A FORÇA DO ESTEREÓTIPO

Se olharmos um pouco atrás, na história, veremos que as mulheres já foram vistas como seres inferiores, incapazes até de tomarem uma decisão por elas próprias, deixando-as aos homens da casa, fossem eles pais ou maridos. Hoje, infelizmente, essa visão ainda persiste em algumas partes do mundo, mas no Ocidente, principalmente, as mulheres conquistaram espaços que antes lhes era negado e hoje competem com o homem em pé de igualdade em qualquer das atividades humanas.

Houve uma evolução. Mas isso não significa que alguns estereótipos continuem. Um deles é que as mulheres são menos aptas à matemática que os homens. Se você crê nisso, saiba que está errado e que não há base científica para este tipo de conclusão. A afirmação não é minha, mas de um grupo de cientistas da área de psicologia que acaba de divulgar um novo trabalho que simplesmente demole estas afirmações.

O que os cientistas fizeram para chegar a uma conclusão diferente da crença popular foi confrontar os estudos existentes sobre o tema. E ao fazê-lo, descobriram que estes estudos de científicos só tinham o nome, pois eram baseados em técnicas falhas, no mau uso da estatística e contornava um dos pilares da ciência, que é a comparação de dados. Ao afirmar que as mulheres são menos aptas para a matemática, os “cientistas” nunca submeteram homens aos mesmos testes, comparando os dois resultados.

O que a nova pesquisa nos mostra é a força do estereótipo. Ouvimos uma coisa por tantas vezes que acabamos acreditando nela. Como não somos psicólogos, nem cientistas, somos levados a crer nas “afirmações cientificas” que nos chegam. Afinal, pensamos, a ciência é isenta e se apresenta um resultado é porque ele, efetivamente ocorre. Ao darmos o crédito a um estudo cientifico estamos oferecendo uma base insuspeita para os nossos argumentos e, assim, as mulheres tornaram-se burras, pelo menos no que se refere à matemática.

A demolição do estereótipo pode nos trazer, ainda, uma outra revelação, de que a ciência, às vezes, não é assim tão científica. Existe uma explicação para isso, que poderíamos chamar de enquadramento. Através dele, vemos as coisa de acordo com o que somos e acreditamos. Se entendermos que as mulheres são inferiores, iremos buscar dados que comprovem o que já sabemos, dando base científica a um conhecimento ou a uma crença popular. Instituíamos, assim, o preconceito.

Fugir dessa armadilha é difícil, mas um dos meios é sempre ter a mente aberta, seguindo o conselho de Frank Zappa. Ao adotarmos esta postura, mesmo diante de afirmações cientificas, sempre nos sobra a dúvida sobre o método empregado, os números usados, as técnicas apropriadas e, no final, podemos colocar em dúvida o resultado. E podemos fazer isso por uma razão muito simples: o conhecimento é cumulativo e está sempre sendo atualizado, o que significa dizer que o que é um fato hoje, pode não mais ser amanhã.

É o que acaba de acontecer com a teoria de que as mulheres são menos aptas à  matemática que os homens. De conhecimento cientifico, virou uma falácia. Quem nela cria para basear seu comportamento viu-se sem base. Aliás, como dizia Marx, tudo o que é sólido desmancha no ar.

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