O que é certo, é certo. O errado…

por Lino Resende em 03/mar/2008

certo.jpgTodos nós definimos, a partir da educação formal e do aprendizado em família e em grupo, o que é certo e o que é errado. Assim, chegamos a alguns conceitos básicos. Por exemplo: roubar é errado. E isso é tanto aplicável às pequenas quanto às grandes coisas. Por isso, criticamos os políticos que se aproveitam da função para usar o dinheiro público em seu proveito.

Mas e no dia a a dia, como agimos? Não estranhe a pergunta. Ela parte do que constatei, durante a semana, mais uma vez na hora do almoço. Às vezes, vejo coisas que considero positivas. Às vezes, não. E foi isso o que aconteceu. Vou contar: Eu estava em uma fila para pagar a refeição que tinha servido. E esta fila não era pequena, o que deixava algumas pessoas impacientes.

Enquanto a maioria – mesmo impacientes – esperava chegaram duas pessoas bem vestidas, aparentemente educadas e de bom nível social, que foram pegar a sobremesa. Feito isso, dirigiram-se ao caixa e quiseram evitar a fila. Foi preciso que alguém lhes chamasse a atenção, dizendo que a fila era única. Voltaram a ela, mas começaram a comer a sobremesa antes de pesá-la e pagá-la. Agiam como se isso fosse a coisa mais normal do mundo. Como ambos estavam próximos a mim, pude ouvir parte da conversa e a justificativa era de que não dava para resistir à sobremesa, então, a comeram.

Não sei o que fizeram na hora de pagar, pois paguei minha refeição e fui procurar um lugar onde pudesse comê-la em paz. A situação me incomodou, no entanto. Tenho visto, com muita frequência, pessoas defendendo posições para os outros, mas agindo da forma que condenam.

Aprendi que as coisas erradas, são erradas. Não importa se pequenas ou grandes. Por exemplo, comer algo no supermercado e não pagar é roubo. Assim, comer a sobremesa antes de pagá-la também é roubo. Pode ser uma coisa de pequena monta. Mas não é o tamanho que determina se estamos agindo certo ou errado.

Se há uma ética que preside nosso comportamento – e acho que há – o que é certo, é certo. E o que é errado, errado é. Não importa se somos educados, analfabetos, classe A ou classe E. Não creio – e não aceito – que haja uma ética que presida as ações alheias e as torne condenáveis, mas não sancionem estas mesmas ações quando as fazemos.

Estes pequenos gestos, de pessoas que são bem educadas, bem de vida e que têm bons empregos, me irritam profundamente O gesto, simbólico que seja, representa uma quebra da ética. E no caso aqui relatado, por mais que se justifiquem estamos, sim, diante de uma ação de roubo. O restaurante foi roubado. E as pessoas foram os autores do roubo.

Sou radical? Talvez sim. Mas, como disse, se temos uma ética, o que é certo o é para todas as ações e, do mesmo jeito, é o errado.

Roubar, no meu conceito, é errado. Não importa se uma bala ou milhões.

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{ 23 conversas }

Betho Sides março 3, 2008 às 11:06 am

Claro que roubar é errado, por isso existe a lei! E roubar um real como roubar um milhão a cadeia é a mesma. abçs

DO março 3, 2008 às 11:14 am

Pelo amor de Deus,LINO,isto não tem nada de ser radical. Vc é etico e sabe muito bem a diferença entre o que é certo ou errado. E não importa se o roubo é de UM ou de UM MILHÃO.
É roubo e como tal deve ser tratado. E condenado.
O que existe atualmente é uma inversão de valores total.
E,sem querer ser chato,mas com os péssimos exemplos vindo de cima,a tendência é só piorar.
Infelizmente!!

Abraços!!

Carlos Emerson Jr. março 3, 2008 às 11:29 am

Infelizmente, a falta de respeito das pessoas é um fato e só vejo crescer….
Um abraço e boa semana.

Fábio Max março 3, 2008 às 11:58 am

No Brasil, a má educação não se restringe a nenhuma classe social. Simplesmente vige o vale tudo entre nós e quem pode mais, chora menos.

