ESTÁ FALTANDO ESPAÇO

Quanto tempo você leva de casa ao trabalho? Na verdade, esta é uma pergunta retórica, daquelas que não demandam respostas, mas que tem o objetivo de introduzir um assunto que, no dia a dia, nos afeta a todos: o trânsito. Não sei se na sua cidade é assim, mas aqui, em Vila Velha e Vitória, no Espírito Santo, a cada dia ele fica pior, com inúmeros gargalos e congestionamento onde, pouco antes, fluía com tranquilidade. O anda e para não mais depende de haver um problema, transformando-se em corriqueiro, enervando e provocando perda de tempo.

Se em cidades menores, como a Capital e o segundo município do Espírito Santo, as coisas são assim, imagine nas cidades maiores. Constantemente vejo anunciar que São Paulo tem X quilômetros de engarrafamento. E situações semelhantes se repetem em outras áreas do globo, com alguns locais sendo piores que os outros, mas os congestionamentos fazendo parte da vida de todos nós. Se o cidadão se enerva, tem de acordar mais cedo, gastar mais tempo no trânsito, há¡ sempre um outro lado e, nele, alguém que está lucrando.

Se nós, cidadãos, perdemos, ganham os fabricantes de veículos. No Brasil, como todos devem saber, nunca se vendeu tanto automóvel. E isso é válido, também, para os chamados seminovos. Uma estatística mostra que em 2009, mais de 180 mil veículos seminovos foram transferidos. Seguramente, muitos foram trocas, mas uma boa parcela destina-se àqueles que estão adquirindo o seu primeiro carro. Some isso aos caros zero quilômetros vendidos e teremos um pequeno panorama do que está acontecendo.

Temos, na verdade, uma superpulação de carros, que ocupam todos os espaços urbanos disponíveis. E estes, quase sempre, não podem ser alargados e, quando podem, levam tempo e acabam, enquanto as obras são realizadas, contribuindo ainda mais para atrapalhar o trânsito, tornando-o ainda mais lento. As cidades brasileiras, com raríssimas exceções, não foram planejadas para suportar tal volume de tráfego. E também não houve, de parte dos administradores, uma preocupação com o planejamento de longo prazo.

Hoje, uma das coisas mais fáceis de se fazer é comprar um automóvel, seja ele novo ou usado. Os financiamentos são de quase uma centena de meses, o que deixa uma prestação que uma boa parcela da população pode pagar. Cada carro que entra no trânsito, acaba contribuindo para aumentar sua lentidão. Parte do problema seria resolvido com um bom transporte coletivo, coisa que não temos ou, quando temos, funciona parcialmente, atendendo apenas parte da cidade, como acontece com o Metrô de São Paulo.

A solução, dizem todos os especialistas, é investir no transporte coletivo, fazendo com que ganhe prioridade sobre o individual. Isto vem acontecendo? Não sei. O que vejo todos os dias é centenas, milhares de automóveis – inclusive o meu – com um único passageiro. E são o meu e o seu carro que ocupam as ruas, onde não há¡ mais espaço. No fim, somos nós mesmos que estamos provocando os congestionamentos. E o pior é que, parece, estamos em um círculo vicioso: usamos o carro por não ter transporte coletivo. E o transporte coletivo não é prioridade, pois a indústria tem de vender seus veículos.

A minha conclusão é que as coisas tem só a piorar, pois o espaço destinado aos automóveis continua o mesmo, mas o número deles aumenta, e muito, a cada mês e a cada ano. Daqui há¡ pouco, se a situação persistir, estaremos todos parados.

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