Dias de quarentena - leituras e releituras

LEITURA E RELEITURA EM DIAS DE QUARENTENA

Descobri a leitura bem cedo, ainda criança, e tomei gosto por ela. Mais tarde, bem mais tarde, cheguei às releituras, revendo livros que anos antes tinha lido, gostado e quis reler. Este hábito está ocupando meu tempo nos dias de quarentena e, isolado, tem me proporcionado um aumento da leitura.

Já fui um leitor compulsivo, o que não sou mais. Ainda assim, tenho um bom ritmo de leitura e ele foi incrementado nesses dias. Neste último mês li mais do que vinha fazendo e comecei com um pequeno e ótimo livro, Ideias para adiar o fim do mundo, de Ailton Krenak, um presente da minha filha.

TRANSFORMADORA

É uma leitura rápida, pois o livro é pequeno. Mas é muito densa e transformadora, colocando-nos do outro lado das coisas e olhando, primeiro, o mundo em que vivemos – e que vimos transformando para pior – como algo essencial, que nos dá a vida e nos permite vivê-la. É uma visão e abordagem inovadoras, que nos dá uma nova perspectiva do que somos, do que fizemos e do que podemos fazer em nosso favor e do planeta.

Estou lendo o Oráculo da Noite, de Sidarta Ribeiro, um livro denso sobre sonhos e a importância deles em nossas vidas. Ele nos oferece uma viagem pelo assunto, começando nos primórdios e desenvolvendo-o ao longo do tempo até transformá-lo em objeto de estudos. Também nos mostra a importância de sonhar e o que os sonhos nos dizem e em que nos ajudam.

O fato é que nunca estou lendo apenas um livro. E agora, nos dias de quarentena, não é diferente. Como o Oráculo da Noite é uma leitura mais densa, estou levando-a junto com outras obras. Uma delas foi O Pistoleiro, de Sthepen King. É um dos primeiros livros do autor, transformado, depois, em um dos maiores vendedores de livros do mundo. Já o terminei e gostei. Mas não sei se lerei suas sequências.

ESPIONAGEM

Do mundo fantástico de Stephen King, mudei para o submundo da espionagem e, neste caso, está Um legado de espiões, de John Le Carré. O autor retoma personagens que o consagraram, relembrando os tempos da Guerra Fria e mostrando a ação do serviço secreto inglês na visão de um de seus participantes – o personagem – mais ativo. É uma ótima leitura, no meu entendimento.

Como o livro refere-se a uma operação que foi objeto de outro livro, voltei ao O espião que saiu do frio, também de Le Carré, que é um mestre neste tipo de romance. Eles são bem escritos, detalhados, com tramas verossímeis e mostra um pouco do mundo que o próprio autor viveu, com destaque para o seu lado mais negro da disputa entre o Ocidente e a União Soviética nos auges tempos da Guerra Fria.

Nessa jornada, acabo de voltar a um dos gêneros que mais gosto, que é a ficção científica e estou relendo Fundação, de Isaac Asimov, considerado uma das obras primas do gênero. Recomecei o primeiro volume e, dependendo da disposição ao final dele, avaliarei a leitura das outras obras da trilogia. Pessoalmente, recomendo. Os livros são ótimos.

O que sobra, no final, são alguns livros que estavam na minha lista de leitura e que ainda não os tinha lido. Vou lê-los, agora, nestes dias de quarentena, ou mais para a frente. Se o isolamento continuar por mais algum tempo, vai me ajudar na leitura e, através dela, em enfrentar os dias que estou em casa.

E você, o que está lendo.

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