Comer no avião é um exercício. Sem gosto e de má qualidade

VIAGEM, AVIÃO E COMIDA NÃO COMBINAM

Quem viaja de avião, no Brasil ou indo para o Exterior, já deve ter descoberto que comida de avião não é nenhuma maravilha. No caso de voos internos, a Gol – a exemplo do que fazem companhias europeias – está cobrando pelo que serve. É uma maneira de diminuir custos e, ao mesmo tempo, não desagradar mais ao passageiro, colocado diante de comidas que, às vezes, são quase intragáveis. Nos voos internacionais, no entanto, não é assim e todas as empresas servem, quando o voo é noturno, jantar e café da manhã aos passageiros, sejam eles da primeira classe ou da econômica, onde está concentrada a maioria.

Esta introdução serve para discutir a comida de avião. Viajei, há alguns dias, em férias e, na hora da refeição noturna, decidi que iria comer algo mais leve, optando por uma omelete. O que eu não esperava é que, de omelete, a refeição não tinha nada. Insossa, sequer tinha gosto de ovo. Os acompanhamentos, também, eram de baixa qualidade. A opção que eu tinha era comer ou, então, ficar com fome. Comi, mas observei a embalagem do que foi servido e lá estava “flan de ovo”. Já vi vários tipos de flan, mas de ovo, não. E muito menos ele ser tratado como omelete. Vocês sabem: omelete tem ovo.

É nisso que dá a brutal concorrência existente no setor aéreo, que obriga as empresas a praticarem menores tarifas, principalmente quando se trata de voos internacionais, que custam menos do que voar entre cidades brasileiras. Com isso, às companhias só resta uma decisão: cortar custo e este corte é feito onde é possível, atingindo a parte das refeições e do que é servido durante os voos. Pagando menos, recebem um produto de menor qualidade e o servem a quem viaja. Sem opções, os passageiros comem e poucos reclamam. E isto não ocorre só com operadoras brasileiras, mas também em companhias de outros países. Poucas, muito poucas, na verdade tem a refeição como diferencial.

Hoje, graças a esta concorrência que encolhe os assentos, serve refeições ruim e, muitas vezes, oferece um péssimo serviço, somos capazes de voar para qualquer parte do mundo a preços que, há alguns anos, eram impensáveis. Foi o tempo em que os talheres eram de verdade e a comida, excelente. Em contrapartida, os preços eram exorbitantes, não abrindo a uma grande parcela da população a possibilidade de viajar. Hoje, o cenário é diferente: os voos andam lotados, sejam no Brasil, sejam para o exterior. E os passageiros contam, ainda, com financiamentos que permitem pagar as passagens em pequenas parcelas. É o cenário ideal para quem deseja viajar.

O mundo ficou mais perto, não há¡ dúvida. O número de voos cresceu, novas companhias operam do Brasil para os mais variados destinos do mundo. Criou-se uma nova realidade e, nela, viagem, avião e comida não combinam. Podemos ter voos baratos, mais certamente estamos abrindo mão de qualidade, seja no atendimento, seja no que é servido. As opções para fugir deste destino são as classes Executiva e Primeira, inalcançável para a maioria.

Estamos diante de uma nova realidade e, nas viagens de mais longo curso, as refeições já não são importantes. O que importa é o preço.

Compartilhe:

Twitter
Facebook
LinkedIn
Pinterest

Add a Comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Trump e o retorno ao passado: a volta da história

TRUMP E O RETORNO AO PASSADO

As ações do presidente Donald Trump configuram uma tentativa de volta ao passado, virando o rumo da história. Mas o que a própria história mostra é que o novo sempre supera o velho. Ao manter-se no velho, quem nele fica, olha para trás e perde o futuro.

Leia mais »
O Grande Irmão e o capitalismo de vigilância

A VIGILÂNCIA DIGITAL COMO ROTINA

Hoje, a realidade supera a ficção e o Grande Irmão, do romance 1984, de Orson Wells, foi superado pelo capitalismo de vigilância, que lucra com os dados de quem via, em todos os momentos da vida, através dos aplicativos e da internet.

Leia mais »
O brote, o pão pomerano dos capixabas, servido e à espera de ser consumido.

BROTE, O PÃO POMERANO DOS CAPIXABAS

O brote, o pão que os pomeranos criaram e que se tornou ícone cultura do Espírito Santo, é uma receita simples e fácil de fazer, resulta em um ótimo pão para o café da manhã, o lanche da tarde ou, mesmo, para um sanduíche à noite.

Leia mais »
Um pão básico e rápido feito com fermento natural que ficou ótimo

PÃO BÁSICO RÁPIDO COM FERMENTO NATURAL

O pão de fermentação natural pode ser feito de modo mais rápido e, mesmo assim, ser gostoso e saudável. É o caso desta receita, que acabei de testar. O meio para encurtar o tempo é deixar a massa fermentando durante a noite, estando pronta para ser moldada, fazer a segunda fermentação e ser assada logo na manhã do dia seguinte.

Leia mais »