A IMPACIÊNCIA COMO PRINCÍPIO

Neste final de semana, acabei presenciando uma cena que, ao lado de revelar a má educação das pessoas, nos traz, novamente, à questão do tempo e da sensação de ele estar encolhendo. Em razão disso, as pessoas acham que tudo tem de ser feito de forma mais rápida e que não dá para esperar nada, mesmo quando se trata de um mínimo de cortesia para com outras pessoas.

O que aconteceu ilustra bem isso. Ao sair do supermercado, ainda no seu estacionamento, vi um casal de cegos – sim, homem e mulher cegos – que também estava deixando o local com suas compras. À espera deles estava um táxi e foi nele que estava sendo colocada a compra feita. Ao mesmo tempo, o casal se acomodava no carro, preparando-se para, presumo, voltar à sua casa.

Não sei o motivo, mas acho que para facilitar o casal, o taxista parou o seu carro na saída do estacionamento do supermercado. Do momento em que a cena começou até o seu final, se durou 10 minutos foi muito. Mas o que aconteceu? Algums clientes, que também estavam de saída, começaram a protestar, reclamando com os empregados que não conseguiam passar. Um deles, inclusive, apelou para a buzina e o fez de forma insistente.

Não satisfeito, abriu os vidros do carro e começou a falar, em voz alta, com o rapaz que colocava as compras no táxi. Neste momento, o casal já havia entrado. E certamento ouviu os protestos, já que eram cegos, mas presumo que não sejam surdos. Meu carro estava praticamente ao lado e pude observar, bem de perto, a impaciência de quem acha que tudo tem de ser resolvido na hora.

A sensação – pelo menos a que tive – é de alguém que, talvez muito ocupado e com uma agenda muito apertada, não tinha nenhum tempo a perder. Mas, espera aí, era domingo. E quem protestava estava de camiseta e bermuda. Na certa, ninguém em tais trajes está indo para um compromisso inadiável ou então está com um horário acerto, uma reunião importante que não pode perder.

No final, epsiódio terminado – o táxi se foi e, com ele, também os impacientes – fique pensando: será que tudo isso ocorre em relação à compressão do tempo ou será, simplesmente, má educação? Não tenho a resposta, mas acredito que seja uma combinação das duas.

Hoje, queremos tudo no minuto. E isso é fruto da aceleração do tempo. Mas ignorar que alguém que tem necessidades especiais está sendo atendido, é má educação, mesmo.

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