Escravidão moderna, sem distinção de cor ou raça

A MODERNA ESCRAVIDÃO DE HUMANOS

No Brasil, como nos diz a história, a escravidão foi abolida no século XIX, com a chamada Lei Áurea. Foi o ponto culminante de um movimento que vinha ganhando força há algum tempo e não foi feito, como registram os historiadores, em benefício dos escravos, pessoas negras forçadas a sair de suas terras, que perderam a liberdade e foram brutalizados, humilhados e escravizados.

Mas quem pensa que a escravidão faz parte somente da história está enganado. Ela continua existindo, no Brasil e no mundo. Só que ganhou um nome mais politicamente correto, sendo chamada de Condição Análoga à Escravidão. O nome mudou, mas a situação, não. Existem escravos no Brasil e no mundo e não são poucos.

De acordo com matéria da revista Veja, de dezembro de 2018, existem mais de 160 mil pessoas no Brasil em condições análogas à escravidão. Outra matéria de Aos Fatos, de agosto deste ano, informa que de 2003 a 2018 mais de 45 mil pessoas foram resgatadas do trabalho escravo no Brasil, onde a escravidão é crime, conforme estabelecido na nossa Constituição.

A exemplo do que acontecia com a escravidão negra, o que caracteriza o trabalho escravo é o trabalho forçado. Mas não só ele. Ele pode ocorrer, também, por servidão por dívida, quando alguém é obrigado a trabalhar para pagar suas dívidas, que não acabam nunca. Jornadas excessivas também são consideradas como escravidão, assim como o impedimento de deixar o local de trabalho.

Ao lado dessas condições, que tornam pessoas escravas, ainda temos o tráfico humano. De acordo com a ONU ele vem crescendo e, em 2018, chegou a 25 mil pessoas no mundo todo. Aqui, trata-se apenas do tráfico, não da escravidão, mas as duas coisas vivem juntas.

Em um mundo interligado e com a quase onipresença da mídia é, para dizer o mínimo, curioso ver que ainda temos escravos modernos. Mas o pior disso é que em muitos lugares, inclusive no Brasil, muitos fazem vista grossa para este fato, buscando justificar a ação de maus empresários e querendo evitar que sejam punidos por um crime que, no meu entender, deveria ser classificado como odiondo.

Ah, e um dado final. Hoje, a escravidão não escolhe cor de pele. Ela ocorre com negros, brancos e amarelos. E este é um dos lados mais sombrios do capitalismo.

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