A NOVA FACE DAS RELIGIÕES

Ninguém sabe ao certo quando surgiram, mas o fato é que as religiões veem acompanhando o homem há¡ muito, muito tempo. Servindo para aplacar os seus medos diante do que não pode explicar, ela pode fornecer explicação para o inexplicável, impulsionar ações, tornar alguém herói ou fazer com que, em nome de um ser superior, um líder – ou um povo – massacre outro. Constatar isso é muito simples e basta dar uma olhada na história. O fato incontestável é que as religiões acompanham o homem.

Hoje, até em virtude dos avanços tecnológicos, as religiões estão se portando de forma diferente. Em alguns casos, tem rádios, TVs, jornais, usando a mídia como fator de propagação do que pregam. Ou então podem usar a tecnologia para outros fins, transportando atos e fatos religiosos ao redor do mundo, como podem usar os princípios religiosos para estabelecer guetos, fechar o mundo às pessoas e até para explorar a boa fé de quem, crendo, acha que deve se doar e ao que tem aos líderes que os orientam.

Enfim, a crença em uma entidade ou entidades superiores é parte da prática da maioria da população mundial. E o fiel, o crente, faz questão de demonstrar sua fé, expô-la de público, defender sua crença classificando-a como a única e certa e tentando convencer outros a adotá-la, abandonando a sua. Mas como é feito isso? Pode ser que vocês não tenham notado, mas as religiões estão, atualmente, cuidando de muito mais do que as almas de seus fiéis, preparando o seu caminho para um “paraíso” ou para chegarem ao nirvana. Elas investem em ações bem mundanas, oferecendo serviços que, embora possam ajudar o fiel, nada tem a ver com a crença em si.

E foi isso que a mídia capixaba mostrou. Em uma determinada crença, a igreja disponibiliza farmácias que tem os medicamentos mais procurados e que os vendem aos fiéis por preços bem abaixo dos praticados no mercado. Outra, oferece serviços psicológicos, com profissionais que acompanham as pessoas, as ouvem, as aconselhas, ajudando-as a resolver seus problemas. Uma terceira oferece vários cursos, inclusive sobre sexualidade e relações familiares, mostrando, do ponto de vista religioso, como elas devem ser e como o sexo deve ser praticado. Para atender àqueles que professam seus princípios, uma outra oferece serviços de aconselhamento. Mais uma que ouve as pessoas e seus problemas, ajudando-os na resolução, só que, neste caso, sem o acompanhamento psicológico.

Outro segmento religioso tem uma agência de emprego. Nele, os fiéis podem se inscrever para um posto de trabalho e empresas, principalmente da área da igreja, podem buscar mão de obra disponível, contratando-a. Abre-se, então, a oportunidade para o fiel e também para quem busca um empregado. Mas as igrejas – as várias confissões religiosas – não ficam só nisso, não. Uma delas oferece serviço de reforço escolar, ajudando às crianças e adolescentes que estão tendo dificuldades nos estudos, estejam matriculados em escolas confessionais, privadas ou em escolas públicas. Em outra, os fiéis podem aprender música e aprendendo-a podem utilizá-la na própria igreja, que incentiva a formação de corais religiosos.

O que achei mais curioso, no entanto, foi uma igreja, voltada para a classe média, já que fica em um dos principais bairros da Grande Vitória – região que reúne os mais populosos municípios do Espírito Santo – que oferece estacionamento a quem a frequenta. E mais do que isso, tem sempre voluntários que ajudam a orientar o trânsito, arranjar uma vaga e depois vigiar os veículos, impedindo que sofram qualquer tipo de dano. Nela, só está faltando um estacionamento VIP, com motorista para estacionar o veículo para o fiel e, ao final da celebração religiosa, trazê-lo. oferecendo as mesmas facilidades de casas comerciais.

Todas estas ações representam, sem dúvida, uma nova face da religião. Ela deixou de cuidar apenas da alma. Passou a se preocupar com o corpo, com a mente, com a saúde e o bem estar do fiel. Com isso, além do caminho da salvação, passou a lhe oferecer uma série de “serviços”, de facilidades, ajudando-o e permitindo que, assim, possa exercer a sua fé sem se preocupar com os problemas do mundo, que a própria igreja ajuda a resolver. É uma evolução? Não sei. Não tenho como julgar. Acho, no entanto, que as religiões, neste caso, estão suprindo um papel que é do Estado. Se ele não atua, elas o fazem em prol daquele que acredita nos seus princípios.

Qual será o próximo passo? Certamente as várias crenças continuarão a evoluir e, acredito, que a cada dia irão usar mais e mais o lado material, envolvendo-o com o religioso. É uma forma de conquistar coração e mente de quem a professa, integrando-o e, ao mesmo tempo, ajudando-o a se adaptar e a se enquadrar no mundo. Cria, então, o sentimento de pertencimento, fundamental para todo o grupo, e lhe dá um motivo a mais para continuar na crença que abraçou. Na verdade, como uma empresa, elas estão investindo nos seus “clientes”.

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