CÉREBRO, EST͍MULO E SEXUALIDADE

O sexo, todos nós sabemos, sempre envolve uma parte física, de contato, de estimulação. Começa, como muitos gostam de lembrar, pelos preparativos que funcionam como estímulo ao que vem depois, concretizando-se o ato. O que não sabíamos e que os cientistas começam a revelar é que é no cérebro que o sexo se desenvolve, pelo menos no que se refere ao seu resultado, que é o prazer a que chegam os dois parceiros. A questão posta é que, ao contrário da crença generalizada, não há o tal do Ponto G, zonas erógenas que tocadas estimulariam o sexo, tornando-o ainda mais prazeroso.

Se não há Ponto G, o que fazer? Dizem os cientistas que o prazer conquistado por homens e mulheres na prática do sexo não ocorre em razão de zonas erógenas, mas no cérebro. E exemplificam o fato com a capacidade humana de ter um orgasmo – tanto homens quanto mulheres – sem qualquer tipo de estimulação física. Neste caso, quem está no controle é o cérebro e é nele que, de forma efetivam, o sexo ocorre, proporcionando prazer ou desapontamento.

O curioso dessa nova abordagem é que, de imediato, ela provocou reações dos machistas de plantão. A partir do anúncio dos pesquisadores, de ser o cérebro também um órgão sexual, os jornais impressos correram para ouvir os tais “amantes” superlativos ou pretensamente superlativos. E o que eles disseram? Que a ciência está errada e que o Ponto G existe. O treinador e ex-jogador de futebol Renato Gaúcho foi mais longe e se dispôs a mostrar aos cientistas onde se encontram não um, mas vários pontos G nas mulheres.

Para os jornais foi uma matéria de oportunidade que revela o conhecimento especializados – pelo menos eles acham que sim – que alguns homens julgam ter sobre sexo e forma de estimulá-lo. Pelo que li, em nenhum momento os cientistas disseram que o estímulo físico não funciona, mas observaram que ele não é essencial para o sexo, já que, como tantas outras, esta é, também, uma atividade cerebral. O prazer, quando existe, é físico sim, mas ele pode vir até sem nenhum contato corporal. E citam os exemplos dos sonhos eróticos.

Latin lover, o brasileiro – e talvez outros latinos – acha que é, na cama e em relação ao sexo, o suprassumo do conhecimento. Desconhecem, por causa deste convencimento, que muitas mulheres fingem orgasmo, deixando ao homem a impressão de que são o máximo, quando na verdade estão participando de um ato que tem uma só via. Eles são, neste caso, o máximo. Ou pelo menos se acham assim. E as mulheres, o que acham deles? Com a palavra o sexo feminino.

O que os cientistas estão descobrindo é que também em relação ao sexo o cérebro exerce um importante papel, tomando o controle dos estímulos e trazendo o prazer buscado no contato corporal. Este é mais um passo nas várias descobertas sobre as funções do cérebro humano. Sabemos, pelo que a ciência nos diz, que ele é uma maravilha. Mas ainda estamos longe de descobrir tudo o que ele faz, do que é capaz. O que virá em seguida? Temos de esperar para saber.

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Sobre o Autor

Jornalista, blogueiro e curioso, sempre disposto a aprender.

Conversas (2)

  1. JF :

    Lino, não sou cientista, mas acredito muito na ciência. E acredito demais nos poderes do cérebro. Até acho que nosso cérebro possui inúmeros poderes que ainda nem suspeitamos que existem. Embora tenha lido sobre o assunto dessa pesquisa apenas superficialmente, vejo muita lógica nessas conclusões, pois o cérebro controla, praticamente, todas as nossas funções. Os machistas que me desculpem, mas, se a mulher não estiver a fim, não há ponto G que resolva. É fingimento na certa! E isso, eventualmente, também pode ocorrer com os homens, E aí, medindo as palavras, teremos um “arrefecimento de vontades” certo, na hora errada! Não sei explicar essas coisas, mas que acho que são ordens que vem do cérebro… Lá, isso eu acho!
    Abração.

  2. Keila :

    Há tanta coisa interessante, e ao mesmo tempo séria demais, em se falando de sexo, Lino. Freud traz um “compêndio psicanalítico” sobre sexo, onde se lê de tudo, desde o mais pueril beijinho às grandes perversões sexuais, que na realidade povoam a mente sexual da atualidade.

    Esse debate é profundo, uma vez que a psicanalise freudiana passa por Arthur Schopenhauer, que diz que todos os sofrimentos humanos passam pela vontade ilimitada de obter tudo e de todos, e por aí vai… Portanto, esse tal ponto G, que tantos falam, na verdade não existe isoladamente. Existe um corpo geograficamente coberto com a pele, que é na verdade o nosso maior órgão de prazer, seguido por todos os demais órgãos.

    BeijUivooooooooooooooooossssssssssssss da Loba

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