TWITTER, CIÊNCIA E SEGUNDAS-FEIRAS

Como é que você se sente em relação à segunda-feira, principalmente pela manhã? Se é um dos que odeiam o dia e acham que não há nada pior do que acordar cedo e ir trabalhar em uma segunda, saiba que não é a maioria, mesmo que queira acreditar nisso. A constatação de que, ao contrário de você, o mundo não encara o início da semana com olha negativo, é de uma pesquisa feita nos Estados Unidos a partir de mais de 500 milhões de twetts. A conclusão é que, pelo que os usuários dizem no microblog, da para sentir como é o mundo e, nele, as pessoas.

A pesquisa foi publicada pela revista Science, uma das mais prestigiadas do meio cientifico, e afirma que as pessoas são mais animadas nas manhãs, inclusive as de segunda-feira, principalmente em dias mais claros e luminosos. Com isso, joga por terra a afirmação – de certa forma generalizada – de que a segunda-feira é o pior dia da semana. Segundo a impressionante quantidade de twetts usados na pesquisa, não é.

Se há – e isto é certo – um lado curioso no que os pesquisadores fizeram, podemos olhar as constatações de outra forma, vendo como é que os vários instrumentos e ferramentas que a tecnologia colocam ao nosso dispor acabam influenciando nossas vidas e relevando nossos hábitos. É o caso do Twitter. Ao manifestarmos algo, achamos que estamos fazendo aquilo apenas dirigido aos nossos amigos, àqueles que nos seguem. Não é bem assim, como mostra a pesquisa.

Ao colocar em 140 caracteres o que estamos fazendo, o que sentimos e como nos sentidos, estamos abrindo este sentimento para o mundo e permitindo que cientistas, como os da Universidade de Cornell, coletem os dados e cheguem a quase surpreendente constatação que fizeram. Como o Twitter hoje é uma ferramenta universal, presente em todos os países, os cientistas se dizem capaz de sentir o pulso do mundo, determinando estados de espíritos e comportamento dos seres humanos a partir do que dizem tuitando.

Coletados e juntados, os dados se tornam impessoais, revelando o universo, mas não o individuo. Podem, por exemplo, determinar que os usuários do Twitter preferem bacon às salsichas, mas não indicam um individuo e sua preferência pessoal. Mede, neste caso, a multidão, concluindo a partir do que os dados de todos dizem, o que nos torna anônimos, mas não deixa de nos expor ao mundo, seja como coletividade, seja individualmente.

O que dados como os da pesquisa feita por Cornell revelam, mais ainda, é que chegamos, mesmo, ao fim da privacidade. A partir do momento em que nos conectamos a uma rede – internet, mídia social, etc. – colocamos de lado a nossa vida privada e passamos, de certa forma, a partilhá-la com todos de forma proposital ou indireta. E isso fica claro na medição do sentimento das pessoas em relação às segundas-feiras. No final, se é dos que a odeiam, acaba sabendo que é minoria e, se não tem restrições a ela, descobre que faz parte da maioria da população do mundo.

Imagine se isso for feito em relação ao Facebook, que é muito maior e mais abrangente que o Twitter. O que será que descobririam? (Via Reuters, em inglês)

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