MICHELLE OBAMA E O NOSSO INCONSCIENTE

Primeiro, este não é um artigo científico. Pelo contrário, ele fala de sonhos, mas não os explica, classifica ou tenta desmistificá-los. Eles só se tornaram assunto por envolver uma situação inusitada. Aliás. O sonho nem foi meu, mas de uma amiga, bem próxima, que me contou o que sonhara, chamando a atenção para a estranheza do sonho. Vamos, de imediato, à  estória:

Em uma roda de pessoas, no final de semana, a conversa chegou à  visita do Presidente Barack Obama ao Brasil. Cada um chamava a atenção para aspectos que mais lhes impressionaram e, quase todos, ao final, concordaram que a estrela da visita foi mesmo Michelle Obama. Mulheres e homens destacavam a elegância e a simplicidade da primeira dama, hoje uma das mulheres mais importantes do mundo, mas que, apesar do poder e da fama conquistadas, não deixou que a posição lhe subisse à  cabeça.

A conversa prosseguia e, de repente, uma das participantes, emendou: Sabe que aconteceu uma coisa curiosa comigo…

Todos pararam. As convexas cessaram e foi feita uma pausa. Esperávamos que depois da afirmativa surgisse uma história totalmente diferente do objeto da conversa, algo relacionado ao dia a dia dessa minha amiga, do seu trabalho ou de sua família, que é grande e muito unida.

A surpresa veio em seguida: Sabe que eu sonhei com a Michelle Obama?

A afirmação gerou expectativa e, embora ninguém pedisse, todos ficaram esperando que o sonho fosse contado, detalhado. E foi o que aconteceu:

“No meu sonho”, afirmou a amiga, “eu estava acompanhada da minha filha e de uma outra amiga e nós íamos juntos com a Michelle fazer compras. Ela queria comprar tecidos e saímos procurando lojas que os vendesse. De início, a maioria estava fechada. Andamos, andamos e descobrimos uma loja, de apenas uma porta, em que os atendentes estavam conversando tranquilamente já que, pelo que víamos, não havia movimento de compra. A Michelle olhou e decidiu entrar. Com ela foi minha filha. Eu e a outra amiga ficamos na porta, esperando”.

Talvez para fazer suspense, ela parou. Tomou fôlego, um pouco de água. Todos esperávamos para ver o que tinha acontecido. E minha amiga continuou:

– Na porta, eu e minha amiga esperávamos. De repente, vimos minha filha sair correndo, acompanhada da Michelle. Sem saber o motivo, também corremos. Foi quando vi que, embaixo do braço, a Michelle levava vários tecidos. Foi quando também ouvi os gritos dos vendedores: Pega, pega… Enquanto isso, as quatros saíram em disparada pelo meio da rua.

Como terminou? Não sei. E minha amiga também não. Foi durante a corrida que ela despertou, mas o sonho ficou vívido em sua memória. Ao final da estória, todos estávamos rindo, principalmente pelo inusitado da situação. Depois de ter contado a estória, minha amiga parou e comentou como uma imagem forte como a da Primeira Dama dos Estados Unidos acaba ocasionando.

Hoje, Michelle causa admiração não só entre as mulheres, mas também entre os homens. E isso decorre, pelo que entendo, não por sua beleza – pessoalmente, não a acho bonita – mas pela postura que toma, tendo ideias próprias, assumindo-as e não deixando que o Presidente a eclipse. Talvez seja toda esta simbologia que levou ao sonho e, nele, a uma ação inteiramente inusitada da Primeira Dama dos Estados Unidos. Ela acabou ocupando o imaginário das pessoas e, com isso, acaba entrando nos sonhos delas, por mais estranho que pareça.

Existe uma explicação? Talvez sim. O que me importa, no entanto, foi o divertimento causado não pelo sonho em si, mas pela estória. Acho que, do ponto de vista pessoal, foi o que vale da visita do casal mais importante do mundo ao Brasil.

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