Já vi cenas bem piores que estas que você narrou, Lino. E as vi entre advogados, entre gente de altas classes sociais…

georgia aegerter março 3, 2008 às 1:42 pm

O que há é uma grande inversao dos valores morais. Nao somente este mas em muitos outros.
O que fazer com o dito popular? “Quem rouba ladrao tem cem anos de perdao?”

Te garanto que o pobre mesmo que anda morrendo de fome, nao está indo comer o que tem no supermercado. E alegando que a barriga dele está vazia…

Boa semana

Neto março 3, 2008 às 2:15 pm

Concordo inteiramente com seu ponto de vista.
E ainda cito mais: quem comete erros “pequenos” também comete erros grandes.
Erros são erros independente de tamanho e todos devem ser punidos severamente.

Como já escrevo muito (em meu blog) sobre isso sei que existem “pessoas” que por estarem no privilégio de endinheirados acham que são as donas da ética e a use da forma que quiserem, pois acreditam que o “seu” dinheiro está associado a isso – quando não serve de desculpas e disfarce para sua má educação e malcaratismo pessoal.

Nanda março 3, 2008 às 2:30 pm

O ‘Faça o que eu digo, não faça o que eu faço’ está realmente cada vez mais comum; em todas as esferas da sociedade – incluindo o governo. Uma pena que seja assim; boa semana.

Cidão março 3, 2008 às 2:33 pm

Lino, hoje um aluno estava falando com outro a respeito de tirar uma carteira de motorista. Ele estava dizendo que pagou mais de 600 reais para não ter as aulas e só vai fazer o teste de direção uma vez, já que com o que ele pagou, já era garantido passar. O outro ficou interessado. E eu não pude me conter. E falei em voz bem alta: Classe, vocês escutaram o papo deles? Não adianta reclamar que todo político é ladrão ou corrupto se nós também praticamos a corrupção em um nível menor. Pode ser 600 ou 600.000.000, o resultado final é o mesmo.
Infelizmente, o “levar vantagem” já está impregnado em nossa cultura. Fiquei indignado porque numa aula anterior paramos a aula por uns dez minutos para discutirmos um pouco a política, e o assunto corrupção tinha vindo a tona.

Sonia março 3, 2008 às 2:33 pm

Você está certo e eu também penso assim. Acho um absurdo as pessoas que falam: “ele é muito honesto”… penso que não existe muito ou pouco honesto, honestidade não é um valor relativo e nem há graus de honestidade!

Obrigada pela sua visita e comentário no meu blog.

Dira março 3, 2008 às 2:41 pm

Lino, não o acho radical, concordo com todos os comentários. Inclusive, quando vejo que a sociedade cai em cima da justiça para libertar alguem que roubou uma lata de leite, um shampoo, ou seja lá o que de menor for num supermercado, alegando que ricos roubam muito mais e não são punidos eu fico realmente triste. Porque para mim, o ladrão de galinha ou de uma tapioca, é o mesmo que rouba milhões… questão apenas de oportunidade. É claro q se roubo uma tapioca, estou mais perto dela…e se eu tiver na direção de um grande banco? Bom, não existe grande e nem pequeno pecado…
tudo é pecado.

beijo.
só assim vim aqui na tua casa. e tb pra concordar com o que dissestes lá, no meu. o exagero é sempre quando a via é de mão única.

Alexandre ALF março 3, 2008 às 4:42 pm

Com certeza, o que é errado é errado.
:)

Ronald março 3, 2008 às 5:50 pm

Imagina então um Brasil onde todos fossem radicais como você. É certo? é seu? perfeito, caso contrário é contravenção…

Se um dia eu for muito bem de vida, meus amigos, tenham a certeza que precisei pegar e nem trapacear com ninguém para conseguir meu intento. É minha natureza e estou com você Lino. Uma bala ou um Milhão, não deixa ser ladrão..

