específico, de uma pesquisa feita no Espírito Santo. A Futura, instituto local e conceituado, saiu às ruas para ver qual é a percepção que o capixaba tem da droga.

A primeira questão foi sobre a droga de maior consumo. Eu fiquei surpreso com as respostas, que coloca o crack em primeiríssimo lugar, com mais de 57% das respostas e muito adiante, por exemplo, da maconha e da cocaína. O que se nota é que a percepção do consumo ou do problema provocado pelas drogas ilegais é uma preocupação da grande maioria da população. Afinal, se somarmos o crack com a maconha e acrescentarmos a cocaína temos nada menos do que 80,6% do universo dos capixabas.

E as chamadas drogas lícitas? Bem a pesquisa mostra que apenas 8,5% estão preocupados com o alcoolismo, por exemplo, e que apenas 1,5% acham que o fumo é um problema. Beber, aparentemente, é considerado uma coisa normal por quase todos. E fumar preocupa ainda menos aos capixabas. Já as drogas ilícitas, estas, sim, tem a atenção quase que total de todos. O curioso é que, no desenvolvimento da pesquisa, uma das questões colocadas era se na família do entrevistado já tinha havido problema em função do alcoolismo. E se o número dos que se preocupam com ele é pequeno, o de famílias afetadas pelo problema é bem grande, passando de 56%.

Da mesma forma e ainda em maior número, os capixabas estão preocupados com o alcoolismo entre adolescentes e jovens. Mais de 86% dos entrevistados consideram grave o problema e afirmam que o alcoolismo pode afetar o futuro de um jovem. Interessante o contraste. De um lado, a preocupação com os jovens. Do outro, a despreocupação do álcool como droga. Por certo isso é uma consequência de anos e anos de estímulo à bebida. Afinal, quem é que não gosta de uma cerveja gelada. De um bom vinho ou, mesmo, em determinadas ocasiões, de um uísque? Beber é uma coisa normal e isso reflete-se nas respostas à pesquisa.

A questão central, haja dela percepção ou não, é que o álcool – e as chamadas drogas lícitas – são, sim, um grande problema. Mas como tomá-las não dá processo, não dá prisão, isso é visto como “normal”. Neste caso, não acho que a percepção do brasileiro seja muito diferente da do capixaba. E você, o que diz? Do meu lado vejo o alcoolismo – e toda adição, para dizer a verdade – como um grande problema. O álcool, o cigarro, o refrigerante, o chiclete, nada disso faz bem quando ficamos deles dependentes. Podem até não ter o mesmo impacto do crack, da cocaína ou da maconha, mas é algo que precisa ser combatido e revertido.

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