A festa de final de ano daquele condomínio começou como tantas outras. Na área comum, localizada na parte de baixo do prédio, o espaço combinava salão fechado e uma área aberta voltada para o pátio. Na reunião, estavam presentes uma das famílias que moravam no condomínio e seus convidados. Estavam celebrando a passagem do ano e o clima, de início, era de animação controlada. A música “rolava”, mas sua altura era moderada. Comia-se e bebia-se à vontade.
Com o passar das horas, a empolgação cresceu na mesma proporção do volume do som. A parte aberta do espaço permitia que a música se espalhasse pelo edifício, perturbando quem não queria festejar, mas simplesmente dormir. O som grave batia nas janelas, as gargalhadas subiam pelo vão das escadas e o que era celebração para alguns tornava-se incômodo para outros.
A praxe no condomínio é que, se houver prolongamento da festa, ela se faça só na área fechada e o som não pode incomodar os outros moradores. No entanto, neste caso, a festa continuou e o volume do som aumentou progressivamente. Diante do barulho, um dos condôminos desceu e, de forma educada, pediu ao promotor da festa que se restringisse à área fechada e que o som fosse baixado, permitindo que os moradores dormissem sem problemas.
De momento, o volume foi reduzido. Mas não durou muito. A bebida já tinha feito seu efeito e a música voltou. Não na mesma altura, mas ainda mais alta. Outro condômino desceu e fez pedido semelhante ao anterior. A cena se repetiu: a música baixou e, depois, voltou a subir. Na segunda vez, os integrantes da festa, dançando, rindo e falando alto, vieram para a parte descoberta. Alguém tinha visto a lua e chamou a atenção deles, que a quiseram ver em céu límpido.
Foi a gota d’água, pelo menos para um dos moradores cujas janelas davam diretamente para a área da festa. Sua reação foi pronta e inesperada. Sem aviso, começou a jogar ovos sobre os festeiros. Não foi um, nem dois. Quem assistiu ao espetáculo não contou, mas imaginou que foi pelo menos uma dúzia. E eles acertaram em cheio. Como contou outro vizinho, que viu a cena, os “festeiros ficaram todos ovados”.
Imagine a cena. Ovos chovendo. Atingindo as pessoas, deixando-as marcadas pelas gemas após o rompimento da casca e o chão todo lambuzado. Não havia mais clima para a festa. O silêncio foi súbito e, aos poucos, eles foram se dispersando, mesmo que indignados com o que havia acontecido. Mas como havia vários apartamentos com janelas acima da área de festa, não saberiam quem teria jogado os ovos. Se embaixo estava iluminado, em cima não. O morador se aproveitou da escuridão e se escondeu nela. No meio da confusão, começou um protesto, mas ele foi parado por um balde de água fria atirado de outra janela.
Os moradores, no final, arranjaram uma maneira de ter o silêncio de volta. E quem fez a festa, assim como os que dela participaram, nunca mais vai esquecer que foram “ovados” em plena passagem de ano.
Não importava se ficaram revoltados. O edifício voltou ao silêncio e seus outros moradores puderam dormir em paz.






One Response
Ovos, ovos sempre funcionam rsrsrsrs Acho que já acontecendo parecido.