Lucro e exploração do trabalho

Em um livro que, na época do seu lançamento, causou polêmica, Naomi Klein fala de indústrias que recorrem aos míseros salários de países asiáticos e centro-americanos para a fabricação de seu material.

Uma das empresas, que depois da denúncia anunciou que mudou sua política, era a Nike. Outras, muitas outras, também fazem o mesmo. Fabricam na China, na Indonésia, na Tailândia, terceirizando a produção e beneficiando-se dos míseros salários que lá são pagos.

Mesmo diante da indignação de larga parcela da sociedade, a prática continua. Quem está¡ agora sendo acusada de adotá-la é a Apple, individualmente uma das maiores fabricantes de bens de informática do mundo.

A Apple produz na China, onde o salário mensal corresponde a cerca de 10 dólares. Além disso, as pessoas trabalham em jornadas estendidas e não tem qualquer benefício. Tem, na verdade, o dever de trabalhar, produzir.

Direitos, nenhum. Enquanto isso, o lucro da Apple continua crescendo.

Esta é mais uma das faces do mercado e do capitalismo. Para que tenhamos gadgets como o iPod é preciso que a empresa recorra ao trabalho muito próximo do escravo.

O que vem ocorrendo até agora é que o Ocidente, principal beneficiário deste sistema, faz vista grossa ao problema.

Nesta hora, a globalização não vale. O argumento é que cada país tem sua legislação, que deve ser respeitada.

E se, nele, a escravidão for legal, por que não usá-la? Afinal, não somos nós que estamos escravizando.

A situação só vai mudar quando houver indignação da sociedade. E quem for flagrado neste tipo de prática, perder mercado.

Nesta hora, o mercado, efetivamente, pode regular as relações de trabalho.

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