MAIS GENTE, MENOS TERRA

O mundo, todos sabemos, é desigual. Enquanto, de um lado, poucos tem muito, do outro, muitos nada tem. Esta situação já foi retratada mais de uma vez aqui no blog – Os privilegiados e os despossuídos, Os números da desigualdade e A desigualdade no mundo. Esta é uma questão que me preocupa e, acredito, a muito mais gente no Brasil e pelo mundo afora. O desequilíbrio ocorre, principalmente, em relação à alimentação, com os mais ricos desperdiçando-a e os mais pobres passando fome.

Se hoje a situação é assim, qual é o cenário futuro? Na verdade, não é boa. Segundo estudos feitos por especialistas, a população mundial continuará crescendo e pode chegar, em 2050, aos nove bilhões de pessoas, um crescimento de quase 50% sobre o que temos hoje, um pouco mais de 6,7 bilhões. Juntam-se, neste avanço, alguns fatores, como a melhoria das condições de vida das pessoas, o aumento da expectativa de vida e, até, a queda no índice de natalidade. Sobre os nascimentos, se eles continuassem no mesmo ritmo do início e meio do século passado a população seria bem maior.

O fato é que quem nascer hoje irá viver em um mundo bem mais populoso do que o nosso. E viverá, também, em um mundo onde os recursos serão ainda menores do que os atuais. Um dos dados que os estudiosos levantaram – e uma olhada no Relógio Mundial pode mostrar isso – revela que as áreas agriculturáveis no planeta estão diminuindo. Se do lado da população há o acréscimo de três novas pessoas a cada segundo, no caso de terras que podem ser usadas para produzir alimentos, há a perda de um hectare delas a cada 7,6 segundos.

Se levarmos em consideração o crescente número de pessoas para alimentar e a quantidade cada vez menor de áreas onde alimentos podem ser produzidos teremos uma dimensão do que pode acontecer ao mundo em médio prazo, nesta perspectiva de 40 anos. Olhando a situação atual não dá para ser otimista. O que se pode prever é o aumento da desigualdade e com um número ainda maior de pessoas, sobretudo nos países mais pobres, vivendo abaixo da linha da miséria.

O que fazer, então? Um primeiro passo seria acabar com o desperdício. E isso todos nós podemos fazer, praticando um consumo responsável e sustentável, comprando e gastando o necessário. Outro caminho é a boa distribuição do que é produzido, que é capaz de alimentar todo o mundo. E se não o faz é em razão de o consumo – e o desperdício – se concentrarem nas áreas mais desenvolvidas. É nelas que está o dinheiro, não em uma remota aldeia da África onde todos passam fome.

E por fim, é preciso usar a ciência de modo inteligente, melhorando as culturas, dando-lhes maior produtividade, sem que as terras agriculturáveis tenham de ser envenenadas por herbicidas e outros produtos químicos. Juntando tudo, podemos ter esperança em um futuro diferente. Se nada disso for feito, o espectro que nos assombrará será o de ver milhões morrendo de fome em várias partes do mundo.

Esta é uma questão séria. E sobre ela todos nós deveríamos refletir e começar já um programa para evitar desperdício e assumir um consumo muito mais responsável, sobretudo em relação aos alimentos, sabendo que o que jogamos fora é o que poderia alimentar uma boca faminta. Se começarmos hoje, podemos mudar o futuro.

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