Lulu on the sky março 3, 2008 às 6:54 pm

Para mim roubo é roubo independente de ser de 1 centavo ou 1 milhão de reais.
Obrigada pela sua presença na festa do meu aniversário virtual.
Big Beijos

simone março 3, 2008 às 9:59 pm

Lino, voce esta certissimo. É uma pena que para muitas pessoas esses pequenos delitos são habitos cultivados.Eles se acham espertos. Sentem-se como se estivessem fazendo algo digno de aplausos.
E essa doença é altamente contagiosa.

J.F. março 3, 2008 às 10:27 pm

Lino, é isso aí. Não existe pequeno ou grande delito. Existe DELITO. Já vi, com muita satisfação, meu filho alertar o caixa e devolver troco a maior. Mas, ele aprendeu isso em casa. Meus filhos cresceram vendo esse tipo de ação e acham muito normal agir corretamente. Infelizmente, essas “pequenas” coisas, hoje em dia, são vistas mais como “levar vantagem”. As pessoas reclamam quando a conta do restaurante vem a maior. Eu também reclamo. Só que também reclamo quando vem a menor. Você está certíssimo. Eu também fico indignado quando presencio uma cena dessas. Abração.

Chuvinha março 3, 2008 às 11:02 pm

Concordo plenamente com voce. Nao ha diferenca entre um real e um milhao. Os mesmos que falam de roubos compram pirataria,por exemplo. E errado embora os originais estejam caros. Tambem nao suporto essa gente que fica experimentando em supermercado – tirando pedacinhos de alimentos, pedindo ao atendente…

Lys março 4, 2008 às 5:40 am

Eu tambem acho isso um abuso Lino. Detesto gente que tenta se dar bem sempre… detesto. E conheco um monte hem ?

E quando o povo vai para um barzinho… tem sempre um mane que pede 10 coisas do cardapio, somente dentre as mais caras obviamente, se aproveitando do fato que a conta sera dividida.

Isso tambem nao seria roubo ?

beijocas
Lys

Meire março 4, 2008 às 6:16 am

Realmente prega-se muito, mas na hora de usar se esquece das regras basicas.
Alem de ser roubo, ainda tem aquela velha mania de “furbisse” quer levar vantagem, passar na frente…
Bjs

Carla março 4, 2008 às 9:39 am

Querido Lino, concordo com vc. Tanto faz se são nos pequenos gestos ou nos grandes: se a gente erra, tá errado e pronto!
E não há justificativa que dê conta do erro!
Bjão.

Paulo março 4, 2008 às 9:57 am

Concordo plenamente com você roubo é roubo não importa o valor. Hoje em dia os valores estão totalmente invertidos, se alguém acha dinheiro perdido e devolve ao seu dono, o que deveria ser regra, vira acontecimento e dá até destaque na televisão.
Vamos deixar do “Faça o que eu digo mas não faça o que eu faço…”

Um abraço

tati sabino março 4, 2008 às 11:05 am

Não não Lino, vc esta certo! absolutamente certo! concordo com vc em tudo! E sou radical neste ponto..compro briga..rs, pq se estou na fila eu ja ia falar o q estava acontecendo ao responsavel pelo restaurante… infelizmente ou felizmente ( não sei) eu sou assim..não consigo ver nada errado acontecendo e ficar quieta, pq é isso q acontece, todo mundo faz o q quer e os outros aceitam, não existe mais respeito, honestidade então..é raro amigo!
Esses dias a moça do mercadinho aqui perto de casa voltou o troco errado…me deu mais dinheiro, e eu q sou desligada fui conferir ja estava lá na porta..voltei e devolvi..ela ficou surpresa e disse q se fosse outro não voltava, e eu disse que isso não é ser “esperto”, q ser “esperto” é conseguir as coisas sem precisar prejudicar ninguem!!

bjo querido!

Sonia Horn março 4, 2008 às 11:26 am

Concordo com você, Lino. Vejo esse tipo de situação acontecer muito freqüentemente nos supermercados.
Bjs,

Jens março 5, 2008 às 9:58 pm

Golaço, Lino.
Sem ética pessoal não dá pra cobrar ética de quem quer que seja.
Um abraço.

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